Maria Del Carmem

Dedicação ao trabalho social é sem dúvida a ação praticada pela secretária de Promoção Social e presidente do Fundo Social de Solidariedade de Praia Grande, Maria Del Carmen Padin Mourão, a Maruca. Além de mãe, a primeira dama da cidade de Praia Grande, Maruca é uma mulher que quer construir um futuro melhor, proporcionando em seu cargo oportunidades para aqueles que buscam mudar de vida. Em entrevista à equipe do Jornal Vicentina, a presidente do Fundo Social falou de sua vida pessoal, suas escolhas e revelou o que pretende para o futuro. Confira a entrevista.
A felicidade de poder ter em mãos a chance de realizar e praticar políticas sociais está estampada no rosto da primeira dama de Praia Grande, conhecida por todos como Maruca. À frente da Secretária de Promoção Social da cidade, viu o crescimento do Município, seu desenvolvimento e participou diretamente das ações em busca de qualidade de vida e dignidade para todos. Projetos como SOS Bombeiros, Casa de Estar e o Programa de Integração e Cidadania (PIC) e Espaço Conviver, são exemplos do trabalho e preocupação de Maruca com todas as faixas etárias.
Durante entrevista cedida em seu gabinete, Maruca falou de sua trajetória pessoal, sua vida profissional e de como vê hoje Praia Grande. Formada em pedagogia e direito, proporciona através de oficinas e cursos, oportunidades para que mulheres carentes aprendam uma profissão. Mãe de duas filhas, revelou que um dos seus sonhos é ver seus netos realizados e felizes.
Jornal Vicentino - Onde a senhora nasceu ? Quais suas principais lembranças de sua infância ?
Maria Del Carmen Padin Mourão (Maruca) - Nasci na Espanha, na cidade de Ponte Velha. Vim para cá com quatro anos, não tenho muitas lembranças de lá. Lembro das brincadeiras de rua. Eu morava do lado do Clube Hípico e vivíamos dentro do clube brincando amarelinha e bicicleta. Lembro que fazíamos caracóis no meio da rua, coisas que as crianças de hoje não têm mais. Olho meus netos e vejo que eles não terão esse privilégio, porque não há mais essa cultura, esse costume.
JV - Seus pais são imigrantes. Como foi a vinda deles para o Brasil?
Maruca - Meu pai veio tentar a vida no Brasil, meu pai veio primeiro. Minha mãe ficou grávida de mim e quando completei quatro anos meu pai mandou minha mãe vir para cá. Na verdade só conheci meu pai com essa idade. Eles vieram em busca de uma vida melhor para a família, como todo imigrante. Viemos para Santos, ali na Luiz de Camões. Daí meu pai construiu uma casa em São Vicente. Foi onde me criei até me casar.
JV - Onde estudou ?
Maruca - Eu estudei no São Leopoldo, fiz de primeira a quarta lá. O ensino fundamental e médio fiz no Grupão em São Vicente. Antes de me casar eu fazia faculdade de Estudos Sociais, mas não terminei. Depois fiz pedagogia e direito. Exerço a pedagogia porque tenho uma escola, o Colégio Universo, mas o Direito nunca exerci. Larguei por ter que assumir a Secretaria.
JV - Como foi para a senhora entrar para a vida pública ?
Maruca - A gente vai acompanhando o marido. Ele (Mourão), entrou muito jovem para a política, quando ainda estava acabando a faculdade de Direito. Ele sempre foi uma pessoa questionadora. Já éramos casados, casamos com 21 anos e já tínhamos a nossa primeira filha. Quando ele foi convidado para ser candidato, a princípio eu não gostei, principalmente porque estávamos casados a pouco tempo. Mas era uma vontade dele e acabei assumindo e ajudando no que pude.
JV - Como foi conciliar a vida de casada, mãe, mulher e ainda ingressar na política ?
Maruca - O bom é que o Mourão sempre separou bem a vida política da familiar. Então os finais de semana sempre foram sagrados para as filhas. Parquinhos, praia, tudo que uma criança faz ele sempre acompanhou, eu nunca fiz as coisas sozinhas. Acho que não tive muita dificuldade. No final a gente consegue conciliar tudo, principalmente quando tem amor. Tanto a gente consegue que assumi a Secretaria, fui fazer faculdade de Pedagogia, fiz faculdade de Direito estando na secretaria e conciliei casa, faculdade, trabalho e os filhos. Mulher é forte. Minhas filhas nunca reclamaram da minha ausência. Nós somos muito ligadas, as três, parecemos três amigas.
