Personalidades
- agosto 26, 2006
Lúcia Teixeira Furlani

Doutora e mestre em psicologia da educação, psicóloga e educadora, diretora-presidente da Universidade e do Colégio Santa Cecília, presidente do Santos e Região Convention & Visitors Bureau, delegada regional e vice-presidente do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo, escritora, mãe, esposa e mulher. Lúcia Maria Teixeira Furlani é acima de tudo uma mulher vencedora que conquistou todos os seus objetivos, com humanidade e visão empresarial. Em entrevista ao Jornal Vicentina a doutora contou sua trajetória profissional, seu amor pela arte e destacou a importância do amor e da família em sua vida. Confira detalhes da entrevista.
Referência feminina, Lúcia Maria Teixeira Furlani nasceu no bairro do Macuco e desde muito cedo se viu envolvida com a educação, a leitura e a união familiar. Escolheu seguir a profissão de psicóloga porque viu na figura humana um campo de estudo intenso e indispensável.
Durante sua trajetória profissional conquistou muitos espaços, que anteriormente eram ocupados apenas por homens. Mãe e esposa, consegue encontrar tempo para a família e para o lazer. Como toda mulher, se preocupa com o visual, mas acima de tudo com o bem estar.
Lúcia contou também como surgiu seu envolvimento com a vida da artista Pagu, também precursora e que marcou época. Falou sobre seus livros e seus projetos futuros, como escritora e presidente de uma das maiores instituições de ensino da Baixada Santista, a Unisanta.
Durante a entrevista falou de suas realizações, contou sobre projetos futuros, lembrou do crescimento da Região Metropolitana e destacou o ser humano como elemento essencial para o sucesso em qualquer segmento. Simpática e extremamente simples, a doutora Lúcia abriu seu coração e compartilhou histórias e sentimentos com a equipe do Jornal Vicentino. Conheça a seguir um pouco da trajetória de vida de uma das mulheres de maior expressão da Região Metropolitana.
Jornal Vicentino - A senhora nasceu no bairro do Macuco, em Santos. Como foi sua infância?
Lúcia Maria Teixeira Furlani - Estou no Santa Cecília desde muito pequena quando foi comprada a escola primária em 1961. Mesmo sendo pequena na época sempre participei, assim como todos da família. Nossa casa foi vendida para comprar a escola. Tudo que tínhamos em casa foi junto para a escola e acabou sendo nossa segunda casa. Tive uma infância muito feliz, porque tínhamos, e temos muita união. Nossos pais sempre nos criaram com muito carinho e eu pude brincar bastante.
JV - A senhora atribui sua infância feliz a união familiar?
Lúcia - Eu procuro transmitir o carinho que recebi de meus pais para as pessoas, porque sei como uma base familiar sólida e o amor da família, com pais juntos ou separados, é importante. Nós sempre tivemos em família uma força muito grande. As dificuldades que passamos juntos eram inclusive estímulo para estarmos mais unidos. Sempre acreditamos que poderíamos fazer. Ao mesmo tempo que tive uma infância rica em brincadeiras também tive que amadurecer muito rápido, porque sempre tinha responsabilidades, principalmente porque eu via o esforço dos meus pais.
JV - A senhora acha que viver sempre em um ambiente rodeado de livros e ensinamentos influenciou no seu crescimento?
Lúcia - Era uma infância onde as questões do estudo e da leitura foi sempre um universo muito rico. Essa parte de pesquisa que eu mantenho até hoje sempre esteve em minha vida. A universidade é um bom local para isso, porque acho que a gente deve sempre estar se aperfeiçoando e buscando informação. Vários setores acabam me procurando e pedindo minha colaboração, mesmo eu não sendo da área e eu acabo aprendendo e colaborando com outras pessoas e com a comunidade.
JV - A senhora fez faculdade de psicologia. Com surgiu a vontade de cursar essa área?
