Ayres Lima Santos

ayres.jpgHá 44 anos vivendo e atuando em prol da sociedade vicentina, o tabelião Ayres Lima Santos é um exemplo vivo de dedicação e amor à Cidade que o acolheu. Atuou como provedor do Hospital São José, no qual ajudou a ampliar o atendimento hospitalar. Como presidente do Lyons Club de São Vicente ajudou na construção do Lar de Assistência ao Menor (LAM). Ayres se declara uma pessoa simples e que defende a igualdade social.

Nascido no interior de São Paulo, na cidade de Brodósqui, Ayres mudou-se para São Vicente para trabalhar como tabelião. Há 44 anos vivendo e atuando na Cidade, Ayres foi provedor do Hospital São José por oito anos, presidente do Lyons Clube de São Vicente, além de atuar em outras entidades vicentinas. Ele revela que sempre ajudou o próximo e que se orgulha de saber que pessoas que trabalharam em seu cartório conquistaram seus objetivos.
Durante a entrevista ao Jornal Vicentino Ayres revelou as passagens que marcaram sua vida, tanto na área social como em relação à família. Um fato que o marcou muito foi a mudança das crianças que moravam no Lar Vicentino para a sede do Lar de Assistência ao Menor (LAM) que fica na Cidade Náutica.
O tabelião também contou como era São Vicente na época em que se mudou para cá, lembrou dos restaurantes e bares e destacou que a Cidade era glamourosa e muitas famílias tradicionais de São Paulo vinham passar os finais de semana na primeira cidade do País. Leia alguns trechos da entrevista.
Jornal Vicentino - O senhor é natural de Brodósqui e se mudou para Batatais antes de morar definitivamente em São Vicente. Como foi sua infância no interior?
Ayres Santos
- Nasci em Brodósqui. Eu digo que Ribeirão Preto que é perto de Brodósqui. Depois fui para Batatais. Saí de Brodosque para estudar em Ribeirão Preto e Batatais. Minha família se mudou para Batatais e aí entrei em um cartório. Me formei na universidade da vida, tenho 53 anos de serviço. Minha nomeação é de 16 de abril de 1953. Fiz o colegial em Batatais, na Instituição Moura Lacerda em Ribeirão Preto. Meu pai era tabelião no Município, fazendeiro, então era uma infância muito boa. Fiz inclusive o grupo escolar com o José Saulo Ramos, também nascido lá. Boas lembranças, eu jogava futebol na pracinha da Cidade que era em frente a casa dos pais de Cândido Portinari. Fui criado com a minha irmã e meus pais. Desde pequeno jogava futebol. No grupo escolar eu já fazia parte de circo.
JV - Batatais já era uma cidade grande, em comparação à Brodósqui. O primeiro emprego do senhor se deu lá?
AS
- Em Batatais o meu primeiro emprego foi na rádio difusora. Cheguei a fazer programa de rádio à noite e durante o dia trabalhava na mesa que se punha disco para fazer os programas. Depois voltei para Brodósqui e comecei a trabalhar em cartório, em 1953.
JV - Quando o senhor resolveu vir para São Vicente e largar sua Cidade natal?
AS
- Foi justamente na instalação da comarca. Estavam precisando de escrevente do interior que conhecesse todos os serviços para instalar esse cartório. Eu era casado e já tinha dois filhos. Só o terceiro filho que nasceu aqui.
JV - Como foi a adaptação do senhor na Cidade?
AS
- Senti um pouco. Peguei uma época de muito calor, era um verão terrível. Eu vim em setembro e quando chegou dezembro estava querendo ir embora. Mas São Vicente era muito gostosa, era uma cidade de 70 mil habitantes e frequentado por industriais, de São Paulo. Eles tinham casas aqui, eram casas finas. O povo daqui muito acolhedor e hospitaleiro. Tinha, por incrível que pareça, naquele tempo a vida noturna mais movimentada do Estado. Uma série de boates finas, o Jockey Club tinha toda semana grandes prêmios. Tinha movimento turístico inclusive.
JV - O senhor também participava ativamente da sociedade vicentina?
AS
- Éramos jovens, eu tinha uns 29 anos e os grandes prêmios no Jockey, então a gente tinha que participar. O Tumiaru e o Beira Mar estavam em expansão, nós tínhamos o São Vicente Praia Clube e o Ilha Porchat Clube depois. Eu participei muito. Fui presidente do Lyons Club de São Vicente, foi provedor do Hospital São José, devo estar entre os mais antigos da maçonaria, fui diretor do Ilha Porchat Clube por 20 anos, fui da comissão da construção da Igreja São Pedro Pescador. Então participava da vida de São Vicente.
JV - O senhor foi provedor do Hospital São José. Como foi sua atuação nessa instituição?
AS
- Ia para o Hospital como todo dia fosse dia de Natal, isso foi entre 1984 a 1991. Não tinha problema. Em 1983 eu já era vice-provedor. Havia um prédio ao lado que só tinha o esqueleto, foi quando então nós concluímos a maternidade e depois o prédio todo. Reformei o antigo, aquela casa de força. Instalei a UTI e o centro cirúrgico. Instalei a funerária que em São Vicente só havia uma particular. O que me marcou durante minha gestão no hospital foram as amizades que eu fiz e o reconhecimento do povo. Até hoje funcionários e médicos me encontram na rua e vêem falar comigo.
JV - O senhor recebeu apoio de muita gente durante sua administração no São José?
AS
- Fiz contato com gente excelente. Em Santos o provedor da Santa Casa, Antonio Manoel de Carvalho, me ajudou muito. Antonio Ermírio de Moraes, que era da Beneficência, me ajudava muito também.  Eles vinham almoçar com a gente aqui e explicava como administrar o hospital. Na construção do prédio o Ermírio de Moraes me ajudou muito, todo o cimento é Votorantim.
