Charles Möller

charles.jpgDiretor, cenógrafo e figurinista consagrado, é da Terra, e pela segunda vez atua como diretor da Encenação da Fundação da Vila de São Vicente. Desde pequeno sempre se interessou pelo teatro e aos 18 anos já começou a atuar e trabalhar profissionalmente em todas as áreas da arte cênica.

Desde pequeno ligado ao teatro, Charles Möller afirma que nasceu para trabalhar com a arte e conta que o teatro é seu ‘fado’, seu destino. A infância em São Vicente foi tranqüila, sendo o caçula de oito irmãos. Ele revela que o fato de ter saído cedo de casa, aos 18 anos já cursava teatro em São Paulo, está relacionado com o apoio e o incentivo que seus pais sempre deram.
Em entrevista ao Jornal Vicentino, o diretor da Encenação contou que os diversos prêmios (Prêmio Shell, IPCA entre outros) que ganhou foram importantes para o impulso na carreira, mas que atualmente significa o reconhecimento por seu trabalho. Além de atuar como cenógrafo, figurinista e diretor, Möller também atua  na área de música erudita e conta que é muito prazeroso fazer sucesso, seja com a música erudita, seja com musicais.
Möller revela também que o sucesso alcançado está relacionado com a sorte e com o trabalho realizado. Ele afirma que quando se sabe o que quer é possível conquistar o almejado sucesso. Leia alguns trechos da entrevista concedida ao JV.
Jornal Vicentino- Você nasceu em São Vicente. Como foi sua infância na Cidade?
Charles Möller
- Tive uma infância muito boa. Sou o mais novo de sete irmãos, sou o oitavo filho. Acho que de uma certa forma, por ser mais novo fui muito precoce. Acabei adquirindo o gosto dos meus irmãos mais velhos. Minhas primeiras coisas foram por aqui. Foi uma infância muito tranquila, minha mãe é uma pessoa muito tranqüila, meu pai militar. Moramos na mesma casa, com muitos irmãos, com muito estudo e foi uma época muito boa da minha vida.
JV- Como é o relacionamento com seus pais?
CM-
Meu pais são ótimos, sempre foram excelentes. Até porque de certa forma  poderia ser estranho um filho querer partir para uma carreira artística e ser tão apoiado como eu fui. O fato de eu ter saido muito jovem de casa está muito relacionado a esse apoio que eles me deram. Com 13 anos comecei a fazer teatro em São Paulo, com 16 anos eu já estava entrando numa faculdade para fazer teatro e com 18 anos eu já estava indo embora. Com 16 anos entrei na Companhia Antunes Filho em São Paulo e lá começou o momento de transição. Dos 16 aos 22 eu ainda ficava um pouco mais em São Vicente, depois dos 22 eu fui para o Rio e nunca mais voltei.
JV- Qual colégio você estudou?
CM-
Estudei no Raquel de Castro do pré-primário até a oitava série. No colegial eu fui para o Colégio Decisão em Santos, acho que é extinto agora. Depois fiz a faculdade Carmos que era na Ponta da Praia e daí todo meu estudo foi direcionado para o teatro em São Paulo.
JV- Você ainda tem contato com seus amigos de infância?
CM
- Ano passado eu reencontrei algumas pessoas e é engraçado você ter esse hiato no tempo e encontrar as pessoas. Estou com 38 anos e não via as pessoas há muito tempo. Você fica com a memória emotiva da pessoa como ela era e quando você encontra tem uma vida inteira para contar e não dá tempo. Algumas pessoas eu ainda tenho contato.
JV- Quando surgiu o interesse pela arte, mais precisamente o teatro?
CM-
Eu tenho algumas certezas na minha vida. Uma delas é que você nasce para uma determinada coisa. Não sei se isso é destino, aquela coisa portuguesa de fado. Esse é meu fado, não me lembro de nenhum outro registro que eu não quisesse ser isso. Desde pequeno a professora e meus pais perguntavam o que eu queria ser eu dizia que queria trabalhar como ator.