Lúcia - Estudei no Santa Cecília desde pequena e depois fiz a faculdade de psicologia, depois fui fazer mestrado e doutorado na PUC de São Paulo. Meu interesse surgiu porque sou uma pessoa apaixonada pelo ser humano. Sempre tive muita empatia com as pessoas e facilidade de relacionamento, pois sei como isso é importante. Comecei a trabalhar na área de psicologia. Trabalhava em clínica psicológica e com psicomotricidade. Ao mesmo tempo trabalhava no Santa Cecília, após ter me formado. Trabalhava os dois lados sem nunca largar o Santa Cecília. Mas aí as responsabilidades de manter a instituição e de fazer com que ela sempre crescesse exigia de mim tempo integral. Para continuar ligada a psicologia, mesmo depois de formada foram as pesquisas, mestrado e doutorado na área, sempre ligando a psicologia com a educação.
JV - Entre os livros escritos pela senhora está Autoridade do Professor: Meta, Mito ou Nada Disso? Porque escolheu esse tema como seu primeiro trabalho literário?
Lúcia - No primeiro caso a relação professor/aluno que me inspirei na época do mestrado onde falei da autoridade do professor, que foi um assunto um pouquinho polêmico na época. Depois abordei a questão do aluno no ensino superior noturno que foi minha tese de doutorado. Na época não se falava do ensino noturno nem do aluno. Não havia nenhuma pesquisa para traçar o perfil e as expectativas deles (alunos). Essa tese foi referência e embasou o Plano Nacional de Educação. Depois disso as universidades públicas também começaram a abrir cursos noturnos. Esses trabalhos e outros foram juntando meu dia-a-dia com aquilo que eu sinto e aprendo com as pessoas, então por isso acho que a psicologia está sempre presente, acho que por isso uni com o trabalho de educação.
JV - A senhora é casada há 25 anos. Como conheceu seu marido?
Lúcia - Sou casada com o César. Ele era de São Paulo e nos conhecemos aqui em Santos. No início ele continuou trabalhando em São Paulo e depois foi vencido pelo cansaço de subir todos os dias. Mais tarde veio trabalhar aqui (Unisanta) e hoje é responsável pela área de informática, de organização e métodos. Temos um filho de seis anos e meio, o Lucas, que é uma das minhas maiores alegrias. A gente só sabe a alegria de ser mãe quando é. O amor de mãe é uma coisa diferente.
JV - Porque resolveu ser mãe somente há seis anos e meio atrás?
Lúcia - Essa minha atividade muito intensa fez com que eu fosse protelando sempre isso o que é um problema para a mulher nos dias de hoje. A maternidade foi sendo protelada até que veio o momento que estava escrito e o Lucas veio na hora certa, foi uma coisa muito especial. Agora estou escrevendo o livro infantil que é uma forma de passar para outros pais essa alegria e importância de contar história e ter momentos de relação de amor com as crianças.
JV - É a primeira vez que a senhora escreve um livro infantil. Como está sendo a experiência?
Lúcia - É um livro sobre uma viagem no tempo de um menino também chamado Lucas . Ele viaja no tempo aqui pelas nove cidades da região. Ele encontra personagens históricos então, reúne história e fantasia. O nome do livro é Tudo é Possível e será lançado agora em outubro. O que eu quero passar com o livro é essa imaginação da criança e ao mesmo tempo por meio do livro ela consegue chegar aos diversos personagens. O conteúdo demonstra que as coisas acontecem se você acredita nelas. O espírito do livro é que acreditar é o primeiro passo para fazer acontecer. Eu acho importante incurtir nas crianças e nos pais esse espírito para que eles não matem essa esperança. A pior coisa é você ir no cotidiano matando a esperança das pessoas, fazendo com que elas fiquem secas, amarguradas e sem expectativas. A criança e o jovem devem ser estimulados para acreditarem em si e terem auto-estima. O mundo já vai diariamente acabar com essa esperança. O livro é para a criança e para o adulto também.
