Economia vive onda de patriotismo em função da Copa do Mundo

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De quatro em quatro anos, a Copa do Mundo motiva todos os segmentos da economia do País. Nesse ano em especial a sociedade está embalada pela eufórica possibilidade do hexacampeonato. Desde quinquilharias até kits patrióticos, os produtos temáticos invadem as vitrines com as cores da seleção, nas prateleiras de lojas e supermercados e também pelas barracas de camelôs.

As novidades surpreendem até mesmo no campo científico. É o caso da abóbora “brasileirinha”, que é verde-e-amarela e foi criada por agrônomos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com valores nutritivos e um atrativo a mais nessa época.
Objeto de desejo para muitos torcedores, a camisa oficial da seleção está à venda desde o início de março. Entretanto, “vestir” a Copa não é para qualquer um. Confeccionada pela Nike, a camisa custa R$ 179. Mas, para a faixa mais afortunada da população, está barato: nas lojas de artigos esportivos, os estoques já não estão dando conta da demanda. Já o público que não faz questão de marca, muitos modelos de camisetas mais baratas também estão à venda e com os estoques no limite. É o caso da loja de São Vicente da Santos Mania, que reservou uma vitrine exclusiva para o tema canarinho e espera aquecer as vendas ainda mais. Segundo a vendedora Maria dos Anjos Dias Figueiredo, as camisetas de malha e os bonés são os mais procurados. “Quanto mais perto da Copa melhor. O foco está na camiseta oficial”, explica Maria.
Os televisores também vêm batendo recordes de vendas. O mais interessante é que a procura aumentou por aparelhos mais caros e sofisticados, acima dos de 29 polegadas. Segundo gerente de uma loja de eletrodomésticos da Cidade, os televisores de plasma são os mais vendidos.
O mês da Copa do Mundo irá coincidir com as tradicionais festas juninas, com isso a decoração dos arraiás dará lugar as cores do Brasil. As bandeirinhas coloridas darão lugar ao verde-amarelo e os vestidos de caipira também deverão fazer alusão ao tema. Segundo o atendente Emerson Ferreira, da filial vicentina da loja Proplastik, as bandeirolas, as cornetas e os elementos de decoração com temas brasileiros são os produtos mais vendidos. “A procura por bandeirinhas e bandeirolas juninas está intensa”, revela.
Carros brasileiros
O setor automobilístico também tem seu lugar garantido nesse cenário econômico. A Volkswagen e a Citroën colocaram no mercado versões especiais alusivas à Copa. A montadora alemã manteve esse ano a tradição em fabricar o modelo Gol Copa. Já são quatro mundiais consecutivos na qual a Volks investe no automóvel temático.
“As vendas estão aumentando conforme a Copa do Mundo vêm se aproximando. Quando essa série é lançada é quase que imediato a procura dos consumidores”, conta o gerente de vendas da Comeri de São Vicente, Francisco Kotzent. O gerente revela ainda que em algumas lojas o Gol Copa já está em falta. “A produção deve terminar em junho, mas se for preciso a fábrica pode vir a produzir mais unidades”.
Este ano a edição do Gol Copa terá 16 mil unidades - um aumento de mil carros em relação à última Copa. O preço sugerido na rede de concessionárias da marca para a versão especial mais básica parte de R$ 27.500,00. O modelo 1.6 custa a partir de R$ 34.390,00. “O valor do carro é o mesmo, mas com um apelo maior que acaba sendo um estímulo a mais, com alguns opcionais diferenciados”, comenta Francisco.
Por sua vez a Citroën lançou, pela primeira vez, uma série especial de sua minivan Xsara Picasso, intitulada Seleção. A edição teve produção limitada a 4 mil unidades. Os preços vão de R$ 57.950,00 a R$ 71.128,00 (2.0i 16V Exclusive Automatique).
Bebidas
No tema bebida alcoólica, a Ambev lançou a Brahma Bier, uma cerveja que promete deixar o paladar local com um gostinho alemão. Diferentemente dos outros anos, os rótulos alusivos ao Mundial vieram agregados ao sabor da bebida que é uma receita alemã.
Outra novidade que pode ser encontrada nos barzinhos brasileiros é uma chopeira verde-e-amarela lançada pela Art Brazil. A Hexa 13 é confeccionada em alumínio e possui um reservatório de três litros para abrigar a “loura gelada”. Para festejar ou afogar as mágoas, a Copa é sempre motivo para mais um gole.
Setor informal
Estimulados desde a conquista do pentacampeonato de 2002 os brasileiros estão apostando no aquecimento do comércio da região e os trabalhadores informais também.
Vários setores se adaptaram para competir no mercado voraz que envolve a Copa do Mundo. Os trabalhadores informais também estão correndo atrás desse filão e fazem de simples bijouterias peças fashions que viram moda e símbolo de patriotismo ou então, costumizam camisetas básicas e as transformam em peças de luxo. Os acessórios prometem ser a febre nesse Mundial.
Tanto na popular rua 25 de março paulistana como nas ruas vicentinas, criatividade é pouco para chamar a atenção de quem passa. Para dar sorte à seleção, vale levar desde guarda-chuva estampado até calcinhas em verde-amarelo.
São pulseiras, brincos, bandanas, bolsas, bolas, gorros, bandeiras, camisetas, chinelos, porta-CDs . Na loja de acessórios Kabulosa as vendas estão indo a milhão. Segundo a gerente da filial do Centro de São Vicente, Priscila Ferreira  as vendas estão superando as expectativas. “Tudo que se refere ao Brasil está sendo procurado, desde as bolsas até os colares. As pessoas atribuem o uso desses elementos como um item a mais na hora de torcer pelo time”, enfatiza.
Até a tradicional bicicletaria da Cidade, Tio Patinhas, investiu em pinturas diferenciadas como um atrativo a mais para o consumidor. A loja oferece um modelo de bicicleta nas cores brasileiras, roda amarela e uma bandeirinha do Brasil. “Os próprios clientes pediram uma bicicleta assim, porque o brasileiro é um povo que tem paixão pelo País”, conta o vendedor Manoel Moisés de Souza Junior, que confessa estar empolgado com a movimentação do comércio em função da Copa. “A procura está aumentando cada vez mais, nossos clientes tem procurado bastante”.
Mas o brasileiro não pode esquecer que também é ano eleitoral e os indicadores econômicos apontam para uma cautela nos gastos. Em época de euforia, as pessoas desvirtuam a consciência sobre o voto e acabam deixando para última hora a decisão. A realidade é que por onde quer que se vá o clima de Copa do Mundo está junto.

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