Personalidades
- abril 16, 2007
Altair Polsin

O esforço e o desempenho exemplar fizeram do Coronel Altair José Polsin um oficial do Exército Brasileiro extremamente dedicado e competente na função que lhe é
atribuída. Desde pequeno, Polsin aprendeu o valor de se empenhar ao máximo para conquistar seus objetivos. Amante de desafios, Polsin se mostra um oficial
preparado para atuar onde quer que o Exército Brasileiro lhe convide ou consigne
Filho de militar, o coronel e comandante do 2º Batalhão de Infantaria Leve (2º BIL) Altair José Polsin aprendeu desde cedo o respeito e a dedicação aos estudos.
Ainda criança, aos 10 anos, Polsin passou no concurso para estudar no Colégio Militar e desde lá aprendeu a respeitar e defender o Brasil como cidadão.
Aos 13 anos passou no concurso para o Colégio Preparatório de Cadetes do Exército, onde começou sua vida militar. Durante a entrevista, concedida no 2 º BIL, onde é comandante, Polsin contou sobre sua trajetória dentro do Exército Brasileiro e falou também sobre família. Confira a entrevista.
Jornal Vicentino - O senhor nasceu em Porto União (interior de Santa Catarina) mas aos cinco anos foi morar em Curitiba. Sentiu grande diferença ao mudar-se para uma capital?
Coronel Altair Polsin - Fiquei em Porto União até os cinco anos. Depois meus pais se mudaram para Curitiba, onde morei até meus 14 anos. Não lembro muito dessa mudança, era pequeno, então foi tranqüilo sem problema nenhum. Quando eu mudei já fui para a escola e esse foi o maior impacto naquele momento.
JV - Como foram seus nove anos em Curitiba?
Cel Polsin - Hoje me considero mais curitibano do que de Porto União. Lá (Curitiba) estudei em escola pública, me orgulho muito disso. Era um grupo escolar chamado Cristo Rei, que era próximo a minha casa, que me deu uma base muito boa. Fiz os quatro anos do antigo primário. Depois fiz um concurso para ingressar no Colégio Militar de Curitiba, onde estudei até a oitava série.
JV - Porque a opção por estudar em colégio militar?
Cel Polsin - Meu pai é sargento reformado do Exército, então ele viu ali (Colégio Militar de Curitiba) um estudo de qualidade e a facilidade por ser militar. No quarto ano primário eu estudava no grupo (escolar) e a tarde fazia um cursinho preparatório de admissão no colégio militar. Tinha nessa época nove anos, estudava de manhã e a tarde.
JV - Quando e como soube que conseguiu ingressar no Colégio Militar de Curitiba?
Cel Polsin - Lembro que num almoço, num dia X, chegou um jipe do Exército entregando um cartão assinado pelo comandante do colégio cumprimentando os meus pais por eu ter passado em terceiro lugar no concurso de admissão. Então essa passagem foi muito marcante na minha vida.
JV - Quais foram suas impressões ao ingressar na instituição de ensino do Exército?
Cel Polsin - Senti uma diferença muito grande, tinha 10 anos. No começo fiquei um pouco assustado pelo tratamento mais rígido. A criança estranha bastante e meu pai falou, pela experiência dele de já ter sido soldado, me disse que era assim mesmo e pediu para eu ficar tranqüilo e me adaptar e me adaptei. Fiz até a oitava série no colégio militar.
JV - Aos 13 anos o senhor se inscreveu para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas, e aos 14 anos ingressou na escola. Como foi essa mudança sendo que seus pais continuaram em Curitiba?
Cel Polsin - Na escola preparatória, o aluno fica interno. Atualmente o aluno só faz o terceiro ano, na época eu fiz os três anos. No início eu senti bastante porque eu já não contava mais com o apoio da família, somente a distância. Mas eu tive que aos 14 anos resolver meus próprios problemas. O estudo era puxado e bastante intenso, já tinha experiência da rigidez do colégio militar. A escola é o portão de entrada para o oficialato, então aos 14 anos eu posso dizer que comecei a minha vida militar. Mas em um curto espaço de tempo me adaptei, consegui concluir com êxito a escola preparatório e de lá fui para a Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende.
JV - Na Aman os cadetes são obrigados a escolher que caminho seguir dentro do Exército. Porque a escolha pela Infantaria?