JV- Houve alguma discriminação por parte da família?
CM
- A discriminação acontece quando os pais não acreditam que você possa sobreviver disso. Talvez fosse a principal preocupação de meu pai. Nunca houve umas discriminação em relação ao preconceito. Ter um filho envolvido com arte é menos viril ou mais viril,  isso nunca teve. A preocupação do meu pai, se é que teve alguma, era o fato de sobrevivência. Como ele percebeu logo de cara que isso era inevitável, acho que ele entendeu e minha mãe sempre apoiou. Por incrível que parece fui o primeiro filho a transformar o teatro em dinheiro. Com 20 anos já era contratado da Rede Globo. Isso deu uma segurança para eles (pais).
JV- Como foi seu começo na dramaturgia? Foi um período complicado, em relação à trabalho?
CM-
Na minha vida amadora, quando eu fazia teatro no Sesc. Com 12 para 13 anos eu já tinha que ler Shakespeare, Mollier, João Cabral de Melo Neto, lógico que com um entendimento de uma criança de 12 anos. Como eu era precoce, sempre tive que mostra que eu podia. Entre os 12 aos 16 anos, que era um período amador, foi o melhor período, no qual pude experimentar e foi muito confortável. Quando eu fui para São Paulo, para a minha vida profissional, eu entrei na Companhia do Antunes Filho eu comecei a sentir o peso da profissão. Eu entrava as oito da manhã, não era remunerado e tinha que fazer de tudo, desde arrumar o vestiário até estar em cena. Isso me fez ter uma humildade enorme com a profissão que tenho. Ao mesmo tempo fez com que eu saísse de um lugar muito familiar que era São Vicente, Santos, meus pais, minha família, meu grupo de teatro no Sesc e fosse ido para um lugar extremamente profissional e rígido onde existia pouca felicidade em si, mas existia  seriedade e profissionalismo.
JV- Você é diretor, cenógrafo e figurinista consagrado. O que mais te encanta no mundo da arte?
CM
- Engraçado que eu comecei a minha carreira como ator, depois passei a ser cenógrafo e figurinista por acaso, era do CPT e tinha que trabalhar com outras coisas, até por questão de sobrevivência, e isso sempre me atraiu. Eu fiz dois anos de Arquitetura, no meio dessa loucura toda, e acabei me tornando autor de teatro e finalmente acabei me tornando diretor. Eu sempre falo que dentro do teatro e ou da encenação tudo me agrada. Até agora só não fui iluminador, mas não descarto essa possibilidade.
JV- Você foi diversas vezes vencedor de Prêmios Shell, Mambembe, APETSP e APCA. No Brasil é muito complicado conquistar um espaço no meio artístico e ser consagrado. Ao que você atribui o seu sucesso?
CM
- Eu tive muita sorte, só que tem um pouco de transpiração no meio. Estava no momento certo na hora certa e quando comecei  a fazer teatro eu sempre fui muito personal. Tinha uma idéia muito clara do que eu queria. Quando você é muito personal  em cima de alguma atividade você acaba tendo um diferencial. Logo de cara o primeiro trabalho que assinei como cenografista e figurinista eu ganhei prêmio, todos os prêmios. Fui indicado e sempre sou indicado para todos os prêmios. Tem um  momento no começo da carreira que isso é importante, hoje já não é tanto. A indicação ou a premiação significa um reconhecimento. Mas no começo foi o grande impulso.
JV- Além de ser responsável pelo texto e direção de espetáculos que marcaram época no Brasil, como As Malvadas (19998); O Abre-alas (1999); Cole Porter - Ele Nunca Disse que me Amava (2000); e Company (2001) você também atua na área de música erudita criando cenários e figurinos para diversas óperas no Teatro Municipal de São Paulo. Como é trabalhar com artes totalmente distintas?
CM-
