Editorial
- abril 27, 2006
Primeiro Emprego e primeira decepção
Talvez uma das maiores decepções em meio a tantas que o governo vêm realizando, foi o naufrágio do programa Primeiro Emprego. Visivelmente assistencialista e com o intuito de agradar os mais leigos, o fracasso do programa do governo federal obrigou os defensores a “largar o osso”.Lançado há quase três anos, desde julho de 2003, conseguiu empregar 3.936 jovens, quando o plano inicial era 260 mil vagas por ano, o que daria 715 mil jovens empregados nesses 33 meses.
Ao contrário rendeu mínimos 0,55% do pretendido. De repente a grande idéia passou a ser um investimento de campanha e fez com que o governo pagasse a empresas RS 1,5 mil por ano para contratarem os jovens. Pior do que isso, o programa hoje repassa dinheiro para empresas que tradicionalmente já contratam jovens e continuariam a fazê-lo mesmo que o Primeiro Emprego não existisse.
Então surge a pergunta, já que esse era a maior promessa do governo Lula: o que irá acontecer com todos os “bolsas” criados pelo governo? A população experimenta a satisfação imediata e mentirosa de que tudo vai mudar e logo em seguida a frustração de perceber que não passou de um lindo conto de fadas. Não dá para entender porque não investir em educação ou incentivos fiscais para as empresas, por exemplo. A realidade não é que o empresariado não contrata jovens sem experiência, mas sim sem qualificação.
Um estudo feito pela economista Priscila Flori, da Confederação Nacional da Indústria, antes do lançamento do programa, mostra que jovens conseguem emprego sim, apesar da inexperiência. Só que não ficam empregados. O governo sabe onde está o erro e como mudá-lo. Se esse tipo de programa não deu certo em nenhum outro país por quê daria no Brasil, onde as diferenças são enormes e a economia está estagnada. A conseqüência mais imediata do desastre do programa é uma lista de mais de 200 mil jovens decepcionados. São aqueles que acreditaram na idéia e estão até hoje esperando.
Então como julgarmos os jovens franceses que saíram às ruas e exigirem seus direitos. Na verdade falta a voz da população, a coragem de enfrentar de frente os problemas e cobrar dos governantes suas promessas, sem delongas. A chegada das eleições será a chance de acertos e erros por parte do povo. Todos terão a vez de se calar ou então fazer que a sua voz seja ouvida.





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