Nossa Cidade
- agosto 17, 2006
Pequenos comerciantes sobrevivem ao crescimento urbano
O progresso atinge todas as cidades do mundo e transforma cenários. No Brasil, e em especial a cidade de São Vicente, os grandes supermercados e magazines vêm tomando conta dos segmentos comerciais. Os pequenos comerciantes são os que vêm sentindo essa mudança durante as últimas décadas. Porém muitos estabelecimentos e comerciantes resistem a esse progresso.
É o caso do peixeiro, João Maria da Silva Nunes que trabalha no mesmo local desde 1957 e viu as transformações da Cidade. “Eu só consegui manter meu trabalho porque também tinha outra atividade paralela”, conta. Ele lembra ainda que foram anos de batalha, sempre com a ajuda da esposa. “Enquanto eu trabalhava no Porto minha esposa cuidava de vender os peixes”. João é aposentado e complementa a renda familiar com a venda no carrinho, que fica na esquina da Rua Messia Assu com a Rua Onze de Junho. Ele confessa também que mantém vários clientes de anos. “Tenho clientes fiéis que me proporcionam a venda e o complemento no final do mês, caso contrário não daria para viver somente com a venda de peixes”.
Os pequenos comerciantes são predominantes no varejo brasileiro. Respondem por 98,5% das empresas constituídas, 70,8% do total de pessoas ocupadas na atividade e por 57,2% da remuneração. Mas, quando o assunto é faturamento, os pequenos varejistas estão em desvantagem. Em 2004, ano da última pesquisa do IBGE sobre o comércio, eles ficaram com 44,4% da receita operacional do setor. O avanço é generalizado. Segundo pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, enquanto o varejo como um todo cresceu 3,8% nos primeiros cinco meses deste ano, o faturamento dos pequenos aumentou em 7,6% no período.
O pequeno comerciante possui uma vantagem sobre os grandes: a identificação com o consumidor. Ele está inserido na comunidade em que atua, o que pode representar maior sensibilidade às necessidades dos clientes. As desvantagens estão na alta carga tributária do país, estimada em cerca de 39% do PIB (Produto Interno Bruto) e a concorrência com as grandes redes varejistas que atraem milhares de consumidores que buscam comodidade e produtos mais baratos. Porém, a tradição e a proximidade física com o proprietário são elementos somente encontrados nos pequenos comércios.
Um exemplo de perseverança e tradição está na vida da proprietária da Mercearia e Quitanda Heransa, Erminda Ramos Santana. Ela está no mesmo local há 24 anos e conta que os tempos mudaram bastante, mas que ainda sustenta sua casa e de sua filha com sua quitanda. “Por um lado o crescimento de São Vicente foi bom, mas para os pequenos comerciantes não foi tão bom assim”, conta. Para dona Erminda o que salva suas vendas são os clientes tradicionais. “Temos muitas pessoas que sempre compram aqui e é por isso que ainda estamos aqui”. Para a proprietária os turistas também são grandes responsáveis pelas vendas. “Muita gente de São Paulo compra nos pequenos comércios”, revela.





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