Juca Kfouri

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Paulistano do bairro do Itaim-Bibi, ainda adolescente Juca Kfouri ingressou na Aliança Libertadora Nacional (ALN) em plena ditadura militar, por acreditar na democracia. Cursou Ciências Sociais na USP, mas acabou não concluindo a faculdade devido a paixão que até hoje pulsa em suas veias: o jornalismo.

Juca é apresentador e comentarista de TV e rádio, colunista de jornais de grande circulação e ainda mantém um blog na internet. Mas não surpreendeu ao provar mais uma vez o quanto é profissional, respondendo às perguntas do Jornal Vicentino.
Kfouri falou sobre sua infância tranqüila na antiga Chácara Itaim, atual bairro do Itaim-Bibi em São Paulo. Comentou sobre a militância política ainda na adolescência contra a Ditadura Militar que governou o Brasil por décadas.
Com o objetivo de entender melhor o Brasil e o mundo, Juca cursou Ciências Sociais na USP mas acabou não concluindo a faculdade. Como ele mesmo diz o emprego de arquivista na Editora Abril foi algo totalmente inesperado, que o levou ao Jornalismo.
A partir daí Juca jamais perdeu a paixão pela profissão que o destacou como um dos melhores jornalistas do Brasil.
Durante a entrevista Juca falou sobre sua experiência como editor das revistas Placar e Playboy, seu desligamento da Editora Abril e comentou sobre o jornalismo investigativo, que é latente em sua carreira.
Comentou também sobre seu mais novo programa “Juca Entrevista” na ESPN Brasil e ressaltou que não faz planos para o futuro apenas segue seu caminho como profissional. Confira a entrevista na íntegra.
Jornal Vicentino - Onde o senhor nasceu e quais recordações tem da infância?
Juca Kfouri
- Sou paulistano e ainda brinquei de bolinha de gude e joguei futebol em ruas sem asfalto, na antiga Chácara Itaim, onde morava, hoje o impossível bairro do Itaim-Bibi.
JV - Ainda adolescente o senhor foi militante na Aliança Libertadora Nacional (ALN) no combate à Ditadura Militar. Qual o motivo e como ingressou na ALN?
Juca
- A indignação de um jovem contra a falta de liberdade e a violência de um golpe militar que derrubou um governo democraticamente eleito. Se bom ou ruim, não importa. Importa é que foi eleito. Se era para ser derrotado que fosse nas eleições seguintes.
JV - A opção em cursar Ciências Sociais na USP foi por ter participado da ALN?
Juca
- Não, porque quando entrei na faculdade ainda era da ALN. Foi uma busca de entender melhor o Brasil e o mundo.
JV - Como foi a época em que cursou a faculdade?
Juca
- Foram tempos duros, em que se tinha medo de ter telefone para não ser grampeado e da perua C-14, da Chevrolet, que era usada pelos orgãos da repressão, como o DOI-CODI.
JV - Quando e como surgiu sua paixão pelo futebol?
Juca
- Acho que desde que nasci, herança paterna.
JV - Ao 24 anos o senhor foi trabalhar no Departamento de Documentação (Dedoc) da Editora Abril. Por que optou em trabalhar nesta área?
Juca
- Aos 20, aos 20 anos. E não optei. Como quase tudo que aconteceu em minha vida, foi algo inteiramente inesperado, um convite surpreendente e que acabou por me fazer mudar o rumo de meus projetos, todos no sentido de seguir vida universitária.
JV - Foi aí que surgiu o interesse pelo jornalismo?
Juca
- Aí é que eu fui picado pelo vírus do jornalismo, sem dúvida.
JV - Por já estar trabalhando dentro de uma empresa de comunicação o seu primeiro emprego como jornalista foi na Editora Abril?
Juca
- Foi, exatamente como arquivista-pesquisador do Dedoc, uma função jornalística, para a qual precisei obter o registro de “jornalista provisionado”, figura que existia à época quando ainda eram poucas as escolas de jornalismo e poucos os profissionais diplomados.
JV - Na década de 1980 o senhor foi chefe de reportagem da revista Placar, época em que publicou matéria sobre a máfia da loteria esportiva. Sofreu ameaças por causa da reportagem?
Juca
- Na década de 1980 eu já era diretor de Placar (assumi a chefia de reportagem em 1974 e a direção em 1979) e houve sim ameaças, a ponto de a Abril designar seguranças para me proteger a mim e à minha família. A denúncia sobre a Máfia da Loteria é de outubro de 1982, em reportagem de Sérgio Martins.
JV - Acredita que o jornalismo investigativo é mais latente em sua carreira pelo fato de ter sido militante político?
Juca
- Certamente. Sempre fui um militante, no jornalismo, inclusive. E não acredito nem em objetividade jornalística nem em que jornalista não tem lado. Porque tem: o lado da cidadania.
JV - O brasileiro tem duas paixões, mulher e futebol, e o senhor teve oportunidade de trabalhar em duas revistas segmentadas (Placar e Playboy). Comente um pouco sobre sua passagem pelas duas revistas.
Juca
- Pois é. Diziam que eu era o mais afortunado dos jornalistas, porque vivia entre as “peladas”: as do futebol na Placar e as das capas da Playboy. Foi um período ótimo, gostei muito de fazer a Playboy, cuja redação, por menos que as pessoas acreditem, é igual a todas as outras.
JV - Quando e por quê resolveu se desligar da Editora Abril?
Juca
- Em 1995, porque recebi um pedido, não para elogiar, mas para não mais criticar o presidente da CBF, dados os interesses da então nascente TVA.
JV - O senhor brigou com dirigentes da CBF. Como se deu essa polêmica?
Juca
- Eu sempre briguei com a estrutura arcaica, anti-profissional e corrupta de nosso futebol. Não é uma questão de pessoas, mas estrutural.
JV - Quando e qual o motivo de ter se decepcionado com Pelé?
Juca
- Exatamente por ele, depois de ter sido fartamente responsável por encurralar o presidente da CBF nas CPIs, ter se abraçado a ele no inqualificável “Pacto da Bola”. Foi das maiores decepções de minha vida e até desisti de escrever a biografia autorizada dele, por ele encomendada a mim.
JV - Seu mais novo projeto é o programa televisivo, transmitido pela ESPN Brasil, Juca Entrevista. Como está sendo a experiência de comandar o programa?
Juca
- Tão gostosa como é o dia-a-dia entre pessoas que se gostam, se respeitam e garantem a independência de seu trabalho. E não exigem que jornalistas façam propaganda.
JV - Quais os projetos para o futuro?
Juca
- Os que o futuro reservar. Como disse, não escolho os caminhos, os caminhos é que vão surgindo pela vida afora.

