Fala Povo
- fevereiro 5, 2007
Se achasse uma carteira com dinheiro você devolveria?
Em um país como o Brasil, tão acostumado a ouvir histórias de desonestidade e falcatruas soa estranho quando alguém fala em ética, por exemplo. Valores básicos, como a honestidade estão cada vez mais escassos. Recentemente um vigia de um centro comercial de Bogotá encontrou uma valise com US$ 4,5 mil e devolveu o dinheiro ao seu proprietário, evitando assim que ele perdesse a sua casa. Essas notícias chegam a chocar algumas pessoas. A equipe do Jornal Vicentino saiu às ruas para saber o que os entrevistados fariam se encontrassem na rua uma carteira com dinheiro. Confira as respostas.
A política nacional é um dos cenários onde mais se vê atos desonestos, com algumas exceções. O esforço em não ser corruptível é um exercício diário nas mais distintas áreas e segmentos. Essa realidade não é diferente no resto do mundo.
Alguém totalmente honesto parece até utópico e impossível, mas histórias como a do gari Sebastião Breta, 43 anos, que entregou ao dono o dinheiro que achou no lixo, provam o contrário. Essa ação desencadeou outra de um padre que soube da notícia e resolveu então fazer uma campanha para conseguir o mesmo valor e dar ao pedreiro. Em pouco mais de uma semana, cerca de 30 pessoas da região fizeram doações e a quantia foi arrecada.
A discussão sobre o assunto levanta algumas questões que a princípio parecem descartáveis. Para saber qual seria a reação das pessoas ao se depararem com situações como a do vigia e do gari, a equipe do JV foi ao Centro da cidade para perguntar o que fariam os entrevistados. A maioria disse que devolveria com certeza, leia as respostas.
A moradora do bairro Vila Mirim, em Praia Grande, Gisele Brito Miranda, devolveria se encontrasse um endereço. “Se desse para encontrar a pessoa eu devolveria”, conta. Para ela os políticos deveriam seguir exemplos como esses. “Na verdade seria uma obrigação”.
“Devolveria porque o dinheiro não é meu e se fosse o contrário eu também gostaria que devolvessem”, diz o morador do Gonzaguinha, Edson Teixeira. Ele conta que as atitudes honestas valem de exemplo para os políticos brasileiros. “A gente estaria dando exemplo para os políticos, pegando apenas o que é nosso e respeitando o que é dos outros”, completa.
Iolanda de Oliveira Matias, moradora do Humaitá, também devolveria o dinheiro. “A gente tem que ser honesto e se tem como achar a pessoa a gente tem que devolver”, enfatiza. Ela lembra ainda que muitas vezes a pessoa que devolve ganha alguma recompensa. “Se for uma pessoa que precisa não aceitaria, mas se é alguém que tem dinheiro uma recompensa seria boa”.
O morador do Voturuá, Moacir Cesar do Nascimento, confessa que só devolveria se soubesse o endereço da pessoa. “Se não tiver com achar eu não devolvo, eu não vou sair procurando”, confessa.
“Tentaria devolver com o dinheiro e tudo dentro”, comenta a moradora do bairro Jardim Guassu, Magnólia de Cassia. Ela ainda explica que devolver seria o princípio da honestidade. “Já achei carteira vazia e me senti bem”, finaliza.
Para Júlio César Santana dos Santos, morador do Guarujá, devolver algo que não é seu é básico. “Lógico que devolveria, porque se fosse minha também gostaria de receber de volta”, conta. Júlio completa ressaltanto que os brasileiros deveriam seguir exemplos assim de honestidade. “Acho que isso mudaria o País”.
Eduardo da Conceição Marques, morador do Bom Retiro em Santos, devolveria apenas os documentos. “Dependendo da quantia eu devolveria. Se fosse pouco a pessoa iria precisar”, conta. Para ele falta honestidade na maioria da população brasileira. “As pessoas deveriam ser mais honestas, principalmente os políticos”, conclui.
O morador do Quarentenário, Jair Maciel, também devolveria a carteira se achasse. “Ainda mais se tiver documentos”, ressalta. Jair diz que de início não procuraria a pessoa, mas sim esperaria alguém procurar. “Ficaria com ela até ouvir algum comentário, teria que ter certeza de quem é o dono”, completa.
“Se eu achasse provavelmente eu devolveria, porque já aconteceu comigo e eu devolvi”, comenta Luiz Fernandes de Araújo Filho, morador do Centro. Ele lembra ainda que estão faltando exemplos de honestidade no País. “Hoje é difícil alguém fazer isso, mas o normal seria isso”.
Para Célia Maria, moradora do Parque Bitaru, devolver algo que não é seu seria o correto. “Acho que é uma obrigação devolver algo que não é dela”, enfatiza. Célia completa dizendo que se houvesse recompensa seria bom. “Eu aceitaria uma recompensa sim”, finaliza.
A moradora do Humaitá, Marilza Terezinha Rocha Dias de Abreu, também não pensaria duas vezes e devolveria uma carteira com dinheiro. “Lógico, porque é obrigação de uma pessoa honesta fazer isso”, comenta. Para ela mesmo se não encontrasse o endereço, devolveria na polícia. “Levaria para a polícia com dinheiro e tudo”, completa.
Ana Carolina Benitz, moradora do bairro Vila Antártica na Praia Grande, só devolveria se encontrasse o endereço dentro. “Se fosse comigo eu gostaria que alguém devolvesse”, ressalta. Ela comenta que o Brasil está precisando de mais honestidade. “Esses atos só valem para nossa consciência, porque para o mundo é indiferente”, conclui.





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