JV - Como a senhora consegue conciliar todas essas funções e ainda fazer o papel de mulher?
Lúcia - Para nós mulheres é realmente diferente. Existe um estudo, conduzido por homens e mulheres, ainda bem porque não é direcionado a nenhum sexismo. Nele diz que as mulheres conseguem manter várias atividades aos mesmo tempo. As vezes estou no supermercado e falando ao telefone sobre assuntos profissionais. Para os homens é um pouquinho mais difícil ter essa visão multifacetada. Quando eles estão concentrados em um a idéia estão naquele objetivo por mais tempo. Acho que para as mulheres ter tripla jornada de trabalho é muito difícil e ao mesmo tempo ter a obrigação de conciliar tudo. Mas tudo que a gente faz com muito prazer com pessoas a volta com que realmente colaboram para que tudo aconteça. Aqui por exemplo trabalho com minha família, sempre em sintonia é muito gostoso. Os funcionários estão aqui há muito tempo e nos outros setores em que estou só estou porque acredito. Além de tudo procuro escrever nas madrugadas, no horário em que não estou trabalhando. As vezes minha voz pára. Sei que é sinal que tenho que parar. Procuro ter meus momentos de lazer. Gosto de caminhar, ir ao cinema e teatro, tudo relacionado a cultura e a arte é muito prazeroso. Gosto também da natureza, faço yoga uma vez por semana para dar um relax.
JV - A senhora está a frente de órgãos importantes que têm a predominância masculina, como por exemplo a presidência do Convention Bureau. Ao longo de sua carreira a senhora já sofreu algum tipo de preconceito?
Lúcia - Eu nunca atentei para esse problema. Há reuniões em que participo onde sou a única mulher. Acho que se houve algum tipo de preconceito ninguém externou para mim. Ao mesmo tempo há as facilidades em ser mulher, principalmente nos relacionamentos. Eu não senti barreiras por ser mulher. Minha mãe me disse certa ocasião que desde pequena eu sempre bato na porta antes de entrar, mas nunca deixava de entrar. Eu não me preocupo com as dificuldades, sempre penso naquilo que está à frente. É capaz que eu tenha passado, mas sinceramente não registrei.
JV - Como é estar à frente do Instituto Superior de Educação Santa Cecília, que está completando 45 anos e possui cerca de 14.000 alunos?
Lúcia - É um prazer muito grande e uma responsabilidade cada vez maior. Começou com 22 alunos quando era escola primária. A satisfação de encontrar os alunos é enorme. Encontro mães orgulhosas e que me descrevem esse sentimento. Fico muito feliz, pois as pessoas caminham em várias direções. Quando se pensa que está plantando de um lado a coisa floresce muito mais do que se imagina. Saber que está colaborando com o crescimento das pessoas é muito importante.
JV - A senhora foi premiada com o livro e vídeo-documentário Fruto Proibido - Um Olhar sobre a Mulher Pagu, sobre uma das mulheres precursoras de nosso país, Pagu. Como surgiu esse interesse por ela?
Lúcia - Foi em 1988 quando fui eleita para a Academia Feminina de Letras e tive que escolher alguém para pesquisar e divulgar a obra dessa pessoa. Eu achei que havia muito pouca coisa sobre a Pagu, que havia morado aqui em Santos no final de sua vida. Fui pesquisar e vi que era muito difícil de se saber. A família não dava informações, pois a Pagu passou parte da vida sofrendo muito preconceito. E por ser difícil foi que eu a escolhi. Foi algo muito bom, porque eu vi que uma pessoa que já havia morrido há tanto tempo ainda sofria preconceito, pela vida que ela viveu. Ela é uma pessoa que surpreende, porque a gente sempre tem uma nova informação para dar, um novo documento. Agora vou lançar uma foto biografia com muitos documentos que não são apenas da vida da Pagu, mas que falam de toda a vida cultura e política brasileira dos anos 20 aos anos 60 quando ela morreu. Falar da vida dela é falar do momento político cultural da nossa região. São muitos documentos que serão revelados sobre ela e os intelectuais que estiveram com ela. Temos aqui na Unisanta o Centro de Estudos Pagu, que são documentos que eu reuni esse tempo todo juntamente com outros que estavam espalhados pelo País.