JV - O senhor tem uma história curiosa sobre o apoio dado ao empresário Antonio Ermírio de Moraes. Conte essa passagem.
AS
- Antes de inaugurar, quando terminei a obra eu o chamei. Ele veio, viu tudo e me disse: qual a sala que você acha que vai ter mais problema? Respondi que a sala que teria mais serviço seria a que dependeria de equipamentos mais sofisticados, a sala de ortopedia. Ele me disse: então essa é minha já vou te dar os equipamentos, por meio da minha metalúrgica, a Atlas. No dia da inauguração o gerente da empresa veio com a nota fiscal e trouxe os equipamentos. São amizades que adquiri no trabalho.
JV - Qual outra passagem o senhor pode destacar durante os sete anos a frente do São José?
AS
- Acabei de construir fisicamente a UTI e perguntei: E agora para equipar? Mandei fazer um orçamento e na época precisava de Cr$ 100 milhões. Se eu arrumar dez casais cada um pagaria Cr$ 10 milhões. O primeiro casal veio e na saída a mulher desse empresário me disse que iria convencer o marido em doar o valor. Isso foi numa quarta-feira, na segunda o contador estava no hospital me esperando para entregar o cheque de Cr$ 100 milhões. A única coisa que o empresário me pediu era para não revelar o nome dele. Em 15 dias nós estávamos inaugurando a UTI.
JV - O senhor também foi presidente do Lyons Club de São Vicente. Qual passagem que o marcou mais durante sua atuação ?
AS
- Quando presidente do Lyons, eu tive a satisfação de ter participado da fundação do LAM com o primeiro imóvel adquirido na Campos Sales e depois lá na Cidade Náutica. Eu tive a satisfação, como presidente do Lyons, em 1977 de ter feito a transferência das crianças do Lar Vicentino, onde elas ficavam no meio dos idosos, lá para o LAM que havia acabado de ser construído. Me marcou a transferência dessas crianças.
JV - O senhor sempre se mostrou benevolente em relação às causas sociais. Quem o influenciou a ajudar o próximo?
AS
- Meu pai. Ele me ensinou uma coisa, que o povo, principalmente o brasileiro, é muito bom de coração. Precisa saber quem vai pedir. O difícil é quem saí para pedir e na condição que tem para pedir. Então eu consegui muita coisa.
JV - Falando agora no lado familiar. Como é o relacionamento com os filhos e netos?
AS
- Fui muito feliz. Os dois filhos trabalharam comigo. O mais velho (Ayres Júnior) foi para o interior. O outro ficou trabalhando comigo e casou aqui. Só que eu tive a infelicidade dele ter falecido. Ele levantou para trabalhar um dia, sentou na cama e caiu. Foi fulminante. Me deixou dois netos que moram e estudam aqui. Tenho um neto que trabalha comigo, faz Direito, e já me deu um bisneto.
JV - A perda de seus filhos foi muito complicada. Quais lembranças o senhor tem deles?
AS
- Foi um momento  triste, depois a gente tem que enfrentar a vida. Eu dizia que não tinha filho nascido em São Vicente, mas tinha dois filhos sepultados aqui. São episódios diferentes mas que marcam. Com 35 anos ajudava e gostava de ajudar. Inclusive ajudou muito o clube Beira Mar com o futebol de salão para garotos. Tinha um relacionamento muito bom e era muito querido na Cidade. Até hoje passo na rua e as pessoas lembram dele. Meu outro filho faleceu com nove anos, sofreu um acidente na piscina do clube.
JV - Por conhecer tanta gente e ser uma pessoa influente o senhor nunca quis participar da vida pública?
AS
- Graças a deus nunca fui político. A gente já nasce político, todo mundo sabe reivindicar, mas nunca pertenci a um partido político e nunca fui candidato. Apesar de ajudar a eleger vários vereadores, inclusive funcionários meus.
JV - Além de ajudar a comunidade de São Vicente, no próprio trabalho o senhor incentivava e apoiava muita gente. O senhor tem satisfação em ver pessoas que começaram a trabalhar com o senhor vencendo na vida?
AS
- Essas vitórias desses meninos que trabalharam comigo me deixa orgulhoso e com satisfação de saber que ajudei alguém. Tem um escrevente que veio trabalhar comigo como contínuo e se formou em Engenharia Civil. Sempre procurei estar sempre ajudando a vida deles. Me dá muita satisfação de ver que eles venceram. Isso tudo eu levo de São Vicente.
JV - Com todas essa atitudes em prol da Cidade o senhor recebeu alguma homenagem?
AS
- Recebi o título de Cidadão Vicentino. O Márcio França diz que o único projeto de autoria dele, durante a vereança, foi para mim. Fui muito amigo do pai dele e cresceu praticamente junto com os meus filhos. Ele só fez isso porque o pai era médico no Hospital São José e trabalhou comigo. Quando ele saiu do hospital ele pegou meus dados e deu para o filho que era vereador, isso foi em 1989.
JV - Por ser uma pessoa que sempre ajudou o próximo, principalmente o povo de São Vicente, o senhor não tem do que reclamar.
AS
- É verdade, não tenho queixa nenhuma de São Vicente. Se tiver algum inimigo é de graça, porque sempre procurei ajudar todo mundo. Lutei para que o atendimento aqui no cartório fosse igual para todos.
JV - O cartório do senhor sempre foi neste mesmo endereço?
AS
- Não. O cartório era na Jacob Emmerich em frente a praça Barão do Rio Branco, onde é a Marabraz. Estive lá por 37 anos. Vim para cá há 7 anos. Conhecia a praça no tempo do bonde. Tinha o bar Sport, a Adega Central, a Gruta Transmontana e na esquina tinha o Itapura que era 24 horas.

