Nossa Cidade
- agosto 26, 2006
Feira mantém tradição em São Vicente

Apesar da crescente concorrência do setor de supermercados, as feiras livres continuam gerando economia para a Cidade. Ontem (25) foi o Dia do Feirante e a equipe do Jornal Vicentino foi a uma das feiras realizadas no Município para constatar o dia-a-dia desse profissional, suas dificuldades e aspectos positivos salientados pelos feirantes.
Esse tipo de comércio pode ser considerado milenar, pois na época de Cristo os povos já realizavam feiras nos principais centros. Mas foi a partir do fim da Idade Média que a economia européia começou a se destacar, o continente deixou de ser estritamente agrícola e passou a mesclar com as cidades que começavam a nascer. A partir daí as feiras se tornaram fortes, e a consequência foi o crescimento do comércio.
No Brasil, as feiras livres começaram com a chegada dos portugueses que trouxeram o comércio para o continente americano. De lá para cá as feiras livres sofreram com as inúmeras mudanças econômicas pela qual o País passou e mesmo assim se mantém como reguladora da economia.
A principal personagem desse tipo de comércio que ultrapassa séculos de existência é o feirante, cujo dia foi comemorando ontem (25). A equipe do JV foi a uma das feiras realizadas em São Vicente e constatou que esse profissional ainda é requisitado por todas as classes sociais e revelou as dificuldades que encontram no dia-a-dia.
A proximidade com o vendedor e a possibilidade de barganhar são algumas das vantagens que o cliente encontra ao frequentar as feiras livres.
Milton Miyazato, que é feirante há mais de 20 anos e tem uma barraca de legumes, conta que apesar das mudanças que ocorreram na economia do País, a feira livre ainda é forte. “Graças a Deus a gente trabalha bem aqui. Pelo menos na minha barraca eu vendo bem”, explica.
A diferença revela Miyazato é que o cliente, hoje em dia, é mais exigente. “Hoje o freguês é mais exigente e o feirante tem que se adaptar, tem que oferecer preço e qualidade”.
Outra peculiaridade é que por ser um comércio etinerante, a feira livre precisa se adaptar a cada comunidade que atinge. “Cada bairro tem a sua peculiaridade. Tem que levar um determinado tipo de mercadoria”, diz Miyazato.
Trabalhando há mais de 35 anos com feira, o comerciante da barraca de frutas João das Neves Pedro explica que as grandes redes de supermercados não tiraram o cliente mais exigente. “O freguês bom, que gosta de uma mercadoria boa não vai ao supermercado porque encontra um produto melhor na feira”, comenta.
O cotidiano do feirante é bem retratado por Pedro. “Acordo a uma hora da manhã, vou à Santos comprar frutas no Mercado Municipal, carrego o caminhão e venho para feira”, conta o feirante que fica até as 14 horas nas feiras livres de São Vicente.
O trabalho como feirante é muito satisfatório para Pedro. “Foi o que eu sempre fiz e gosto”, revela João das Neves que formou seus três filhos trabalhando exclusivamente como feirante. “Tenho orgulho de ter formado três filhos apenas trabalhando como feirante”.
Modernizar é preciso
Melhorar a infra-estrutura das feiras livres é uma das lutas que a Associação Comercial dos Feirantes de São Vicente, Santos, Praia Grande, Cubatão e Guarujá defende. Segundo o presidente da associação, João Humberto Vieira, a entidade começou a setorizar a administração por cidades para otimizar as feiras em toda a região.
Vieira é responsável pelas feiras que são realizadas em São Vicente. Ele destacou a importância da feira por ser um comércio que atende todas as classes sociais. “A feira atende todas as camadas sociais. A pessoa miserável chega aqui e a gente doa a mercadoria”, revela o presidente da entidade.
De acordo com Vieira, hoje o cliente que vai à feira encontra cartão de débito e credito, e até consulta de cheques. “ Hoje já temos cartão de crédito na feira, alguns feirantes vêm se modernizando”, revela.
O intuito da associação é modernizar as feiras livres e fazer com que todos os feirantes possam disponibilizar esse tipo de serviço para seus clientes.
Além da necessidade de se adaptar aos novos tempos, o presidente da associação ressalta que é preciso haver uma maior aproximação entre a administração municipal e a categoria. “Acho que os vereadores poderiam estar estudando com a gente um projeto de modernização da feira”.
A idéia da associação é centralizar algumas feiras livres para não trazer transtornos para a população e os comerciantes.
Banheiros
O presidente da associação reivindica a colocação de banheiros em todas as feiras livres da Cidade. No governo Márcio França (PSB), Vieira revela que foi colocado sanitário em duas feiras e que é preciso ampliar esse tipo de serviço. “Só temos banheiros químicos em duas feiras, sendo que a Cidade tem quatro feiras por dia”, comenta.
O presidente completa dizendo que Santos copiou o projeto de São Vicente, mas em cada feira da cidade vizinha há um banheiro químico.
Atualmente São Vicente conta com 430 feirantes, sendo que 120 são associados. O objetivo de Vieira é unir mais a classe para conscientizar os órgãos públicos da importância desse tipo de comércio.
A segurança foi um fator positivo destacado pelo presidente que representa a classe. “Pouco se fala em assalto em feira”, conta Vieira que destaca o empenho da Polícia Militar.





2 Comentários para “Feira mantém tradição em São Vicente”
oii eu queria a relação
aonde tem feira livre de frutas em são vicente
obrigada bjs
Por zuleika saibro em ago 4, 2008
Olá
Gostaria de saber aonde tem feiras livres em São Vicente, e seus respectivos dias.
Obrigada
Rosana Vicente
Por Rosana Vicente em ago 1, 2009