JV - A Região Metropolitana vem crescendo e o turismo é um dos principais elementos. Como a senhora vê esse crescimento sendo presidente do Santos e Região Convention & Visitors Bureau?
Lúcia - Essas entidades nasceram na Europa e nos Estados Unidos e visam divulgar o turismo de negócios e eventos em cidades e regiões de forma que possam sobreviver do turismo. Nós já participávamos do Convetion Bureau desde sua fundação pela Universidade Santa Cecília. Quando houve a mudança de diretoria fui convidada a participar, ano passado e agora como presidente. São as nove prefeituras envolvidas, empresários e trabalhadores que se unem porque a nossa região tem uma riqueza natural e cultural imensa. O objetivo é fazer com que estejamos com tudo profissionalizado de forma a poder atrair o turista de todos os tipos de eventos. Isso tem sido muito bom e as pessoas estão juntas procurando qualificar-se e montar novos centros de eventos. Isso é algo que colabora para a economia da região e desenvolvimento. Temos que amar as nossas cidades e que também o morador conheça sua cidade e região. Muitas vezes não se cuida porque não conhece, não se é dada a oportunidade para isso. Achamos que devemos isso para essa terra, onde nasci ou eu trabalho e que as pessoas possam viver daqui e não tenham que sair para poder trabalhar. As pessoas estão se conscientizando disso. Vejo o trabalho das prefeituras e dos empresários se preparando para melhorar e tratar melhor o turista. O Bureau leva e divulga as novas cidades ao invés de cada prefeitura bancar os gastos. É uma forma de economia e de apresentação.




5 Comentários para “Lúcia Teixeira Furlani”
Acho que não podemos deixar de ler este livro para aprendermos sobre nossa cidade, nossas origens.
Por Sandra Tiriba em fev 23, 2007
Boa tarde!
Amanhã é o nosso grande dia!
Fui homenageada há 14 anos exatos por ser uma das mulheres guerreiras na formatura! Graças a sua percecpção!
Além do meu pai, tenho grande admiração por você.
Estou enviando meu curriculum para sua apreciação!
Tenha um grande feliz Dia das Mulheres!!!
Por Maria Elisa Galvão em mar 7, 2008
Dra. Lucia acompanho o seu trabalho tenho uma profunda admiração, gostaria de saber se na Universidade Santa Cecília tem clinica de Psicologia para atendimento gratuito se caso tiver me fornecer endereço.
Grata
Sofia Vassalo
Por Sofia Vassalo em abr 14, 2008
BOM DIA!
ANTES DE MAIS NADA GOSTARIA DE DAR O MEU DEPOIMENTO COMO ADMIRO O TRABALHO DE TODA A FAMILIA TEIXEIRA POIS EM TUDO QUE ADMINISTRAM O SUCESSO E CERTO. TIVE O PRAZER DE SER VIZINHO DA ESCOLA SANTA CECILIA E DE TER CONHECIDO TODOS PESSOALMENTE E VER O SR. MILTON PRATICAMENTE PROFETIZAR QUE O SANTA CECILIA SERIA A MAIOR ENTIDADE DE ENSINO DO BRASIL. ALIAIS FUI TAMBÉM ALUNO.
MEUS PARABÉNS A TODOS…
Por VICTOR em jul 25, 2008
olá lucia maria teixeira fulani minha professora Rilma ela leu seu livro que eu não me esqueci do personagem principal do livro que o nome é lucas a diretora da escola falou que agente poderia se caracterizar que nem os personages da hitória eu fui a japonesa e a minha amiga foi escrava eu amei o livro tá beijinhos beatriz
Por beatriz de oliveira bezerra em ago 15, 2008