Renato Terra da Costa

renato.jpgProfissionalismo e perfeccionismo são traços marcantes desta personalidade. Extremamente dedicado ao trabalho, ele chega até a confundir seu tempo de lazer com o lado profissional. Formado em Direito pela PUC-SP, ele sonha em assumir um Cartório da Capital, pois assim poderá realizar um benefício social em maior número, mas, apesar disso, não nega sua ligação com São Vicente. Este santista, que hoje é o Oficial Substituto do 2º Cartório de Registro de Imóveis de São Vicente, mostra toda sua ligação com o pai e não nega que deve muito a ele. Se auto-definindo como “chato”, Renato Terra da Costa mostra que é um estudioso da profissão acima de tudo.

Renato Terra da Costa conta, em entrevista exclusiva ao JV sua trajetória de vida, desde os tempo da universidade em São Paulo até o trabalho no Cartório de Registro de Imóveis de São Vicente. Muito de seu sucesso profissional deve-se a boa formação familiar, mas a ânsia pelo conhecimento foi o que o moveu a se tornar um profissional em tempo integral. O personalidade desta edição mostra que desde pequeno já tinha como objetivo ser um grande profissional e esforçou-se para tanto. Sem titubear fala ainda sobre as relações do Cartório com o Judiciário e com a Prefeitura de São Vicente, arriscando até um palpite sobre o futuro da cidade. Leia abaixo a entrevista completa com Renato Terra.
JV- Como foi a trajetória escolar e acadêmica do senhor até chegar ao Cartório?
Renato Terra (RT)
- Estudei no colégio São Gabriel, depois estudei no Carmo e fiz o colegial no colégio Objetivo. Cursei Direito na PUC (Pontifícia Universidade Católica) em São Paulo entre os anos de 1982 e 1986. Nesse período eu fui estagiário de uma grande construtora da Capital, a Enterpa S/A Engenharia, uma holding que coletava lixo, e depois passei para o Departamento Patrimonial da Prefeitura de São Paulo, à convite do então prefeito Mário Covas para integrar o corpo de estagiários da Prefeitura. Feito isso, em 1986 o meu pai, Nelson da Costa, assumiu o cartório (ainda é o titular do Cartório de Registro de Imóveis) e me convidou para trabalhar com ele para auxiliá-lo no desempenho das funções do cartório. E assim, entrei aqui em fevereiro de 1987.
JV- Desde a infância o curso de Direito era o objetivo de vida do senhor?
RT
- O meu objetivo sempre foi estudar e ter minha independência econômico-financeira, enfim, ter uma profissão definida. Isso é até curioso porque até o colegial eu queria ser engenheiro eletrônico, mas como não ia bem em matemática eu entendi que deveria mudar meu rumo. Assim, acabei optando por fazer Direito e me sinto realizado nessa profissão, embora seja fascinado por tecnologia até hoje. Meu pai sempre me ensinou a trilhar uma direção para vida. Felizmente, tive uma família estruturada e graças a Deus, todos nós (três irmãos), fomos encaminhados para a vida.
JV- Como é o relacionamento com o seu pai? Ele influenciou em sua decisão profissional?
RT
- O relacionamento com meu pai é muito bom, até por conta de que nós vivemos no mesmo ambiente de trabalho hoje. Mas foi sempre muito bom. Ele sempre me deu um direcionamento correto de vida, explicando-me o que era certo e o que era errado, passando-me a experiência que pôde e, realmente, eu devo muito a ele no sentido de ter me formado e ter tomado um rumo na vida, com uma profissão muito boa, que requer muito estudo, mas que adoro. Os pais sempre dão direcionamento aos filhos. Meu pai não me forçou a nada, não me forçou a trabalhar como ele, sempre deixou que eu tomasse as minhas decisões profissionais, livre. Ele me serviu de espelho, mas nunca me puxou para a profissão. Não me obrigou a seguir os passos dele, mas a vida fez com que eu optasse pelo caminho do direito e do cartório.
JV- Como foi sua experiência em São Paulo?
RT
- A faculdade foi muito boa, no sentido que me colocou em uma grande cidade que é a Capital. Isso me tornou uma pessoa bastante competitiva, ensinou-me bastante e foi fundamental para adquirir experiência de vida. Sem menosprezar São Vicente, Santos e toda a Baixada Santista, eu só poderia ter a experiência que eu tenho hoje se tivesse trabalhado na Capital. São Paulo é um mundo de muita competição e você tem que estar sempre na frente de alguém, porque têm vários querendo o seu lugar. Então foi fundamental para que desenvolvesse uma capacidade de estar na frente, de ser o melhor, de ser competitivo e isso é uma experiência muito boa. Nas empresas que trabalhei, principalmente na privada (Enterpa), aprendi todos os setores do Direito e depois tive a grande sorte de ter conhecido a estrutura de uma organização pública na Prefeitura de São Paulo. Assim entendi o porquê que a máquina não anda, aprendi como lidar com a máquina pública, escolher o bom funcionário público e ver quem não é.  Eu ainda tive sorte de trabalhar na maior Prefeitura da Capital e com um homem empreendedor como era o Mário Covas.
