Pressão popular

Após semanas de protestos que culminaram numa verdadeira crise política, o governo francês resolveu abandonar a lei trabalhista para jovens.

O presidente francês Jacques Chirac revogou o Contrato do Primeiro Emprego (CPE) devido a pressão popular não só dos jovens, mas de praticamente todas as classes trabalhistas. Os protestos chegaram a reunir 1 milhão de pessoas.

O que gerou a revolta dos estudantes foi que na realidade o programa não traria benefícios para os cerca de 22% de jovens desempregados. O estudante ficaria empregado por um período máximo de dois anos, passado esse prazo o empregador poderia demiti-lo sem qualquer ônus e justificativa.

Mesmo lutando contra a correnteza, o primeiro ministro Dominique de Villepin resistiu até quando pode ou até perceber que sua popularidade estava em queda livre e isso poderia prejudicar sua possível candidatura à presidente nas eleições de 2007. Em comunicado o primeiro ministro lamenta que os eventos ocorridos na França mostraram que o CPE não poderá ser aplicado.

No Brasil, um programa semelhante foi aplicado pelo governo Lula. O Programa Primeiro Emprego tem como finalidade inserir o jovem no mercado de trabalho, a idéia é ótima, mas assim como no programa francês o jovem pode ficar trabalhando por um período máximo de um ano e depois é desligado dos quadros da empresa.

Infelizmente o programa idealizado pelo governo Lula foi aceito pela população, ou menos não ocorreram protestos que fizessem com que o governo alterasse a forma como o programa é aplicado. A maioria do povo brasileiro aceita essa “ajuda” e pensa que o governo federal está “fazendo o que pode” para melhorar a condição de vida da população.

Falta um pouco mais de conscientização e união para que as reivindicações sejam ouvidas e atendidas. Falta mais consciência política para o brasileiro que reaprendeu a votar.

Claro que a educação e a cultura do povo francês é bem diferente da do brasileiro, mas o que está em jogo é a luta por uma nação mais justa. Luta essa que os brasileiros evitam entrar. Se por causa de uma lei que prejudica os estudantes, a França sofreu protestos intensos, imagine se descobrissem um esquema de corrupção parecido com o mensalão. Certamente a proporção seria pior.

Espera-se que o exemplo da França possa servir de alguma forma para que o brasileiro tenha mais consciência do que é prejudicial ou não para o País. Afinal, é fato que as pressões populares são capazes de derrubar qualquer governo.

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