11 respostas para 'Juca Kfouri'

  1. PRIMIANO Diz:

    MUITO LEGAL SABER UM POUCO MAIS SOBRE A VIDA DESSE JORNALISTA ESPORTIVO TAO BOM DO BRASIL.
    VALEU A PENA. PARABENS.

  2. ivan szmuk Diz:

    Fala Juca….

    Apenas curiosidade: vc lembra? Do Costa Manso? Eu era aquele húngaro pentelho, nadador…. he, he, he…estudamos na mesma classe no terceiro e quarto ginasial. Eu o Ivan, o Patriani, o Danielli, a Leila, o Nei, o Flávio etc…

    Abraços

    ivan szmuk

  3. vinicius branco Diz:

    \~Então, Juca, eu também passei toda a infância e adolescência ali na Chácara Itaim, hoje Itain Bibi.
    Eu morava em uma pequena rua chamada Sta. Balbina, esquina com Guilherme Banitz, a uma quadra da chácara que deu nome ao bairro - ou do que havia sobrado dela, e lembro das entusiasmadas festas juninas que ali eram festejadas, à luz dos fogos comemorativos.
    Também estudei no Costa Manso dirigido pelo saudoso professor Athos, e tive o privilégio de desfrutar do ensino público no tempo em que ainda era comparável ao privado.
    Joguei muito salão naquela quadrinha. Bons tempos.
    Na esquina da então Jesuíno Cardoso (hoje Dr. Alceu de Campos Rodrigues) com a Av. Sto. Amaro, a uma quadra de casa, havia um ponto de táxi frequentado por motoristas à moda antiga, qie dirigiam antigos Fords e Chevrolets invariavelmente prêtos.
    Na esquina da Sto. Amaro com a Dr. Alceu havia a Panificadora Vila Nova Conceição, que repoduzia pâezinhos e broches deliciosos, feitos no forno à lenha, mantida ao longo da calçada.
    Lembro também da Barbearia Vila Nova, bem ao lado da Panificadora, sobretudo dos aromas que já haviam impregnado para sempre o salão - um misto de loção de barba barata, óleo para cabelo e o enjoativo cheiro de talco - e me recordo dos comentaristas esportivos analisando as partidas jogadas e aquelas por vir, falando ao vivo no rádio de madeira, tornando o clima ainda mais exótico.
    “- laranja Madura, na beira da estrada…”
    Isso tudo associado à impressionante coleção de flâmulas de todo o tipo e procedência, do extinto - e também saudoso, para quem o conheceu - Jabaquara F.C., ao Santos F.C. que reinava sozinho àquela época, tendo Pelé como engenheiro.

    Bom, esse é só um curto e rápido regresso ao passado do qual lembro com saudade e prazer.

