Escassez de água já afeta 1,1 bilhão

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Enquanto a população mundial triplicou no século 20, o consumo de água aumentou seis vezes. Nos próximos 50 anos, a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que a população vá crescer de 40% a 50%, quando o globo atingirá a cifra de 10 bilhões de moradores e mais de 45% deles não poderão contar com a porção mínima individual de água para necessidades básicas.

Essa elevação, associada à industrialização e crescente urbanização, provocará aumento de demanda por água potável, que é uma das mais sérias ameaças ao desenvolvimento e à paz no planeta, na visão do Conselho Mundial da Água, criado em 1996 e sediado em Marselha, na França.
“A ONU considera que cada pessoa precisa de pelo menos 50 litros diários de água, para beber, tomar banho, cozinhar e outras necessidades. Atualmente, mais de 1,1 bilhão de pessoas já não contam com esse mínimo. Para 2025, espera-se que essa cifra aumente para dois terços”, afirma Alex Kirby, especialista em meio ambiente da rede britânica de comunicação BBC.
Aprende-se na escola que 70% da superfície da terra são cobertos por água. E que 97% dessa água estão nos oceanos, portanto, é salgada e imprópria para consumo humano ou mesmo para uso em irrigação. Dos 3% restantes de água potável, apenas um décimo está em rios e lagos – os outros 90% estão congelados.
Mesmo diante da realidade desses números, muitos especialistas consideram que a “ameaça iminente de escassez” não passa de “mistificação”. O geólogo gaúcho Pedro Jacobi, que trabalhou em projetos geológicos e de prospecção em três continentes, diz que os dados da ONU sobre o assunto promovem “histeria coletiva”.
“Apesar de termos a impressão de que a água está desaparecendo, a quantidade de água na Terra é praticamente invariável há centenas de milhões de anos. O que muda é a sua distribuição e seu estado”, explica Jacobi, articulista do site www.geologo.com.br.
Esta semana, a Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor, Fiscalização e Controle (CMA) deverá votar projeto de lei (PLS 176/05), de autoria do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), que prevê a utilização, sempre que possível, de mensagens de advertência sobre os riscos de escassez da água doce em equipamentos, embalagens e propagandas de produtos de limpeza.

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