Maria Clotilde Macia Frassei

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Filha de um dos melhores jogadores do Santos (Pepe o canhão da Vila), Maria Clotilde Macia Frassei,

mais conhecida como Clô, despontou como modelo
internacional aos 17 anos de idade. Foram dez anos viajando e desfilando pelas principais cidades do
circuito internacional da moda. Após o término
da carreira internacional, Clô não parou de
trabalhar, fez alguns desfiles no Brasil e abriu
uma escola de modelos em Santos que até
hoje é sucesso na Baixada Santista. 

Maria Clotilde Macia Frassei, mais conhecida como Clô, nasceu em Santos e despontou como modelo internacional. Filha de José Macia, o Pepe, um dos melhores jogadores e artilheiros do Santos Futebol Clube de todos os tempos, Clô viajou para Japão, França, Itália e outros países que faziam parte do circuito internacional da moda durante dez anos. Uma figura simpática, extrovertida e com uma força de vontade, Clô superou o preconceito por ser uma menina magricela e alta na adolescência e transformou-se na modelo mais requisitada da época.
Afastada das passarelas desde 1993, Clô não parou de trabalhar com o que mais gosta, com moda. Em 1996 ela, juntamente com sua irmã, resolveu montar uma escola de modelos na região devido a carência de modelos para informes publicitários e até mesmo desfiles. Confira na íntegra a entrevista que Clô concedeu à equipe do Jornal Vicentino.
Jornal Vicentino - Como foi sua infância em Santos?
Clô
- Minha infância foi maravilhosa porque eu tenho 38 anos, então você imagina há 30 anos atrás a gente podia brincar na rua. Fui uma maria moleque, brinquei muito na rua, até jogar taco eu joguei. Subia em árvore, brincava de pega-pega, esconde-esconde. Minha infância foi bárbara, na Ponta da Praia.”
JV - Após uma vitoriosa carreira, seu pai (Pepe) partiu para ser treinador de futebol. Você e seus irmãos o acompanhavam? Como foi a experiência de morar em outras cidades?
Clô
- Só mais na adolescência, quando meu pai se tornou treinador e começou a viajar e a trabalhar em outras cidade e outros times é que nós começamos a acompanhar meu pai. Mas a primeira vez que fomos para o exterior foi quando ele foi para o Catar, eu tinha 16 anos. Foi a primeira vez que eu larguei a escolas e fiquei dois anos no Catar. No primeiro ano que fiquei com meu pai no Catar eu achei tudo maravilhoso, diferente, outra cultura. Há 20 anos atrás as mulheres andavam de burca, eu não podia sair na rua sem o meu pai. Com isso, eu passei a não achar tão agradável, pois ficava trancada dentro de casa. No segundo ano eu falei para meu pai que eu gostaria de ir para Europa estudar. Nós fomos no consulado da Suiça e eu fui estudar lá. Fui estudar inglês, alemão e um pouco de francês.
JV - Quando surgiu o interesse pela carreira de modelo?
Clô
- Na verdade, antes de ir para o Oriente Médio, eu estava em Campos do Jordão e um senhor me parou na rua e falou: “Nossa menina! O que você está esperando alta e magra desse jeito. Porque que você não vai ser modelo?” Daí fiquei com aquilo na cabeça, principalmente porque eu tinha muito complexo devido a minha altura e o meu peso. Eu era muito infeliz, eu chorava atrás da porta, no banheiro. Os meninos me chamavam de poste, de vareta. Eu tinha uns 14 anos quando esse senhor parou na rua e me falou isso.
JV - Então a idéia de ser modelo ficou na sua cabeça por alguns anos. Quando você realmente optou pela carreira?
Clô
- Isso ficou na minha cabeça, mas aí no caso fiquei dois anos no exterior com meu pai e quando eu voltei,  fui procurar um curso de modelo. Procurei o curso em São Paulo, aqui em Santos não havia nada. Primeiro eu me informei para saber onde ir, porque tem muita picaretagem. Fiz um ótimo curso de modelo, que já era de uma grande agência. No final do curso eles iriam contratar duas alunas.
JV - No final você ficou entre as duas finalistas?
Clô - Para minha alegria eu fui contratada, afinal eu tinha 1,80 m e 56 kg era o perfil perfeito para modelo.  Fechei o contrato e dez dias  que eu estava agenciada, veio uma agência de Tóquio que queria levar modelos para o Japão. Parecia destino, eu estava indo embora da agência de São Paulo. Nem havia feito meu primeiro book, eu estava descendo e praticamente dei uma trombada no meu destino com esse senhor japonês de terno. Ele começou a falar comigo, em inglês, dizendo que era de uma agência do Japão e mandou eu esperar. Dei meia volta e subi. A dona da agência não acreditou quando disse que ele mandou esperar. Todas as top models começaram a chegar e ele vendo uma por uma. Quando veio a decisão o representante da agência apontou para mim. Todo mundo ficou perguntando quem eu era. Eu fiquei assustadíssima. Fui até uma salinha, ele já me deu as passagens e disse que em dez dia eu estaria embarcando rumo ao Japão.
JV - Qual a reação dos seus pais?
Clô
- Quando eu cheguei em casa a minha mãe disse que eu não deveria me enfiar nesse meio. Dizia que eu mal comecei e já estava indo para o Japão. Fui com meu pai para São Paulo e os donos da agência disseram que eu tive a maior sorte do mundo e que eles punham a mão no fogo porque era uma das melhores agências do Japão. Dez dias depois eu já estava no Japão e meu pai ficou tranqüilo porque já havia viajado para Suiça sozinha e tudo mais.
JV - Como foi viver e trabalhar do outro lado do mundo?
Clô
