João Paulo Papa

Santista, aos 48 anos de idade carrega em sua bagagem um acumulado de 20 anos de experiência na administração pública. Engenheiro eletrônico, pedagogo e um exímio administrador, João Paulo Tavares Papa exerce atualmente o papel de prefeito da maior cidade da Baixada Santista, Santos. O prefeito concedeu entrevista à equipe do Jornal Vicentino em seu gabinete e falou sobre sua infância, escolhas e carreira pública.
Papa foi professor e diretor da Escola Técnica José Bo-nifácio antes de chefiar o Demutran e trabalhar na Secretaria de Transportes do Estado de São Paulo. Também já foi empresário na área de eletrônica e por quase cinco anos ocupou a superintendência regional da Sabesp na Baixada Santista.
Galgou os degraus um a um até chegar ao cargo de prefeito. Durante entrevista falou de Oswaldo Justo, uma das figuras públicas mais importantes da Cidade, destacou sua admiração pelo ex-prefeito e o aprendizado que Justo deixou para sua carreira e vida pessoal. Contou sua experiência a frente da presidência da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), em 1998 e o desafio que foi na época transformar e gerenciar todo o sistema de Transporte Urbano de Santos.
Em 2001, passou a ocupar o cargo de vice-prefeito e assumiu também a Secretaria de Planejamento. Em outubro de 2004 foi eleito prefeito com 121.002 votos. Confessou durante a entrevista que suas experiências anteriores não se comparam a responsabilidade de estar sentado na cadeira do chefe do Poder Executivo de uma cidade que está sempre em evolução.
Além de suas conquistas, João Paulo Tavares Papa falou também de projetos futuros, a importância do Porto e do Turismo para a cidade. Confira a seguir a entrevista completa com o prefeito.
Jornal Vicentino - Quais são suas principais lembranças de sua infância? Onde nasceu?
João Paulo Tavares Papa - Foi uma infância normal de uma criança de família de classe média. Meu pai sempre foi operário, mas de uma área valorizada em Santos, a de Construção Naval. Apesar de ter quatro filhos, meu pai conseguiu proporcionar a todos nós uma boa infância. Nasci no bairro do Campo Grande, na Rua Amazonas, em um sobrado que até hoje é da minha família. A casa era pequena, mas o terreno era bem grande. Me lembro que tinha uma mangueira nos fundos onde tínhamos passarinho, cachorro e uma horta. Mudou muito hoje. São poucas as casas com chão de terra, é raro ver uma criança em Santos hoje pisando na terra ou subindo na árvore. Na minha infância tínhamos uma casa na árvore o que é uma possibilidade que vem ficando cada vez mais remota nos centros urbanos. Ainda pequeno mudei para o Gonzaga, perto do Canal 3. Mas a nossa infância foi muito rica. A gente jogava bola na rua, jogava taco e pescava peixinho no canal. Furava a lata de cera, fazia uma armadilha e depois trazia para casa.
JV - Onde o senhor estudou?
Papa - Comecei meu curso primário no Colégio Santista, que é um colégio Marista, de padres, depois fiz uma parte do ensino fundamental no Colégio Tarquínio Silva e retornei ao Santista até o final do Ensino Fundamental que na época era o colegial. No colegial eu optei por fazer uma escola técnica que já não existe mais em Santos, que se chamava Colégio Piratininga. Era uma escola especializada em curso de Eletrônica. Na época eu já tinha uma vocação voltada para essa área.
JV - O que o levou a fazer Faculdade de Engenharia?
Papa - Surgiu no período do curso de segundo grau. Como era técnico, voltado para a eletrônica eu acabei gostando dessa atividade e já fui na seqüência, quando conclui o colegial, procurei fazer algo ligado à área. Comecei meus estudos na FEI (Faculdade de Engenharia Industrial) que fica na Cidade de São Bernardo do Campo. Cursei a FEI durante três anos e meio, mas para custear meus estudos na faculdade comecei a lecionar, porque precisava de um emprego e o primeiro foi o de professor. Já no segundo semestre da faculdade comecei a dar aula de física e desenho técnico aqui em Santos. Eu subia e descia todos os dias e nesse período montamos uma empresa de eletricidade. Passei também a trabalhar em Santos. Ficou difícil estudar em São Bernardo, ter a empresa em Santos e lecionar à noite. Ao terminar o sétimo ciclo eu me transferi para o Santa Cecília e terminei o curso aqui.
JV - O senhor também fez pedagogia. Porque optou por mais um curso?
Papa - Nesse meio tempo como professor do colégio José Bonifácio eu assumi uma coordenadoria de um curso técnico de mecânica. Na época era um curso muito procurado por profissionais da Cosipa e da Refinaria e eu lecionava física e acabei sendo convidado para ser coordenador da turma. Acabei me interessando pela atividade docente e cursei pedagogia exatamente para poder ter as credenciais para continuar na escola como diretor e coordenador, foi muito importante na minha vida.