    Grande abraço

    inicius Branco

  4. BloggerBlogger Diz:

    Ao
    Juca Kfoury

    Você é a mais novo star do meu blog http://itaim-bibi.blogspot.com

    BloggerBlogger

  5. juca kfouri Diz:

    Juca, fomos quase vizinhos morava na vila olimpia, mas sonhei em ser jogador de futebol jogando sempre nos times do itaim (MARECHAL FLORIANO, G.D.CANTO DO RIO,MARITIMO ENTRE OUTROS),

  6. R. RODRIGUES Diz:

    Juca, moro em Recife/PE, gosto muito do seu trabalho, ora, acho um absurdo o que a diretoria do sport, clube mais conhecido como “ACOISA”, estar fazendo. Para você ter idéia estão promovendo uma campanha para espalhar OUTDOOR pela Cidade parabenizando o time do São Paulo por ser PENTA CAMPEÃO BRASILEIRO. O que você acha deste ´procedimento. Agora eu te pergunto. O flamengo é realmente o CAMPEÃO BRASILEIRO DE 1987, para mim não resta dúvida.

  7. Emanuel Paiva Diz:

    Tudo bem Juca!
    Apesar de eu ser Carioca e Vascaíno, gosto muito da sua postura e suas críticas em relação ao Futebol Brasileiro.

    Bem, sei que muitas pessoas o processam, mas falar a verdade dói, né?

    Um abraço do armirador,
    Emanuel Paiva

  8. Antonio Carlos Diz:

    Parabens Juca! Sou carioca e Flamengo, apesar de morar em Goiânia. è um grande prazer escrever alguma coisa pra vc. Te acompanho há muito tempo mas só há pouco tempo acompanho teu blog. Acho vc um homem muito corajoso. Muito raro, principalmente, na imprensa esportiva. Vc bate de frente com poderosos e o Pres. da CBF é muito forte e corrúpto, assim como os políticos que ele vive comprando. Vivi minha juventude no Rio durante o golpe militar e acompanhei essa página escura da nossa história. Quanto ao Pelé, não perdia um jogo do Santos no Maracanã, que era o campo “oficial” do Santos, na época. Nunca vai existir nenhum jogador melhor nesse planeta mas quanto ao cidadão Edson Arantes do Nascimento…

  9. José Rafael Motta Neto Diz:

    Juca
    Estou aproveitando este meio de contato com você pelo seguinte:
    Sou professor universitário na UNINOVE, na área de Marketing e Administração e gostaria de tê-lo nos dando uma palestra sobre Marketing Esportivo ou tema correlato para platéia de pelo menos 500 alunos em nosso Auditório na Vila Maria.
    Agora deixe eu me apresentar. Fui aluno do Liceu Eduardo Prado de 1967 a 1969 no Curso Tecnico de Administração de Empresas e seu colega de classe no 3° ano em 1969, juntamente com outros colegas como Maria Candida de quem eu me lembro nesse instante. Cheguei a me encontrar contigo no espaço destinado a jornalistas do Pacaembú, há muitos anos atrás num jogo classificatório entre Flamengo e Gremio pela Libertadores quando consegui adentrar nesse recinto junto com parente meu que era jornalista. Não sei se voce se lembra desse rápido momento quando nos recordamos daquela época do Liceu Eduardo Prado.
    Tenho acompanhado sua carreira e tenho muito orgulho de ter sido seu colega de classe. Eu me formei na Getúlio Vargas onde também estudou Maria Candida e de lá para cá me firmei na área acadêmica onde já estou há mais de 10 anos.
    Agora, como professor universitário leciono Marketing para mais de 500 alunos por semestre e seria um honra para nós da família UNINOVE ouvindo suas palavras pessoalmente.
    Aguardo sua resposta e em caso positivo meu endereço de e-mail acima está a sua disposição para sua manifestação.
    Abraços do
    Rafael

  10. josé carlos andré Diz:

    Juca; foi ótimo ter lido um pouco de sua história, e hoje tenho muito orgulho do profissional que voce é, só queria ressaltar aqui nestas suas passagens no futebol nos clubes acima citados, talvez tenhamos jogado juntos algumas partidas, comecei no maritimo (seu Reinaldo), passei também pelo Marechal Floriano, mas meu laço forte mesmo é o G.D.Canto do Rio do Itaim Bibi, onde virei o TAMBA! iNFELIZMENTE O KASSAB ACABOU COM O NOSSO ESPAÇO.
    Mas o Canto do Rio Agoniza mas não morre, segue e continua vivo.

  11. jefferson Diz:

    ola juka parabens vc é sem duvida uns dos grande jornalista desse pais continue sempre assim abraço
    a e deixa eu dizer uma coisa eu tenho uma camiseta do corinthians de 1977 bordada a mão o imblema ok vc acha que eu deveria fazer com essa raidade ?

    abraço

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