- Foi um conto de fadas. De repente eu que era uma menina infeliz, fui parar no outro lado do mundo e tudo era ao contrário. Quando eu cheguei o dono da minha agência já me levou para oito testes de desfile. Eu cheguei com o fuso horário trocado, cansada e mesmo assim foram 8 testes. Eu tinha 18 anos. Cheguei as 10 da manhã na agência e me receberam com aplausos. Pensei que eles fossem educados, achei que todo mundo estivesse aplaudindo dando boas vindas.  Mas o dono da Agência explicou que os aplausos foram em razão dos oito testes que havia feito ontem e fui contratada para fazer os oito desfiles. Isso nunca acontecido antes na agência. Tudo começou assim. Meu primeiro contrato era de dois meses e eu tive que renovar porque eu não parava de trabalhar.
JV - Você se adaptou muito bem ao estilo de vida?
Clô
- Me adaptei super bem. Acho que todo o lugar aonde você vai e você está trabalhando muito, o pessoal te trata muito bem. Você tem aquela receptividade e ganhando bem você fica feliz também. Eu adoro o povo japonês.
JV - Como foi a volta para o Brasil?
Clô
- Eu voltei com o book todo do Japão. No Brasil eu trabalhei muito, fiz todas as revistas, fotografei com os melhores fotógrafos, entre eles JR Duran. Até que minha agência do Brasil disse que eu teria que ir para Milão e Paris.
JV - A realidade na Europa era muito diferente do Japão?
Clô
- Quando cheguei em Paris senti uma frieza. Eu acho Paris muito mais bonita que Tóquio, mas em Tóquio eu era muito mais feliz, trabalhava muito mais. Em Paris já era muito difícil, o povo francês é muito gelado. Eu fiquei um mês e peguei só três trabalhos. No Japão eu trabalhava de manhã, de tarde e de noite. Tinha aqueles dias que eu não sabia o que fazer. Você fica com saudade da família, você não tem amigos então era complicado mesmo. Aí fui para Milão, lá foi diferente porque os italianos gostam  muito de brasileiro. Na Itália comecei a trabalhar melhor. Depois de uma temporada na Europa uma agência japonesa quis me contratar e lá fui eu para o Japão novamente.
JV - Apesar das dificuldades você conquistou fama no exterior. Foram quantos anos desfilando no circuito internacional?
Clô
- Fiquei durante dez anos viajando. Paris foi melhorando para mim, porque fui ficando conhecida. Fui trabalhando e fui pegando desfiles de estilistas franceses famosos e em Milão eu peguei mais estilistas famosos. Durante dez anos eu fiz o circuito das modelos internacionais. Minha carreira internacional foi de 1986 até 1993, depois fiquei no Brasil.
JV - Depois de encerrar a carreira internacional você resolveu parar por um tempo?
Clô
- Em 1993 eu casei e a minha loucura era ter um filho. Eu decidi que não queria mais a carreira internacional, porque também quando você vê as novas modelos despontando você percebe que está na hora de parar. Casei e três meses depois engravidei. Com chave de ouro a revista Cláudia fez uma matéria linda sobre toda a minha gestação. Fiquei um ano cuidando do meu filho. Depois fiquei com vontade de voltar a trabalhar só em São Paulo. Voltei para São Paulo e fiz alguns desfiles, algumas publicidades até que eu comecei a desencanar. Tinha mais vontade de ficar perto do meu filho.
JV - Como foi o início da Oficina?
Clô
- Lembro que na época eu e minha irmã, que é jornalista,  nos unimos e abrimos juntas a oficina de modelos. Ela me deu todo o incentivo, ela escreveu toda a parte de etiqueta e comportamento pessoal e eu fiquei com a parte de moda, passarela, fotografia. Eu elaborei todo o curso e minha irmã fez assessoria de imprensa. Aí a Cristina Guedes chamou a gente para fazer Revista da Praia e fez uma matéria bárbara.
JV - Você foi pioneira em escola para modelos. Como vê isso?
Clô
- O que foi muito importante é que não tinha nenhum curso profissional, nada realmente sério. Existia uma carência nas emissoras regionais. Não tinha onde buscar modelos. As agências de publicidade só podiam recorrer à São Paulo. Não tinha o profissionalismo. Então a oficina surgiu também junto com esse crescimento das emissoras regionais e toda a parte publicitária.
JV - Além de todo esse crescimento, você atribui o sucesso do curso a outros fatores?
Clô
- A procura também veio por causa da Gisele Bunchen. Isso foi fundamental, ela virou o sonho de consumo. Todas as meninas querem ser modelo. De cada 100 alunas, realmente, 70% a 80% tem esse sonho e as outras 20% não sabem porque estão aqui. Realmente, tem mãe que matricula a sua filha porque não tem modos ou porque é tímida. Elas saem com uma ótima auto- estima. A gente não usa palavras negativas, nós trabalhamos muito com o elogio. Eu adoro o que faço, adoro ensinar e não tenho só adolescente eu tenho as crianças e a terceira idade.
JV - Como é ensinar para a terceira idade?
Clô
- Elas não são minhas alunas, são minhas melhores amigas. Elas falam que eu sou o anjo da terceira idade. Não tem um dia que elas não me abracem e me beijem, talvez porque deva ter uma certa carência. Muitas vezes não tem atenção dos filhos, então aqui é um ponto de encontro. Tem senhoras que estão há oito anos fazendo o curso. Meu curso dura 5 meses, só que elas vão se matriculando porque elas adoram estar na passarela desfilando. Elas acabam se realizando.
JV - Além de ensinar você também promove desfiles profissionais e beneficentes.  Como é organizar um evento desses?
Clô
- A gente faz muito desfile. Na verdade, dois dos grandes desfiles que eu fiz esse semestre, eu fui atrás de tudo. Eu liguei para o Fundo Social de Solidariedade de Santos e falei que estava com muitas crianças fazendo curso e gostaria de fazer um evento beneficente. A gente acabou fazendo um desfile com 100 crianças. O shopping Praiamar cedeu o espaço para a Campanha do Agasalho e nós arrecadamos 2.300 agasalhos. Eu adoro fazer desfiles beneficentes. Vamos ajudar e isso acaba somando. Eu coloco os alunos para praticar, eu divulgo o nome da oficina. Agora o que eu realmente tenho muito prazer em fazer são os desfiles profissionais. Eu sou contratada sempre pelo Litoral Plaza Shopping para fazer a virada de coleção. Aí não tem nada de beneficente é negócio de moda mesmo.

