Dr. Milton Teixeira

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Com muita simplicidade e simpatia, o chanceler da Universidade Santa Cecília (Unisanta), Milton Teixeira recebeu a equipe do Jornal Vicentino na Chancelaria da universidade. Durante a entrevista, Milton contou um pouco de sua história de lutas e glórias não só na vida pessoal, mas como empresário e amante do esporte.

De família simples, Milton Teixeira nasceu em Caraguatatuba, Litoral Norte de São Paulo, e logo aos cinco anos de idade perdeu sua mãe (Benedicta Rodrigues Teixeira). Sendo assim, seu pai (Nicolau Francisco Teixeira) herdou cinco filhos para criar e educar. Um ano após o falecimento de dona Doquinha, como era chamada pelos familiares e íntimos, a família Teixeira se mudou para Santos.
Foi na principal cidade da Baixada Santista que Milton Teixeira se desenvolveu e colheu grandes frutos ao longo de sua vida. Foi em Santos que estudou e começou a trabalhar. Aos 14 anos trabalhou em uma tinturaria, na qual entregava as roupas pelos bairros de Santos e São Vicente.
Em 1954, já casado com dona Nilza Pirilo Teixeira, Milton passou no concurso do Banco do Brasil, no qual trabalhou por alguns anos. Nesta época montou sua primeira escola, um curso preparatório para o concurso do Banco do Brasil.
Trabalhou também na Alfândega, onde foi chefe de departamento. Abandonou o emprego e começou, em 1961, a Escola Primária Santa Cecília que hoje é uma das principais entidades de ensino da região.
Durante a entrevista, o chanceler da Unisanta, contou sobre sua carreira como empresário da Educação e a continuidade dos filhos na atuação do complexo educacional. Falou sobre sua vida esportiva como atleta e dirigente.
Contou também sobre sua paixão pela literatura e o por quê de cursar Direito mesmo após estar com uma situação financeira estável. Confira a entrevista na íntegra.
Jornal Vicentino - Onde o senhor nasceu e quais lembranças tem da infância?
Milton Teixeira
- Nasci em Caraguatatuba, cidade do litoral norte. Minha família é de lá e como éramos pequenos meu pai entendeu por bem deixar a gente lá. A infância foi boa, o pessoal é muito bom e aproveitei bastante essa época. Um ano após a morte de minha mãe viemos para Santos, eu era garoto tinha seis anos de idade. São coisas da vida.
JV - Ainda pequeno o senhor veio com a família para Santos. Como foi essa mudança?
Milton
- A vinda para Santos foi boa porque era uma vida nova. Meu pai (Nicolau Francisco Teixeira), com 39 anos, herdava cinco filhos (Nicolau, Euclides, Lourival, Nélson e Milton) para criar e educar. Moramos próximo ao Mercado Municipal e ao Cemitério do Paquetá.
JV - O senhor trabalhou no Banco do Brasil e depois na Alfândega. Como foram essas experiências?
Milton
- Comecei a trabalhar com 18 anos no Banco do Brasil, em 1954. Fiz cursinho para o Banco do Brasil, entrei e fui trabalhar na Agência do Centro, na rua Álvares Penteado em São Paulo. Consegui minha transferência para Santos e trabalhei na agência que ficava na Praça Mauá. Depois fui para a Alfândega e fui para Itajaí. Assim que saí de Itajaí voltei para Santos como chefe da Alfândega, cargo de fiscal federal. Depois de um tempo não queria mais trabalhar como chefe do setor.
JV - Foi aí que resolveu trabalhar na área de Educação?
Milton
- Comecei com Cursinho Preparatório para o Banco do Brasil, se chamava Cursinho Brasil, que naquela época precisava fazer a escola para ingressar no banco. Eu ainda trabalhava no Banco do Brasil. Depois que resolvi abandonar a alfândega quis investir na Educação.
JV - Quando conheceu sua esposa, dona Nilza Teixeira?
Milton
- Eu era garoto, jovem. Quando casei tinha 18 anos, trabalhava no Banco do Brasil e resolvi casar com ela.
JV - Por que o resolveu trabalhar com ensino?
Milton
- Sempre gostei de escola. Adorava aquilo, quando a gente ia o pessoal procurava fazer com que o nosso pensamento fosse deles também. A escola é uma grande coisa.
JV - A Escola Primária Santa Cecília foi fundada em 1932 e funcionava na Casa Amarela, em 1961 a família Teixeira assumiu a instituição de ensino. Como se deu o início?
Milton
- A escola era de uma senhor chamada Cecília e ficou Santa Cecília. Não tivemos muita dificuldade porque tínhamos vários trabalhos. Tudo que se referia ao trabalho a gente ia buscar. Que eu me recordo a gente ficava com pena daquele pessoal que não tinha dinheiro e fomos trabalhando assim.
JV - O senhor acreditava que a Escola Primária Santa Cecília iria se transformar em um complexo educacional com toda essa magnitude?
Milton
- Nós acreditamos nisso. O objetivo sempre foi esse. Queríamos sempre ampliar com força a educação.
JV - A Universidade Santa Cecília sempre apoiou o esporte. Na sua opinião a prática esportiva é um fator importante na educação?
Milton
- É muito importante na educação. O esporte é uma coisa fundamental em todos os sentidos. Completa a educação.
JV - Esse incentivo vem também porque o senhor foi adepto do esporte?
Milton
- Eu mesmo já fui atleta, joguei basquete. Quando era jovem eu fazia de tudo. Comecei no Vasco da Gama, joguei no Saldanha da Gama e no Brasil Futebol Clube. Depois fui para o Atlético Santista, que estava no auge. Sempre fui apaixonado por basquete.
