Você autorizaria sua família a doar seus órgãos?

O sistema nacional de transplantes recebe críticas de especialistas e da própria população. Milhares de pacientes que esperam por um transplante sofrem com a falta de organização e de estrutura em hospitais públicos do País. O programa consome R$ 400 milhões dos cofres públicos por ano para minimizar essa espera, mas não obtem êxito. Mesmo com todas essas dificuldades a maioria dos entrevistados afirma que autorizaria sua família a doar seus órgãos. Confira as respostasO Sistema Único de Saúde (SUS) financia todos os tipos de transplantes, hoje o Brasil é o país que detém o maior sistema público de transplantes do mundo. Na teoria o sistema é perfeito, mas a realidade é bem diferente. As longas filas de espera são visíveis em qualquer hospital do País e o sofrimento dos pacientes e familiares é latente.
O transplante não é a cura, mas sim um tratamento que pode prolongar a vida de uma pessoa com melhor qualidade. No Brasil mais de 54 mil pessoas esperam por transplante e esse número tende a aumentar porque cerca de 30% dos pacientes morrem antes e menos de 10% recebe o órgão doado.
Mesmo com as falhas do sistema nacional de transplantes e a má estrutura do SUS, a maioria dos entrevistados autorizaria a família a doar seus órgãos. Muitos acreditam que como pessoas da própria família podem precisar se submeter a uma cirurgia de transplante, outras pessoas também. Confira as respostas.
Maria Cristina Ferreira Silva, moradora do Catiapoã, conta que autorizaria sua família a doar. “Tudo que você pode fazer de bem para outras pessoas acho que deve ser feito”, explica. Para ela muitas pessoas precisam realizar transplantes. “Se a pessoa precisa e você já faleceu o mais útil é isso (doar)”.
“Autorizaria, sem dúvida”, é o que afirma Edson Silva, morador do Catiapoã. Ele explica que após a morte não há o que fazer com os órgãos.  “Não vou mais usar e poderia estar ajudando outras pessoas que estão precisando”, conclui.
Para Rosana Cristina Pauser da Cruz, moradora da Vila São Jorge, a autorização é dada como certa. “Lógico porque muitas pessoas podem enxergar com um simples órgão meu”, revela. A autorização, segundo ela, seria de todos os órgãos possíveis. “Autorizaria a doar tudo o que pudesse”.
Já Cláudio Simões, morador do Centro, ainda não decidiu se autorizaria a doação. “Ainda não tenho uma opinião formada sobre o assunto”, explica.
O morador do Centro, Nelson Marinho Paiva, é enfático e defende a não autorização. “Não autorizo porque Deus nos fez assim e disse: Tu és pó e para o pó voltará”, ressalta. Mesmo se um dia fosse precisar de uma cirurgia de transplante, Nelson não autorizaria. “Se eu precisasse de um transplante eu ficaria sem, como estou precisando de muita coisa desde pequeno e até agora não tenho”, finaliza.
Quem também não autorizaria é o moradora do Jóquei Clube, Alberto Martins Cesário. “Hoje o Brasil não está capacitado, existe um mercado negro de órgãos”, explica. Ele ainda afirma que esse tipo de cirurgia é complicada. “As vezes a pessoa tem a possibilidade de salvar e tem alguns médicos incompetentes que podem tirar a tua vida para doar para outro”, finaliza.
De acordo com Rubivania de Lima Moraes, moradora da Aviação em Praia Grande, o transplante é importante e necessário, assim como a autorização. “Autorizaria para ajudar o próximo que está precisando”, diz.
“Autorizo. A gente nunca sabe o dia de amanhã, um dia posso precisar e outras pessoas também”, é o que explica William Gomes Simões Pessoa, morador da Aviação em Praia Grande.
Nauvina Ramos, moradora do Embaré em Santos, revela que autorizaria sem problema algum. “Tem muitas pessoas precisando. Assim como eu poderia precisar, outras pessoas também podem”.
“Claro porque a sociedade precisa realizar esse tipo de atitude”, conta Ricardo Martino, morador do Gonzaguinha.
O tabu em relação à doação de órgãos foi ressaltado por Eliana Aparecida Cirino, moradora do Centro. “As pessoa tem muito tabu sobre isso, acreditam que os órgãos são tirados quando a pessoa está em fase terminal, mas eu acho uma coisa maravilhosa”, diz Eliana que autoriza a doação. “Eu já disse a meu filho que quando eu fosse, o que puder aproveitar é para aproveitar. Todos deveriam ter a mesma opinião”, finaliza.
Cleonice Pereira Lima Alves, moradora do Parque das Bandeiras, autoriza a família a doar seus órgão. “Há uma necessidade de conscientização do povo a esse respeito”, explica. Ela ainda disse que as longas filas para transplantes é uma realidade que deve ser mudada. “Tem muita gente na fila de doação e tem que ser doado sim”, conclui.

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