JV - E o interesse pela carreira pública, como surgiu?
Papa - Já vem de família, meu avô, João Papa Sobrinho, foi um professor muito conhecido aqui na Cidade, lecionou durante 65 anos, uma das poucas pessoas no Magistério que exerceu por tanto tempo sua profissão. Tem uma placa no José Bonifácio de quando ele completou 65 anos de Magistério. Ele (avô) era um profissional que tinha múltiplas habilidades, era contabilista, economista, trabalhou em uma empresa de navegação, mas nunca deixou de lecionar porque tinha gosto pelo exercício do magistério. Ele foi professor do Mário Covas, e de Egídio Martins, que foram governadores de São Paulo e de outras milhares de pessoas. Meu avô sempre teve uma relação forte com a área pública, sem nunca ter disputado nenhuma eleição. Colaborou com o governo Paulo Barbosa (prefeito de Santos na época), como secretário de Educação. Já na minha casa as conversas sobre política, sobre governo de Santos, começaram quando eu era muito novo. Em 1981, quando fui procurar estágio de Engenharia, o primeiro que consegui foi na CSTC, empresa de transporte coletivo de Santos, que estava passando por uma modernização no equipamento dos trólebus. Quando me formei em 1983, comecei a procurar emprego e a Secretaria de Obras da Prefeitura de Santos estava procurando dois engenheiros eletricistas para ampliar os quadros. Na época o secretário era o doutor Aníbal Martins Clemente, arquiteto conhecido de Santos. Ele me chamou e comecei como engenheiro contratado, via CLT. Era o final do governo Paulo Barbosa e em 1984 começou o governo Oswaldo Justo.
JV - O que significou trabalhar ao lado de Oswaldo Justo ?
Papa - Acabei conquistando a confiança do Justo quando prefeito e ele, em 1986, acabou me convocando para uma missão importante para a idade que eu tinha, que era dirigir o trânsito de Santos. Eu não tinha muita experiência na área, mas o Justo acabou entendendo que pelo meu trabalho na área de iluminação eu teria a capacidade para assumir o Trânsito em uma época crítica. Especialmente a parte de tecnologia de semáforos era muito atrasada e pela minha formação o Justo me convocou. Aí surgiu de fato uma ligação forte entre eu e o Justo. O admiro muito. Acabei tendo, nessa época, um relacionamento e contato constante com o prefeito. Ele se interessava muito pela área do Trânsito e o prefeito associava muito o engenheiro do segmento, apesar de haver uma hierarquia. Acabei estabelecendo uma relação de confiança com o Justo que eu penso ter sido o fator decisivo para que eu me interessasse mais e acabasse enveredando pela carreira na área pública. Fiquei com ele até o final de seu mandato.
JV - Quando saiu da prefeitura no final do mandato do prefeito Justo, em 1989. O que fez durante esse tempo longe da administração pública ?
Papa - Eu decidi sair e voltei para a área privada. Voltei a tocar minha empresa que estava parada a essa altura. Em seguida o Justo se elegeu deputado estadual em 1990 e me convocou novamente para uma área de governo. Fui então para a Secretaria de Transportes do Estado de São Paulo. Fiquei um ano lá e em seguida ele me convocou para assumir a Superintendência Regional da Sabesp que depois se transformou em uma superintendência de todo o litoral paulista e depois virou uma diretoria. Daí foi uma sucessão de convites. Quando acabou o governo do PMDB no Estado, em 1994, em janeiro de1995 eu saí e voltei de novo para a atividade privada. Mas em 1997 o Beto Mansur ganhou a eleição e me chamou também e eu voltei para o governo onde estou até agora.
JV - De vice-prefeito e agora é prefeito da maior cidade da Baixada Santista. Como foi essa transição ?
Papa - Eu acho que por mais experiência que uma pessoa possa ter em uma área pública, como secretário municipal, como presidente da CET ou em qualquer outra coisa assim, mesmo acumulando como eu a vice-prefeitura, sentar na cadeira de prefeito é uma outra coisa, outro mundo. A experiência é importante, mas ser prefeito é um desafio muito maior, você passa a enxergar a Prefeitura por uma ótica que só quem é prefeito pode enxergar. Não há nenhuma experiência anterior a de ser prefeito que possa te preparar completamente para exercer o cargo. Aqui você tem um peso e uma responsabilidade imensa e que é única. Toda a responsabilidade no regime presidencialista cabe ao administrador maior do Município que é o prefeito. Em áreas estratégicas, como Obras e Serviços Públicos a experiência contou e eu passei por sete áreas diferentes, mas o salto para a cadeira de prefeito é uma diferença muito grande. Até mesmo as questões que não estão sequer afetas a Prefeitura chegam a minha sala e as pessoas esperam soluções. O prefeito deve estar preparado, inclusive emocionalmente para dar respostas e, principalmente, demonstrar equilíbrio necessário na prática para resolver e suportar todas as situações. Esse é o grande desafio dos governantes do momento.