JV - Dessa ligação com o esporte também surgiu a paixão por comandar clubes. Qual foi a sua primeira disputa pela presidência de uma entidade?
Milton
- Fui candidato a presidente do Atlético Santista, mas acabei perdendo por três votos para o candidato Emílio Justo. Desiludido, afastei-me do clube. Depois fui convidado para suceder Emílio Justo na presidência do Atlético, mas não aceitei.
JV - Ainda falando em esporte, o senhor foi vice-presidente (1976,1977 e 1983) e presidente (1984) do Santos Futebol Clube. Como analisa sua atuação à frente do clube?
Milton
- O Santos é uma paixão. Ter sido vice-presidente e presidente foi muito gratificante, é aquela coisa de estar servindo e ajudando. Essa era a nossa primazia, fazíamos o melhor para o Santos. Os diretores, eram em 12, falavam para eu não deixar o clube e respondia que não iria abandonar. Na época (presidência) o Santos não tinha dinheiro para pagar a conta de luz aí me chamaram para dar a ajuda. O Santos foi campeão Paulista em 1984. Nós conseguimos manter. E assim fomos indo, até que o meu filho Marcelo se tornou presidente.
JV - Atualmente seu filho (Marcelo Pirilo Teixeira) é presidente do Santos e o acompanhou durante sua administração no clube. O senhor acha que esse convívio o ajudou a tornar-se um grande presidente para o clube?
Milton
- Ele sempre me acompanhava, naquela época ele era adolescente. Também porque ele gosta daquilo, mas eu como pai o ajudei muito também. Ele sempre me perguntava o que eu achava, o que ele deveria fazer, mas hoje ele dá show na administração do Santos.
JV - Falando em família. Seus filhos também ajudam a administrar a Unisanta. Como vê o interesse deles em manter uma instituição que já completou 45 anos?
Milton
- Todos meus filhos são maravilhosos, tanto os homens quanto as mulheres. São interessados que isso (Unisanta) vá para frente, que não seja nada errado. É a nossa filosofia de trabalho. A Lúcia é presidente, a Silvia é a reitora, o Marcelo é pró-reitor administrativo e eu sou o chanceler da Universidade.
JV - Pode-se dizer que o senhor é preocupado com a cultura, por já ter escrito inúmeras obras e recebeu uma medalha de Grande Mérito Cultural do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente. Foi por esses motivos que assumiu a presidência da Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto?
Milton
- Talvez, não posso dizer que seja precisamente isso, mas sou apaixonado por literatura. O nosso desejo é fazer o que há de melhor, seja no esporte, na educação ou na arte. Aquilo vai passando e quando você menos espera já serviu tudo.
JV - Quando surgiu o interesse pela literatura, mais precisamente em ser autor?
Milton
- Eu tinha uns 16 anos e já gostava da literatura. Sempre procurava escrever.
JV - Qual das suas obras lhe marcou mais?
Milton
- Foi o “Ribeiro Couto, Ainda Ausente”, escrito em 1982. Ele foi um poeta, era diplomata. Com essa obra ganhei o prêmio Joaquim Nabuco da Academia Brasileira de Letras.
JV - Como analisa os 45 anos do Complexo Educacional Santa Cecília?
Milton
- É difícil você pensar porque a nossa idade tem um objetivo. Não queremos só pegar aquela coisa de massa, queremos dar educação de qualidade. A gente fica contente com a continuidade que meus filhos estão dando. As vezes a gente procura dar umas dicas para os filhos, para que vão para frente.
JV - Depois de montar a escola o senhor resolveu cursar Direito, sendo da segunda turma da Faculdade de Santos. Por que essa opção?
Milton
- Porque o Direito é uma coisa aparente, você sabe que aos poucos vai conquistando. Desde pequeno meu maior sonho era ser advogado, mas só pude realiza-lo já casado e com condições de cursar pois minha situação era bastante estável. O conhecimento das leis também são importantes. Cheguei a trabalhar como advogado na escola. Mas depois transferi isso para alguém.
JV - Quando e como surgiu o Sistema Santa Cecília de Rádio e Televisão Educativas?
Milton
- O empreendimento surgiu a partir do desejo de contribuir para o aperfeiçoamento das atividades desenvolvidas no curso de Jornalismo e Publicidade, e ao mesmo tempo criar um canal de comunicação regional. Dia 26 completou 10 anos a emissora de TV e a rádio tem oito anos. A TV nós compramos da família Mussi de São Vicente. Por trabalharmos com educação, nós compramos essa TV Educativa e também montamos a rádio por ser educativa. Todas as nossas empresas são de grande orgulho para a família Teixeira.

Obs:
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  1. 1 Comentário para “Dr. Milton Teixeira”

  2. HOLA MILTON: CUÁNTOS AÑOS DE NO VERNOS!!DEL AÑO 79 CUANDO ESTUVE EN BRASIL.ME GUSTARIA QUE ME MANDARAS TU E-MAIL ASI NOS COMUNICAMOS DESPUÉS. RECORDÁS LA ESCUELA DE ARTE DE LA UNIVERSIDAD DE CÓRDOBA, ARGENTINA?.
    MI E-MAIL ES: juliaahumadaf@hotmail.com.
    MI TEL ES: 03541-15617526
    03541-425240 (ANTES DE DISCAR TENÉS QUE PONER LA CARACTERISTICA PARA LLAMAR A ARGENTINA QUE NO LA SE). UN ABRAZO, JULIA.

    Por Julia Ahumada em set 25, 2009

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