Cel Polsin - Com 17 anos estava na Aman, fiz os quatro anos. Naquela época o primeiro ano era o curso básico e no início do segundo ano a gente fazia a opção pela arma (Infantaria, Artilharia, Comunicações). Eu optei pela Infantaria, meu pai era infante e eu sempre senti uma atração pelas atividades da Infantaria. Acho que a Infantaria trata com pessoas, o grande feito é que os comandantes conduzem homens ao combate. A Infantaria é o homem avançando no terreno, enfrentando as dificuldades.
JV - Desde pequeno pode-se notar todo sua dedicação pelo Exército, ao ponto de utilizar o período de férias para realizar um curso militar. Como se deu isso?
Cel Polsin - No terceiro para o quarto ano, nas férias escolares, ao invés de aproveitá-las como a maioria do pessoal fez eu e alguns outros cadetes fizemos o curso básico de paraquedista na Brigada Paraquedista no Rio de Janeiro. Um curso difícil que exige preparação física. É gratificante quando você conclui o curso e supera todas as dificuldades.
JV - Em 1982, após cursar os quatro anos, o senhor se formou pela Aman e foi declarado aspirante a oficial do Exército. Qual foi sua primeira experiência como aspirante?
Cel Polsin - Foi em Joinville (SC), no 62º Batalhão de Infantaria. Foi muito boa, eu fui designado para comandar o pelotão de operações especiais. Fui muito feliz e aprendi bastante. Passei três anos lá e durante esse tempo tive a oportunidade de realizar um curso de oficial de comunicações no Rio de Janeiro.
JV - Pelo que disse a Infantaria exige mais o lado psicológico. Como é a maneira do senhor atuar no 2º BIL, Batalhão Martim Afonso?
Cel Polsin - A gente tem que trabalhar com a liderança dos comandantes. Incentivar as lideranças dos comandantes em todos os níveis, desde o cabo passando pelo sargento, tenente, capitão, major. E a gente tem que estar sempre se atualizando nas questões de liderança, lendo novos livros e novas idéias. Procuro passar para o pessoal que os comandantes têm que estar dispostos a servir, a liderança baseado no servir é muito mais eficiente. Comandar é mandar com os outros. Aqui no Batalhão eu digo que o pessoal faz o que quer.
JV - Como o senhor trabalha essa liberdade com seus comandados?
Cel Polsin - São apresentados os regulamentos, as normas, as leis e basta cumprir o que está previsto. Não precisa o comandante ficar observando se cada um vai fazer o que está previsto, basta cada um fazer. Chamamos isso de disciplina consciente. Quando se tem a disciplina consciente na unidade o trabalho é muito mais leve, mais tranqüilo e cada um sabe o que tem que fazer. Aqui o pessoal utiliza o livre arbítrio, cada um faz as coisas por opção ele sabe o que tem que fazer. Não preciso ficar obrigando o soldado, o cabo, o sargento a fazer.
JV - Após passar três anos em seu estado natal (Santa Catarina) o senhor foi convidado para ser instrutor na Aman. Como primeiro tenente o senhor foi instrutor no curso de Infantaria…
Cel Polsin - Passei dois anos como instrutor, na qual aprendi muito. O instrutor muitas vezes enfrenta mais dificuldades do que o próprio cadete. Eu fui comandante de pelotão do segundo ano de Infantaria, que na época existia. A alvorada para os cadetes era 5:50 horas e eu as 5:40 estava lá, antes da alvorada e eu saia depois das 21 horas depois da academia. É dedicação integral para formar o cadete. É sacrificante para a família, mas faz parte da carreira.
JV - O senhor falou em família e as dificuldades que ela enfrenta. Como conheceu sua esposa?
Cel Polsin - Conheci minha esposa lá em Joinville mesmo. Estávamos em férias e ela estava na casa da irmã dela que era casada com um capitão, e nos conhecemos lá. Foi na praia do Forte que fica próxima a Joinville, começamos a namorar e nos casamos em dezembro de 1986, justamente no meio da minha missão como instrutor na Aman. Ela é mulher de militar, várias vezes ela abriu mão de coisas pessoais para ficar comigo.
JV - Após ficar dois anos como instrutor da Aman, quais foram suas experiências até chegar em São Vicente?
