Você concorda com o sistema de voto obrigatório?

A discussão sobre a legitimidade do voto obrigatório ganhou na última década uma dimensão maior do que em outros tempos. Os defensores do voto obrigatório alegam que votar ajuda na formação de consciência política na população e que, com o sistema obrigatório, as eleições refletem melhor a opinião do eleitorado. De outro lado, os partidários do voto facultativo crêem que deve haver liberdade de escolha e que o voto obrigatório reforça vícios da política, como a compra de votos. A equipe do Jornal Vicentino foi às ruas para saber a opinião dos eleitores. Confira as respostas.

Ovoto obrigatório foi implantado no Brasil com o Código Eleitoral de 1932 e transformado em norma constitucional a partir de 1934. Regulamentado em um período de transformações institucionais que objetivavam dar credibilidade ao processo eleitoral, foi justificado como uma necessidade para garantir a presença dos eleitores nas eleições.
A  principal razão da adoção do voto obrigatório, em 1932, foi o temor de que houvesse uma minoria de leitores participantes em razão dos impedimentos legais (sobretudo a exclusão dos analfabetos) e das condições de um então país eminentemente rural. Contudo, com as transformações da sociedade brasileira e a concessão dos direitos políticos aos maiores de 16 anos o número de pessoas cresceu consideravelmente. Hoje são mais de 125 milhões de eleitores em todo o Brasil.
Tanto o voto obrigatório quanto o facultativo devem ser discutidos. De um lado a obrigatoriedade apenas leva o eleitor às urnas, sem interesse. Além disso, muitos políticos se aproveitam das pessoas mais pobres e menos informadas. Já o voto facultativo acarreta em muitas perdas de votos, pois as pessoas deixariam de votar por causa do desestímulo, devido as mais variadas causas. A equipe do JV perguntou as pessoas se elas concordam com o sistema de voto obrigatório usado nas eleições atuais. Os entrevistados ficaram divididos. Leia a seguir as respostas.
Para Everson Silva Albuquerque, morador do Aguapeu na cidade de Mongaguá, o voto não deveria ser obrigatório. “Hoje a gente vota para os políticos ganharem dinheiro”, revela. Para ele o melhor seria o voto facultativo. “Quem quisesse votar votaria, em quem achar melhor e pronto”.
“Acho que deve continuar como é hoje”, comenta a moradora da Vila Margarida, Sônia Florindo. De acordo com ela a obrigatoriedade é necessária no Brasil. “Só assim a população vota. Se não fosse assim o país correria o risco de não ter eleitores suficientes”, completa.
Josefa Alves, moradora do Parque Bitaru, pensa que o voto deve mesmo ser obrigatório. “Ser obrigatório não é o problema e sim a falta de consciência na hora de votar”, ressalta. Para a moradora do o que falta para o eleitorado é patriotismo. “Eu voto pela minha bandeira”.
A moradora do Centro, Judite Passos, também acha que o voto deve ser obrigatório. “Se não for assim ninguém comparece nas urnas. O brasileiro é preguiçoso”, conta. Para ela em outros países não precisam. “Eu estava nos Estados Unidos e lá não é preciso. Os americanos têm consciência e sabem em quem estão votando”, conclui.
De acordo com Wilda Passos Souza, moradora do Centro, se o voto não fosse obrigatório a população não compareceria nas eleições. “Pouquíssimos iriam votar. Do jeito que está a população não acredita em nada”, revela. Wilda lembra ainda que os políticos só lembram dos eleitores próximos das eleições. “Não tem como mudar o sistema de votação brasileiro porque ninguém confia mais nos políticos”.
Yara Davanzo, moradora da Vila Margarida, não concorda com o sistema de votação obrigatório. “Em um país democrático as pessoas deveriam ter a liberdade de votar ou não”, comenta. Para ela se o voto fosse facultativo as pessoas teriam maior consciência do voto. “Se tem que ir obrigada acaba votando em qualquer um”, finaliza.
Laudecir de Lima, moradora da Vila Margarida, pensa que o voto deve sim ser obrigatório. “Só assim a população votaria direito além do mais se fosse facultativo a maioria não votaria em ninguém”, explica. Carla comenta ainda que o que está faltando é consciência política dos eleitores. “Por isso deve continuar sendo obrigatório”.
“Não tem outro jeito de fazer as pessoas votarem, tem que ser obrigatório”, opina Carla Rodrigues Nascimento, moradora do Jardim Rio Branco. Para ela o sistema facultativo faria com que os eleitores não votassem. “Só a fila dá vontade de desistir”.
O morador do Gonzaguinha, José Bernardo Sena, não concorda com o atual modelo de votação do país. “Acho que deveria ser como em outros países, onde cada um tem a consciência de seu voto”, conta. Para José, em um regime democrático, não cabe nenhum tipo de obrigatoriedade.
“Não é todo mundo que quer votar e ser obrigado a querer escolher um governante”, enfatiza Felipe dos Santos, morador do Parque Continental. Segundo a obrigatoriedade inibi o eleitor.
Para Armando Dias, morador da Vila Isolina, em Peruíbe, tudo que é obrigatório é ruim. “Tudo que é obrigado não presta”, exclama. De acordo com Armando o ideal é votar livremente. “O que falta é consciência política do povo”.
O morador da Vila Caiçara, na cidade de Praia Grande, Sérgio Nóbrega, pensa que o voto deveria ser facultativo. “Ir votar obrigado é muito diferente do que votar com vontade e consciência”, conta. Para ele o que não pode é jogar o voto fora. “As vezes as pessoas votam só porque conhecem o candidato, se não for obrigatório o eleitor vota somente em quem quiser”, conclui.

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