Editorial
- julho 17, 2006
Legitimidade à deriva
O voto ou sufrágio é a principal arma democrática que a população tem para escolher os representantes que irão governar a nação. Na teoria o voto garante a legitimidade de que o eleitor escolheu seu candidato, mas na prática em alguns casos não é bem assim. Haja visto nos Estados Unidos, na qual George W. Bush ganhou a eleição, mas seu adversário viu irregularidades.
Recentemente no México, manifestantes que apóiam o candidato André Lopez Obrador reivindicam a recontagem dos votos, pois acreditam que houve irregularidade. Obrador tenta impugnar os resultados da contagem oficial feitas pelas autoridades eleitorais. Vale lembrar que tanto no México quanto nos Estados Unidos não há o chamado voto eletrônico.
No Brasil, a partir de 2000 todas as seções eleitorais são compostas de urnas eletrônicas. Para muitos esse tipo de voto é seguro e evita uma série de fraudes que existe no sistema manual. Além, é claro, de acelerar a apuração dos votos.
Por outro lado, a tecnologia pode vir a facilitar outros tipos de fraudes, mais abrangentes e difíceis de serem detectadas. Principalmente pela sociedade que não está conscientizada e não encontra respaldo quanto a garantia do voto.
Claro que a manipulação de resultados pode ocorrer em qualquer tipo de votação, tudo depende da fiscalização que é realizada durante as eleições. Os chamados voto de cabresto, voto fantasma e desvio de votos são comuns em qualquer tecnologia aplicada.
Outro fator que contribui para o descrédito da população ante o voto é que o País passa por uma crise em todas as áreas públicas. A corrupção escancarada faz com que o povo brasileiro se sinta acuado e sem saber em quem votar.
Isso tudo influencia também na legitimidade do voto, já que as instituições públicas estão desacreditadas. O que pode e deve ser feito é uma mudança significativa na maneira de fiscalizar o sufrágio. Independente do sistema ser manual ou eletrônico, o eleitor quer ter garantia de que seu voto realmente tenha validade.
É óbvio que o voto é secreto, mas é preciso que a população tenha a possibilidade de fiscalizar e comprovar que seu voto, realmente, foi legítimo. Caso contrário a legitimidade pode ir por água abaixo. O fato é que a legitimidade está à deriva.
Para que o voto seja comprovado, há a possibilidade técnica de se criar uma urna eletrônica que emita um comprovante para cada voto computado. Assim estarão garantidos o voto de cada eleitor e a democracia que deve nortear o Brasil.





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