Editorial
- novembro 20, 2006
Situação delicada
Não é de hoje que a saúde no País vai de mal a pior. Falta de médicos, medicamentos e até mesmo de hospitais em municípios brasileiros são situações corriqueiras para a população que depende da saúde pública. Sem falar nas condições em que os médicos e profissionais da saúde encontram para trabalhar.Somado a tudo isso, está a greve que foi deflagrada há duas semanas pelos médicos residentes de todo o País. Os recém-formados, que trabalham para se especializar em uma determinada área médica, realizaram esse ato para reivindicar melhoras nas condições sub-humanas de trabalho.
Para se ter uma idéia da dimensão do problema enfrentado, os médicos residentes devem cumprir, de acordo com o MEC, uma carga horário de 60 horas semanais, incluindo dois plantões de doze horas, porém essa carga é frequentemente extrapolada.
Vale lembrar que esses profissionais estão começando a carreira e por isso precisariam de uma melhor estrutura para atuar na saúde pública brasileira. O que se vê na realidade é um descaso com a classe médica, que deveria ser mais valorizada.
Vale ressaltar que a greve atinge nove estados, além do Distrito Federal. No Brasil são 17 mil residentes que trabalham em serviços de saúde. Só no Estado de São Paulo mais de 5.000 dos 6.500 residentes estão em greve, de acordo com a Associação Nacional dos Residentes Médicos.
O que a classe reivindica é um aumento na bolsa, que atualmente é de R$ 1.470, paga aos residentes que tem carga horário de 60 horas. Pode-se dizer que a bolsa é uma vergonha, já que o residente muitas vezes precisa fazer plantões em outros hospitais para se sustentarem.
Quem sofre com a greve é a população carente que utiliza do serviço público de saúde. Infelizmente uma das áreas que mais precisa de atenção do governo, é a mais esquecida e mal tratada.
Mesmo com o fim ou não da greve, a situação é delicada e complicada para um governo que se diz à favor dos menos favorecidos. O que está em jogo é a melhora na estrutura de um País que tem tudo para crescer, mas emperra em problemas que deveriam ser sanados com urgência.





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