JV - Quais são os projetos futuros e suas prioridades para Santos ?
Papa - Temos uma cidade que tem um dos melhores índices de qualidade de vida do País, então esse é o primeiro grande desafio: manter o que já foi construído até hoje. Quando digo construído não são apenas as obras, mas manter a qualidade de vida que a Cidade tem é o primeiro desafio. Quando você evolui, o teu público fica cada vez mais exigente. Certas conquistas não têm volta. O público santista está acostumado com um padrão que precisa ser mantido e aprimorado. Um segundo grande desafio é dar passos consistentes no sentido de consolidar uma política de desenvolvimento econômico que não viva de acontecimentos pontuais. São duas as colunas de sustentação da economia santista: o porto e o turismo. De certa forma essas suas grandes vocações em Santos ainda não estão plenamente potencializadas. O Porto evoluiu muito, mas ainda não conseguimos extrair dele todo o potencial de riqueza e geração de emprego que ele pode proporcionar para uma cidade como Santos. A integração definitiva do Porto com a Cidade e comunidade. Buscar soluções para as questões dos gargalos de infra-estrutura, buscar novos projetos que possam ir além das simples movimentação de cargas. O outro desafio é o setor de turismo que apesar da natureza privilegiada e uma série de fatores positivos que ajudam na vocação turística, o segmento ainda não se transformou em uma indústria forte, que possa atrair jovens e mantê-los na Cidade vivendo do Turismo.
JV - E como resolver então essas lacunas ?
Papa - É função do governo, e somente o governo pode fazer isso, criar condições e um ambiente institucional que favoreça que essas duas vocações se desenvolvam na velocidade e na direção que o Município deseja. E estamos fazendo isso, modificando leis, criando incentivos fiscais e condições que as parcerias possam se consolidar, para que possamos ter mão de obra capacitada e parcerias com as autoridades portuárias para que o espaço portuário seja melhor aproveitado conforme o interesse da Cidade. Um plano de desenvolvimento que seja harmônico, que possa potencializar todos os espaços que ainda temos para explorar.
JV - Em relação ao porto, como está a questão do pagamento do IPTU pelo órgão responsável a prefeitura?
Papa - Essa é uma situação que não cabe mais diálogo. É um dos temas entre a Cidade e o Porto onde chegamos a um ponto de disputa judicial que é muito antiga, que hoje está na última esfera do Poder Judiciário brasileiro. Estamos aguardando ansiosamente, tanto nós quanto a Codesp, uma decisão final, que pode sair a qualquer momento. A dívida passa dos R$ 350 milhões em valores acumulados e uma contribuição anual que pode chegar a R$ 20 milhões. É um recurso substancial que vai ajudar muito a compensar o Município pelos custos que ele tem com o Porto. Toda a manutenção de drenagem e na malha urbana é custo do Município sem que haja uma contrapartida por parte do Porto. Falta apenas o parecer de apenas um ministro do Supremo Tribunal Federal, já tivemos várias vitórias em algumas turmas do Supremo e a Codesp em outras. São 11 votos e quem tiver a maioria vai acabar tendo ganho de uma causa que é muito importante para a cidade de Santos. Temos também questões que não são judiciais, que são de interesse do Município e do Porto, sendo na base do diálogo, como por exemplo a anexação dos armazéns do porto velho do Valongo, entre o armazém um e oito para desenvolver uma grande operação urbana e criar um complexo turístico, portuário e cultural para ser um referencial no turismo brasileiro, essa questão é de interesse da Cidade. Por outro lado o Porto está trabalhando na criação da expansão da margem esquerda, que é o projeto Santos 21, onde dobrará a capacidade operacional do Porto de Santos, que é interesse do País, é um interesse mútuo. A estrutura financeira para um projeto deste porte viria rapidamente da iniciativa privada, porque há uma demanda.

16/07/07 às 20:51
Fui colega do Prefeito na turma de Engenharia do Santa Cecilia e, agora morando bem longe de Santos, em Manaus fico muito feliz por sua trajetória vitoriosa. Sus carreira e seus planos futuros o credenciam para uma nova classe politica que o nosso pais necessita.
Parabens
Um abraço
Sergio
9/04/08 às 13:58
O nosso prefeito está de parabéns,sou moradora do bairro José Menino e o progresso aqui é visto a olho nu,e depois do parque pronto,é só virem conferir.
25/08/08 às 18:23
queria falr que o senhor é´prefeito de qualidade