Cel Polsin - Lá fui promovido a capitão. Belo Horizonte foi uma época de muita realização, tive a oportunidade de fazer curso de montanhismo do Exército, passei três anos, nasceu minha filha. Depois disso fiz a escola de aperfeiçoamento de oficiais, como capitão no Rio de Janeiro. Um ano de estudo onde aprendemos o planejamento até o nível batalhão e aí nasceu meu segundo filho. Terminado o curso fui para Paraná, em Ponta Grossa por um ano porque fui convidado a voltar para ser instrutor na escola de aperfeiçoamento de oficiais. Fiquei dois anos e fui convidado para participar de uma missão de paz na Bósnia.
JV - Aceitou esse desafio de participar da missão de paz?
Cel Polsin - Aceitei, sempre aceito os desafios. Foi a única vez que fui desacompanhado da família. Vivi aquele momento de dificuldades, um momento bastante crítico e de muita tensão. Nós estávamos realizando uma viagem num comboio e fomos emboscados pelos sérvios. Foi um ano de experiência de guerra, ainda que eu não estivesse na guerra porque o observador militar ele participa desarmado. Mas a gente esteve vendo a guerra bem de perto, aprendi muito e aprendi a valorizar o soldado brasileiro porque se adapta as adversidade e tem a capacidade de improvisação muito grande. Foi sem dúvida um dos momentos mais marcantes da minha carreira. Fiquei um ano, de setembro de 1994 a setembro de 1995.
JV - Em 1997 o senhor prestou o concurso para a Escola de Comando Maior do Exército, na qual passou e estudou por dois anos e foi convidado a permanecer lá como instrutor. Por quanto tempo ficou como instrutor?
Cel Polsin - Quando estava no segundo ano fui convidado para permanecer, aceitei o convite e permaneci por três anos como instrutor.
JV - Como foi atuar em Brasília, no Estado Maior do Exército?
Cel Polsin - Em 2002 eu trabalhava em uma das assessorias do Comandante do Exército em Brasília. Trabalhei um ano e aprendi muito, é o maior nível dentro do Exército. Aceito todos os desafios e isso eu procuro passar para os meus subordinados e principalmente para os meus filhos. Não podem ter medo dos desafios. Tive a oportunidade de ver o Exército desde o pequeno até o nível decisório.
JV - Depois de passar esse período em Brasília o senhor foi ministrar um curso na Argentina. Conte sua passagem no exterior?
Cel Polsin - Em 2003 realizei o curso na Escola Superior de Guerra do Exército Argentino. Fiquei dois anos lá com a família e tive a oportunidade de conhecer a Argentina e o Chile. Voltei para o Brasil e fui designado para a Escola de Comando Maior do Exército para ser novamente instrutor por um ano e fui nomeado do 2º BIL.
JV - Por conta de ser convidado e consignado a servir em outros Estados, seus filhos nasceram em cidades diferentes?
Cel Polsin - Tenho três filhos, a minha esposa é paranaense. Minha primeira filha é mineira, nasceu em Belo Horizonte; meu segundo filho é carioca e o terceiro filho nasceu em Brasília. É uma família típica de militar, especialmente do oficial.
JV - Pelo fato de ser transferido regularmente o senhor conheceu vários Estados e regiões brasileiras. Quais os locais que ainda não conheceu?
Cel Polsin - A região de São Paulo eu não conhecia, só de passagem. Agora nesses dois anos estou tento a possibilidade de conhecer. Só não conheço o Pantanal e o Nordeste, mas tenho vontade de conhecer. Se o Exército me permitir, me proporcionar essa oportunidade irei com muito prazer. Senão depois quando for para a reserva vou conhecer.
JV - Quais são suas impressões sobre a região metropolitana da Baixada Santista?
Cel Polsin - Todo mundo sempre me falou bem da Baixada Santista. Tenho amigos que são daqui desde a época de cadete a gente conversava. Quando fui nomeado comandante eu tive uma surpresa muito agradável, estava na Escola de Comando do Estado Maior do Exército, no Rio de Janeiro. Chegando aqui encontrei uma região muito agradável, uma sociedade que nos recebe muito bem. Além da sociedade dos integrantes dos amigos do batalhão. Minha família está muito bem aqui e muito bem integrada. Particularmente em São Vicente a gente tem um relacionamento muito caloroso tanto com autoridades quanto com pessoas bem simples.
JV - Com toda essa proximidade com a comunidade, o 2º BIL realiza projetos com a sociedade?