JV - Como é estar a frente pela terceira vez da Secretaria de Promoção Social, onde são realizados projetos que visam a vida das pessoas carentes ?
Maruca - É uma área que eu gosto porque posso estar ajudando a melhorar a qualidade de vida das pessoas, orientando e colaborando. É gratificante quando se vê os resultados através de programas de geração de renda que pode levantar a alto estima das pessoas. O bom é ver que o trabalho dá resultados e modifica uma parcela da sociedade. Cada ano os desafios são diferentes. A primeira eu peguei um tipo de problema, a segunda outro e a terceira outro. A cada ano que passa os desafios vão aumentando também. Não tínhamos tantas crianças de rua no passado, por exemplo, são problemas que vão surgindo. Mas no fundo é muito compensador quando se vê que criou-se uma frente de trabalho na qual é dada dignidade paras as pessoas de estar gerando sua renda, e sobreviver dela.
JV - No mês de dezembro foi realizado um mutirão na padaria onde foram feitos 12 mil panetones. Como foi essa experiência ?
Maruca - Doamos material para três mil panetones para 30 famílias fazerem. Todas elas vieram para cá, fizeram seus panetones e todas trabalharam em conjunto. Na venda desses panetones a assistente social dividiu o dinheiro entre elas e cada uma já saiu daqui para comprar sua ceia de Natal, com suor do trabalho, sem contar a aprendizagem. Isso não tem preço, porque a minha filosofia de trabalho é a seguinte: não dar o peixe, mas ensinar as pessoas a pescar. Digo para todos eles que não adianta a gente ficar dando as coisas, porque voltam para a casa e não fizemos nada real por elas. Prefiro que haja a valorizam do trabalho.
JV - No último dia 18 foi inaugurado o Espaço Conviver, mais um equipamento de inclusão social. O que esse projeto representa para a Cidade ?
Maruca - É um projeto voltado para a terceira idade onde há vários segmentos. Alguns vão para se divertir, outros vão cantar, outro costuram, enfim, temos vários equipamentos. Há também uma máquina de fazer fraldas, onde fazem enxovais que são doados para gestantes carentes do Município.
JV - Junto ao Espaço Conviver há uma creche para os idosos. Como funciona o equipamento e como surgiu essa idéia ?
Maruca - É um projeto pioneiro aqui na Região. A idéia surgiu devido ao grande número de pessoas que nos procuravam para asilar seus pais ou parentes. Muita gente vinha pela dificuldade de ter com quem deixar. O idoso fica durante o dia todo, a noite vai para a casa, não dá trabalho, já está cansadinho e não perde o convívio com a família, que é muito importante para todos. Há um trabalho de triagem, onde a assistente social faz a visita domiciliar e se o idoso tiver família ela tenta com que o idoso permaneça no seu lar com seus filhos. Mas percebemos que muitos precisavam trabalhar fora e não tinham com quem deixar o idoso, e acabavam, muitas vezes contra a vontade, os colocando em asilos. Na creche já são pessoas com idade bem avançada que suprem as necessidades de fazer um almoço ou dar um remédio, por exemplo. Então ele chega na creche às sete horas da manhã e no final da tarde alguém da família o pega. O idoso toma o café da manhã na creche, almoça, toma o lanche da tarde, enfim. Temos uma enfermeira, e o idoso é acompanhado o tempo todo. É um espaço destinado à essa faixa etária. Há programação também durante toda a semana. As prefeituras vem investindo cada dia mais. Somos pioneiros porque temos até dormitórios para que os idosos possam descansar. Hoje temos 30 idosos na creche, durante o dia, no Conviver são mais de mil pessoas inscritas.
JV - Praia Grande completou no último dia 19 de janeiro 40 anos de emancipação político-administrativa e não pára de crescer. Como a senhora vê esse constante crescimento da Cidade ?
Maruca - Acho que a cidade se desenvolveu muito desde 1992. Hoje Praia Grande conta com uma infra-estrutura diferente, com shopping, grandes redes de supermercados, e isso é bom para a cidade porque traz emprego, turismo e a construção civil. Ainda temos muito o que fazer ainda. Não imaginávamos que chegaria a esse nível que está hoje. Me lembro que lá no começo da administração minha filha estava na adolescência e ela sempre me dizia que queria mudar de Praia Grande e o pai dizia para ela ter paciência que tudo iria mudar. Um dia estávamos passando na orla da praia, depois de uns seis meses que o Mourão havia assumido a prefeitura, e minha filha viu os quiosques que eram de madeira já estavam todos sendo derrubados e aí ela (filha) acreditou que a cidade realmente iria mudar. Tudo foi se transformando e o curioso é que quando essa minha filha casou teve a oportunidade de mudar para outro lugar e preferiu ficar aqui. Temos muito o que fazer, mas uma boa parte está bem desenvolvida, a via expressa e as marginais são também grandes conquistas.