4 respostas para 'Ayres Lima Santos'

  1. MARLI COSTA SANTOS Diz:

    Olá Sr. Diretor,
    Muito interessante, merecida homenagem. Sinto muito orgulho dele. É meu tio, irmão de meu pai. Grande pessoa, de coração generoso, muito sofrido pelas adversidades da vida. Cumprimentos pela matéria. MARLI.

  2. antonio douglas zapolla Diz:

    Ayres Lima Santos
    através da sra. Marli, tomei conhecimento deste seu artigo no jornal vicentino. Parabéns pela demonstração de amor ao rincão natal. Estou elaborando um livro que ira contar toda a vida de JOSE ZAPOLLA ( ZÉ PADEIRINHO ), do C.A.BANDEIRANTE e muito sobre BRODOWSKI.
    Quando estive pronto, provalvemente neste final de mes, estarei lhe enviando um, com muita satisfação.
    Tenho fotografias históricas que mostram o seu irmão JOSE LIMA SANTOS e gostaria até de obter uma que mostrasse o outro irmãos MARIO LIMA SANTOS, nome do estadio do C.A.BANDEIRANTE.
    Obs.: a proposito, a grafia correta da cidade é BRODOWSKI.
    visite o site www.luzdebrodowski.com.br e irá encontrar muito de nossa terra de Portinari.

  3. antonio douglas zapolla Diz:

    Sr., Ayres,

    confirme seu endereço para que eu possa lhe enviar o livro recem lançado sobre a familia ZAPOLLA, aqui de Brodowski-SP, e que o senhor certamente conheceu. ( ZÉ PADEIRINHO - CLUBE ATLETICO BANDEIRANTE

  4. Tioayres Diz:

    Pois é meu chará, vim aqui conhecer um homônio quase completo e…

    Só posso parabeniza-lo por tão brilhante trajetório por aqui.

    Ayres dos Santos.

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