JV- Foi difícil trabalhar na Prefeitura de São Paulo?
RT
- A minha entrada na Prefeitura foi um grande baque porque eu vinha de uma empresa privada na qual o rítmo era muito acelerado. Quando caí na atividade pública, percebi que o rítmo era muito mais lento. A diferença entre o rítmo de uma empresa privada, onde você é competitivo, você tem que estar na frente do mercado, tem-se a concorrência, e na empresa pública, em que você não tem isso, é muito grande. O grande diferencial é o rítmo e eu sempre fui mais acelerado, mas a grandiosidade da Prefeitura, sua complexidade não permitia o rítmo acelerado.
JV- E agora no cartório, qual é o rítmo de trabalho?
RT
- Aqui eu decido. Não tenho que esperar ninguém para saber se faz assim ou de outro modo. As decisões estão centradas, dependem de uma única pessoa e são muito mais rápidas. Mas é importante que o profissional conheça o funcionalismo público para que ele entenda o porquê que o funcionário público não executa determinada atividade rapidamente. É preciso saber porque a máquina não anda, entender sua complexidade.
JV- Foi difícil os primeiros anos no Cartório?
RT
- Saí da Prefeitura e vim para cá à convite de meu pai. Mais uma mudança em minha vida. Pegamos o cartório em um momento muito difícil. O cartório tinha saído de duas intervenções, sendo que a segunda (1986) tinha sido feita pela Corregedoria Geral da Justiça, tendo em vista que o cartório passava por um grande problema administrativo, funcional, sério, que precisou de uma energia muito grande para que colocasse toda essa estrutura de auxílio à justiça em ordem e para que isso ocorresse meu pai teve que se cercar de bons profissionais. Havia bons funcionários e nós começamos a ditar o rítmo da empresa. Era necessário que impuséssemos mais controles, comandos mais rígidos, até porque havia a necessidade de se retomar a credibilidade que o Cartório de Registro de Imóveis tinha perdido. Esse rigorismo no trabalho que nós retomamos foi fundamental e foi um grande marco para a cidade e para a Justiça. Antigamente, o cartório estava, no meu modo de ver, desacreditado em razão de sérios problemas que acabaram redundando na intervenção, a qual foi um grande remédio para o Cartório.
JV- A caminhada até o posto de oficial substituto foi longa? Quem o ajudou a se desenvolver profissionalmente?
RT
- Eu passei por todos os setores do Cartório, aprendendo como ele funcionava, porque eu tinha base técnica, mas a experiência de cartório era muito pouca. Estudei muito, esforcei-me e com a ajuda dos funcionários, grandes profissionais que cresceram comigo e com a empresa, eu consegui chegar no patamar em que estou hoje. Sem o auxílio deles eu não teria chegado a esse grau de conhecimento. Sempre foi uma grande parceria entre a direção do cartório, entre o titular, eu e os funcionários para que o negócio fosse adiante e retomasse a credibilidade, e tivesse, como hoje tem, uma confiança por parte da população.
JV- Qual é a importância do trabalho em conjunto na área cartorária?
RT
- O trabalho em grupo entre a direção do cartório, os nossos empregados, os nossos escreventes e os nossos auxiliares são muito importantes, pois o dono do cartório não consegue fazer a máquina funcionar sozinho. É preciso que os nossos colaboradores sejam de confiança e os subordinados precisam entender que aqui é um setor de auxílio à Justiça, de prevenção de conflitos, e que eles têm que ser efetivamente bons naquilo que fazem. Os funcionários têm que ter essa noção para que desenvolvamos essa filosofia de trabalho, afinal, nós é que, no fundo, transmitimos a propriedade de imóveis, que é o bem material maior que o ser humano pode ter, porque ele pega todas as suas economias de trabalho para comprar um determinado imóvel. Por isso, ele tem que ter a confiança de que sua propriedade está registrada e é sua, que ninguém a tirará dele.
JV- O senhor citou algumas vezes que o Cartório é um serviço de auxílio à Justiça. Como se dá o relacionamento entre o Judiciário e o Registro de Imóveis?
RT
- Nosso relacionamento com o Judiciário é muito bom. Há um relacionamento de grande confiança e o nosso corregedor (Dr. Artur Martinho Oliveira Júnior) é um sujeito atuante, um homem honesto que nos fiscaliza, que nos orienta e que faz uma comunicação informal quando há necessidade disso. Ele nos dá a liberdade de telefonar para ele e resolver um problema de um usuário que tem problemas para ver o seu título registrado. Isso é um bom relacionamento, uma relação de muita confiança.