Minha fatia do bolo acabou sendo o teatro musical. Tenho um profissional que sempre acaba trabalhando comigo que é o Cláudio Botelho, que cuida de toda a parte cênica e musical. A gente começou em 1990 com espetáculos pequenos e era super alternativo. Isso foi crescendo e a gente foi adquirindo público e adquirindo crítica. Hoje somos diretores artísticos do teatro Glória (Rio de Janeiro). Desde As Malvadas (1998), que foi o nosso primeiro espetáculo, no qual ganhamos prêmios, a gente vem partindo para um lado musical. Quando você se aprofunda no teatro musical, inevitavelmente você acaba caindo um pouco para a música erudita. O que me interessa é música de teatro, não que eu seja um conhecedor de ópera, mas quando eu fiz no Teatro Municipal, foi um sucesso, um prestígio e me deu muito prazer.
JV- Como bom filho da terra, você deve sentir muito orgulho de trabalhar na Encenação da Fundação da Vila de São Vicente. Quando começou seu trabalho na Encenação?
CM
- Começou por um convite ano passado. É muito engraçado, trabalhei muito em São Paulo, no Rio, cheguei a trabalhar em alguns lugares legais da Europa, tinha trabalhado em Portugal e um pouco em Nova Iorque, mas nunca havia trabalhado em São Vicente. Eu tinha um pouco de frustração de saber que a Encenação acontecia. Eu falava: Engraçado. Nasci em São Vicente, sou super reconhecido, sou chamado para fazer trabalhos fora e ninguém me chama para fazer a Encenação. Ficava um pouco chateado com isso, um pouco magoado. Achava que eu era fruto da Terra e ela não me valorizava. Mas isso tudo era uma bobagem, porque no final das contas isso não acontecia dessa maneira. Eu acabei dando uma entrevista para um jornal da região e foi por meio dessa entrevista que o secretario de Turismo e Cultura (Pedro Gouvêa) foi assistir uma peça no Rio de Janeiro e me fez esse convite. Ano passado eu vim e fiquei muito surpreso com o tamanho do espetáculo e esse ano já tem aquele gosto de segunda vez. Você já sabe o tamanho do monstro. Ano passado eram dois leões por dia, esse ano é só um por dia.
JV- Você é considerado um dos novos expoentes da dramaturgia brasileira. Qual é a sensação de receber esses elogios da crítica?
CM
- Eu sempre tive sorte tanto com a crítica quanto com a mídia. Não sei como será o contrário. Não sei se isso tem uma pirâmide, se de repente todo mundo te adora e depois te odeia. Não quero me enaltecer tanto a ponto de ter um momento que seja cíclico. Não quero aquele momento torre Eiffel, você fala tanto do monumento que quando você vai para Paris se decepciona. Eu sei que vai ter um momento na minha carreira que talvez eu não seja tão elogiado e não receba tantos prêmios. Tenho uma carreira muito particular porque nunca tive uma crítica ruim na minha carreira inteira. Acho que por enquanto sou muito agradecido mas eu corro muito atrás. Eu trabalho muito.
- Nos últimos anos a minha agenda começa lotada. Saindo da Encenação eu vou com a Ópera do Malandro para Portugal novamente, depois volto para o teatro Glória, tenho um espetáculo para fazer em São Paulo com a Cláudia Raia, tenho um espetáculo do Ed Mota para fazer e outro com o Milton Nascimento. Tem projetos que eu já começo a empurrar para o próximo ano. O legal e o ruim dessa profissão é que tudo acaba rápido. Se você não tiver oito tentáculos, uma hora dá um buraco.

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  1. 2 Comentários para “Charles Möller”

  2. ola veja que coincidência temos o mesmo sobrenome só que eu do rs e vc daonde?por aqui tem muitos Möller acho muito interessante me corresponder com pessoas que tem o mesmo sobrenome que eu um abraço sejas muito feliz em suas atuações teatrais bjos

    Por PATI MÖLLER em set 29, 2007

  3. Sou sua fã!! Parabéns

    Por Natalie em jul 24, 2008

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