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  1. 3 Comentários para “Maria Clotilde Macia Frassei”

  2. estou à procura de uma escola de modelo para minha filha, e me indicaram a clô, mas não souberam me dar o endereço, gostaria que me passassem. obrigada

    Por carolina em mai 18, 2008

  3. Ola Clô tudo bem ? aqui quem fala e DON , parabens para seu carreira , desde que conheço vc do japão na epoca (dançateria TOKIO) lembra? por causa de vc estou no brasil ha já 20 anos tentei ligar varias vezes mas na epoca ainda vc estava viajando muito e não ficava no brasil fiquei sabendo se casou ultima vez que liguei na sua casa sua mãe me contou , eu estava morando em são paulo ate ano passado este ano me mudei para curitiba eu tenho negocio aqui tambem tenho 2 filhos menino e 18 e menina e 15 anos chama se ´´Piela´´ felicidades para todo sua familia , muito saudades , entre em contato por favor e-mail demarco.yamashita@uol.com.br ou MSN masashi.yamashita@hotmail.com espero contato

    Por DON em fev 27, 2010

  4. Clô,

    Quero matricular minha mãe no seu curso de modelos, vc poderia me enviar os horários e o endereço para que possamos ir fazer a matrícula.
    Ela têm 60 anos e é lindona e super desinibida, tenho certeza que irá se dar muito bem nas passarelas…..
    Aguardo seu contato

    Irene

    Por Irene em fev 11, 2011

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