JV- E o relacionamento com o Poder Público Municipal?
RT
- É muito boa a parceria que existe entre o Cartório e a Prefeitura em termos de diálogo. Isso facilita e agiliza muito o trabalho. Hoje, temos uma grande facilidade de conversar com a Prefeitura informalmente, no sentido de eu ir até lá com a documentação e resolver o problema com o servidor. A conseqüência disso é que a documentação que o Registro de Imóveis precisa, e que a Prefeitura às vezes expede, é eficaz, tanto para nós quanto para a Prefeitura. Da mesma forma é constante a visita de funcionários da Prefeitura ao Cartório para resolver problemas do município. Realmente é muito satisfatório o diálogo com a Prefeitura.
JV- Como está o projeto de regularizar o título de imóveis do Dique Sambaiatuba?
RT
- Estamos tentando viabilizar isso, juntamente com a Prefeitura. É fundamental dar o título de propriedade regularizado a essa população mais carente. O importante é que o título de propriedade é regularizado, que tem mercado, em que o imóvel tem condições de mercado. A Área Continental está melhorando. A Área Insular tem uma boa condição fundiária, não é excelente como na Alemanha e nunca será igual, mas é boa. Mas tem que olhar mais para a Área Continental.
JV- Qual é sua expectativa quanto ao futuro da Cidade?
RT
- A perspectiva é de melhora. O Registro de Imóveis tem alguns picos de trabalho. Notadamente, nos finais de ano, tem-se um pico maior de trabalho, por viradas de tabelas, aumento de preços e aumento de valores venais, mas nós temos notado que este ano esse pico tem se mantido e o registro de imóveis é um termômetro para o desenvolvimento. Se a condição econômica e a cidade está indo bem, as pessoas têm interesse de morar aqui, sendo um sinal de boa qualidade de vida. A manutenção desse pico de trabalho no registro de imóveis reflete uma melhora da cidade.
JV- Nota-se um grande profissionalismo no senhor. Esta é uma característica forte de sua personalidade? RT- Eu sou uma pessoa extremamente profissional. Um grande defeito meu é ser perfeccionista, mas é a responsabilidade que tenho, que vem de uma formação familiar, cultural e profissional. Quem trabalha nesse ramo tem que entender que aqui é uma atividade salutar, um ambiente de trabalho muito bom, com pessoas de um nível sócio-cultural muito bom e, portanto, deve-se trabalhar de forma contente e gostar do que faz. Hoje, eu não tenho funcionários que não gostem do que fazem e isto vai do espelho do dirigente, pois a partir do momento que eu gosto do que eu faço, isso seguramente serve de espelho aos funcionários. Eu estou em uma profissão em que eu não saberia fazer outra coisa. Gosto do que faço e não tenho preguiça de trabalhar.
JV- Tanto profissionalismo causa dificuldade em saber separar o lado pessoal do profissional?
RT
- A diferenciação da parte profissional para a parte familiar é um pouco difícil. Muitas vezes as amizades que se criam são voltadas a área cartorária e não tenha dúvida que no jantar de sábado ou no chopp do fim de semana o assunto também é cartório. Mas isso acontece naturalmente em razão de gostarmos da profissão, embora eu tente fazer com que isso não ocorra! (risos) Agora veja, desde pequeno escuto meu pai falar do cartório e hoje sou mais um a chegar e conversar sobre o mesmo assunto! Isso faz parte do cotidiano e não nos desagrada.
JV- Mas o Dr. Renato fora do trabalho tem alguns hobbies, não tem?
RT
- Eu joguei muito tênis e continuei jogando na faculdade, mas depois parei. Hoje, eu não tenho um hobbie específico. Gosto bastante de cozinhar aos fins-de-semana, especialmente massas e carnes. Já sou até o churrasqueiro oficial dos meus amigos! Gosto também de dar uma corrida na praia, ficar sentado lá sábado e domingo sem fazer absolutamente nada… (risos) Minha leitura são livros técnicos, que eu gosto bastante para me aperfeiçoar e me manter atualizado. Só mesmo uma corridinha matinal na praia para manter a forma. E parei de acompanhar o tênis devido ao trabalho, que toma bastante tempo.
JV- Qual seu sonho profissional?
RT
- A minha idéia, minha aspiração profissional é chegar a um Cartório de São Paulo. A Capital é onde tudo acontece e você pode prestar seu serviço a 10 milhões de habitantes, que esperam uma solução. Lá, é onde você aprende mais e pode servir a uma quantidade maior de pessoas”

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