Aceleração lenta
O governo Lula realmente não consegue se entender. Dois dias após anunciar o Pacote de Aceleração do Crescimento (PAC), na qual prevê um aumento de 4,5% na economia, o Banco Central (BC) colocou um freio no ritmo de queda dos juros. Na primeira reunião do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 percentual.Vale ressaltar que membros do próprio governo pressionaram o Copom para que a queda na taxa de juros fosse maior e assim contribuísse com o tão esperado PAC. O setor privado também pressionou o BC, mas de nada adiantou.
A sintonia tão esperada entre o BC e o Governo Federal não aconteceu e dá prévias de que o relacionamento entre os dois será complicada ao longo do segundo mandato de Lula, ao menos que haja bom censo de ambos.
O plano, anunciado segunda-feira (22), previa um crescimento de 4,5% já este ano, mas com a ajuda do BC esse aumento pode ser menor. Vale ressaltar que a última queda de 0,25 havia sido em setembro de 2005.
O que mostra a falta de entendimento entre o BC e o governo é que ao anunciar as medidas, o ministro Guido Mantega citou nominalmente o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, pedindo corte nos juros. O que não aconteceu, ou pelo menos não da forma que o governo esperava.
Boa parte das medidas do PAC consiste em reduções de tributos direcionados a alguns setores da economia, porém para o empresariado essa desoneração não tem o efeito desejado justamente pelo fato do BC não reduzir os juros a um patamar compatível com a intenção do governo de acelerar o crescimento econômico do País.
Vale ressaltar que o Brasil tem o maior juro real do mundo. Daí a explicação de o porque o País não consegue se tornar competitivo no mercado externo. A pressão interna, tanto por parte do governo como por parte do empresariado contribui para o desenvolvimento, mas o crescimento do País depende de uma série de fatores.
O que a população espera é que o PAC realmente funcione e, que apesar de ter sofrido alterações por pressão dos governadores, faça com que o País decole o mais rápido possível. Afinal não se pode perder a corrida neste mercado internacional tão competitivo.