JV - Como surgiu o Programa de Integração e Cidadania (PIC) que é um dos projetos mais importantes da Cidade ?
Maruca - No passado quando eu assumi a primeira vez a secretaria, as creches ficavam com a promoção social. Quando eu retornei as creches haviam passado para a área da educação, hoje é um direito da criança e não é encarada como equipamento assistencial. Então a secretaria precisava caminhar em busca de outros projetos. Dai a gente parou para pensar nas crianças, que muitas vezes ficam na rua, porque as mães trabalham, a mercê das coisas ruins das ruas. Foi assim que surgiu os PICs.
JV - E hoje quais são as principais funções dos PICs ?
Maruca - Além de atender somente as crianças e os adolescentes a gente passou a atender a família como um todo. Hoje atendemos a partir de 2 anos até a idade que as pessoas tenham “pic” para estarem participando. São várias atividades como brinquedoteca, cozinha experimental, dança, canto, instrumentos musicais em parceria com a secretaria de cultura, esportes, cursos de geração de renda, como tear pintura, enfim, essas pessoas consegue através dessas atividades, estar vendendo o produto e gerando renda. Enquanto a mãe está fazendo um curso de culinária, ou de pintura por exemplo, a criança está ao mesmo tempo em uma aula de música, os pequinininhos na brinquedoteca, que são acompanhados por brinquedistas. Acho que atingimos o objetivo que era de integrar a comunidade. Tornou-se em centros de convivência.
JV - No Natal de 2006, o bairro do Boqueirão foi enfeitado com guirlandas confeccionadas pela comunidade. Como surgiu essa idéia ?
Maruca - Temos uma professora que dá aulas de cestaria em jornal. Daí as mulheres começaram a fazer guirlandas de natal e em uma oportunidade fui visitar um dos PICs com o prefeito e vimos o trabalho. Então o Mourão olhando aquilo perguntou se elas conseguiriam fazer as guirlandas para enfeitar a Costa e Silva. Foi criado um mutirão dos alunos do PIC que vieram até o Boqueirão e contaram o número de postes e começaram a confeccionar as guirlandas, que era de mais ou menos um metro de diâmetro cada uma. Toda a avenida foi enfeitada com elas. Quando vimos aquela integração toda, ficamos surpresos, porque a família toda foi para dentro do PIC, crianças ajudando, maridos. Foi aberto aos sábados e domingos e vimos que havíamos atingido o objetivo.
JV - Quais são os projetos para 2007 ?
Maruca - Temos algumas inaugurações de PICs, além da creche do idoso, algumas reformas na Casa da Criança e no asilo que é o Lar São Francisco de Assis. Hoje o perfil da secretaria mudou e as pessoas já estão mais consciente de que mudou, então quando as pessoas vêm aqui já procuram uma ocupação. Sempre temos algo a oferecer e não simplesmente vir aqui e pegar uma cesta básica, sem adquirir nenhum crescimento. Crescemos visando melhorar a vida das pessoas mais necessitadas.

21/02/08 às 12:01
Olá! Parabéns pelo trabalho desenvolvido com a 3ª idade.
Estou pensando em organizar um espaço de convivência entre educadores q trabalham de formai interdisciplinar. Na verdade, modernizar o HTP. Vc tem alguma sugestão! Obrigada, Agnylze
19/08/08 às 18:01
Oi Maria, parabéns pelo seu trabalho com a 3ª idade, amei! Meu nome é Eni, tenho 45 anos, formada em ciências contáveis com ênfase em gestão ambiental, tenho 3 lindos filhos. Sempre gostei de estar com idosos, atualmente trabalho como agente de saúde no meu bairro, amo o que faço. E com as experiências adquiridas e vivenciadas no meu dia a dia, tenho sentido bem de perto a solidão dos meus velhinhos, costumo até dizer que hoje em dia não se tem mais cranças abandonadas, mas sim idosos abandonados! E com isso estou tentando desenvolver um projeto de estimulos a uma velhice saudável,resgate das lembranças da infância, das brincadeiras, dos amigos que mais marcaram, da época de namoro, fotos, eletrodomésticos, enfim… coisas, fatos, historias que venham proporcionar momentos de diversão de alegria! Gostaria tambem de fazer uma programação bem legal inserindo os temas acima mencionados, para comemoração do dia do idoso será que vc pode me dar umas dicas?
Obrigada