O que mais atrapalha o aprendizado nas escolas públicas?

O ensino público continua com qualidade inferior ao ensino privado. Uma das principais justificas da baixa qualidade das escolas é a remuneração inferior dos professores. Mas, recente pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que os salários entre os profissionais da rede pública e privada são quase os mesmos. O que será que mais atrapalha a aprendizagem dos alunos nas escolas públicas?Um dos principais motivos apontados para a má qualidade do Ensino Público é o baixo salário dos professores. Mas, uma recente pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), revelou que a renda média dos professores da rede pública é quase a mesma dos profissionais do setor privado.
Ainda de acordo com a pesquisa, a diferença do salário não passa dos 11% entre os professores do Ensino Médio. Mas, se forem computados benefícios como o da aposentadoria, a situação se reverte a favor do professores da rede pública.
No último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a média dos estudantes da rede particular na prova, que vale 100 pontos, foi de 52,7. Já o desempenho dos estudantes da rede pública foi bem abaixo, com média de 39,5 pontos.
Os dados levaram a equipe do Jornal Vicentino às ruas para perguntar qual é o maior problema da aprendizagem no ensino público de acordo com a população.
Para Felipe Ribeiro Mathias, do bairro da Cidade Náutica, a má qualidade do ensino não se deve só ao salário. “A baixa remuneração desmotiva, mas o principal problema é a falta de qualificação”. Mesmo assim, ele acha que há outros problemas. “Para resolver tem que mexer em muita coisa na educação, como os diretores e a preparação dos alunos”.
A mesma opinião tem Marli de Souza, da Cidade Náutica. “Todos os professores precisam ganhar melhor, para ficarem mais empenhados”. Ela acha também que deve haver investimento em outros setores. “Além dos professores, deve-se investir mais, de um modo geral, nos alunos”.
Alcides da Conceição, do bairro do Japuí, acredita que é necessário mais empenho por parte dos governantes e do povo. “Há muita burocracia por parte dos políticos e atrapalha a construção e no melhoramento de escolas”. A bronca também vai para a população. “Nós brasileiros precisamos parar de falar de futebol e sair à rua para reclamar, assim nós seríamos atendidos melhor, porque sem estudo não vamos para lugar nenhum”.
“O problema é a falta de estrutura do ensino”. Essa é a opinião de Debora Cristina Carneiro, moradora do bairro Vila São Jorge, em Santos. “Precisa melhorar muita coisa. Muitos alunos só pensam em destruir a escola, atrapalhando aqueles que querem estudar”.
De acordo com Maria do Carmo Martins, do Parque Bitaru, o principal preocupação é o empenho e vontade dos profissionais. “Muitos professores não tão preparados. As crianças chegam muitas vezes em casa sem nenhuma tarefa para fazer”.
A moradora do bairro Náutica III, Edna Ribeiro, acredita que os professores não são os únicos culpados pela má qualidade do ensino público no Brasil. “Muitos professores deixam a desejar, mas a culpa é também da falta de educação dos alunos, tanto em casa, quanto na escola”.
A educação dos alunos é a principal preocupação de Maria Bispo dos Santos, do bairro Jardim Rio Branco.  “Há muitos alunos mal-educados na sala de aula e essa responsabilidade não é só das escolas, mas dos pais, em casa”.
Maraildes Ribeiro da Costa, moradora do Parque Bitaru, também acha que o principal problema do ensino não são os professores, e sim, os pais dos alunos. “Deveria haver mais respeito dos estudantes com os professores. A educação vem de casa”.
Antonio Amedi de Almeida, do bairro da Biquinha, elege os políticos como os principais culpados pela má qualidade da educação. “A educação é um reflexo da política, de tanta corrupção. “Tem que mudar lá em cima, com bons exemplos deles, para mudar tudo aqui embaixo e organizar a educação”.
“Os professores deveriam ser mais qualificados”, de acordo do Eliseu Matos, morador do Jóquei Clube. “Não adianta eles saberem o que está nos livros, eles têm que saber passar o aprendizado. Para isso é necessário mais preparação e mais cursos”.
De acordo com Alessandro dos Santos, morador da Cidade Náutica, o grande problema é a corrupção. “O dinheiro dos impostos não são revertidos para a educação. Sem dinheiro não dá para remunerar bem os professor, capacitá-los e não se pode construir novas escolas”.
José Francisco da Silva, do bairro Vila Sônia, em Praia Grande, acha que precisa mudar a preparação dos professores. “Eles precisam ser mais capacitados e melhor remunerados”.

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