Cel Polsin - A gente vem desenvolvendo vários trabalhos. Estamos com 100 crianças do programa Forças no Esporte, são crianças da rede municipal de ensino de São Vicente, que vem para o quartel praticar esporte. Juntamente nessa parte esportiva, eles recebem orientação cívica, o fortalecimento da cidadania, noções de higiene, alimentação. E recentemente tivemos a idéia de colocar noções de música para as crianças. O empresário nos doou essas flautas e a gente já começou a trabalhar com essas crianças e no dia 4 de maio vamos fazer uma formatura para homenagear as mães. Durante essa formatura, fazendo parte da homenagem às mães vamos fazer uma apresentação dessas crianças.
JV - Como o senhor analisa as mulheres no Exército?
Cel Polsin - Hoje em dia é uma realidade. Nós temos aqui atualmente dentistas, médicas e este ano incorporamos quatro mulheres na parte administrativa do batalhão. Vejo de uma forma muito positiva, acho que elas têm muito a acrescentar a nossa instituição militar e são muito bem empregadas em alguns setores da organização militar. Elas estão perfeitamente integradas à unidade. Os militares vêem com muito profissionalismo e muito respeito as mulheres no quartel.
JV - Na Argentina e em outros países não existe a conscrição universal (alistamento militar), já no Brasil é ao contrário. Como analisa esses dois sistemas?
Cel Polsin - Tendo visto esse sistema na Argentina eu acho que o nosso sistema de alistamento é muito positivo. É universal, que possibilita a todos os jovens participarem da seleção e virem a ser soldado ou ser aluno do NPOR (Núcleo de Preparação Oficiais da Reserva). Isso possibilita ao jovem uma série de opções que se não tivesse vindo para o quartel nem tomaria conhecimento. Ele pode ficar até sete anos no Exército e durante esse período ele pode fazer cursos e também a gente orienta outras opções do Exército, além do jovem fazer cursos em parcerias com o Sesc, Sest/Senat e outras instituições.
JV - O senhor serviu o Exército em diversas regiões do Brasil e fez diversas amizades. Como é se despedir dessas pessoas?
Cel Polsin - Toda despedida é triste. Então eu não tenho amigos de infância, por outro lado eu tenho amigos desde que tinha meus 14 anos que acabaram entrando na carreira militar e que vira e mexe a gente acaba se cruzando. Posso dizer que tenho amigos em todo o Brasil e as vezes até no exterior. Tenho amigos na Itália, na Argentina. Meus filhos sentem muito cada despedida, em compensação que chegam em um novo lugar eles se adaptam e criam novos amigos. Da mesma forma esses amigos, mesmo que separados, quando se encontram aquela amizade ela volta.
JV - Seus filhos pretendem seguir a carreira militar?
Cel Polsin - Minha filha já está fazendo faculdade aqui na Baixada e tenho um filho que vai prestar concurso para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército. Ele está se preparando, estudando. Vamos ver se vai dar certo.




6 Comentários para “Altair Polsin”
Conheço a competência e o valor deste militar, pois fui seu subordinado no PELOPES do 62BI.
Por Margolf Neitzel em jun 6, 2007
Oi, Adorei a entrevista com o coronel, pois tbém gosto muito de militarismo, e principalmente do exército ainda mais sendo sa infantaria né?……rs.
Sou tbém um candidato ao concurso da Escola Preparatória de Cadetes do Exército, mais lendo esta entrevista tive uma dúvida e gostaria de saber se vcs poderiam me responder…..
Pode um cadete da AMAN ou um aluno da EsPCEx fazer a área de estágio na brigada Para-guedista e se formar um PQDT antes de ser um oficial?
Muito obrigado, estarei aguardando a resposta.
Lohan Prado de Castro.
Por Lohan em jun 28, 2007
Prezado Lohan Prado de Castro,
Na verdade não é estágio de pára-quedista e sim curso, o qual só poderá ser realizado após o oficial ou sargento ter concluído com aproveitamento a AMAN ou Escola de Sargentos, se for o caso.
Como aluno da EsPCEx não há possibilidade de realizar esse curso.
Por 3 Sgt Fonseca (2 BIL) em jul 12, 2007
Adorei ter encontrado esta entrevista com voce. Trabalho num curso que prepara alunos para concursos militares, e numa pesquisa encontrei voce sem querer, espero que lembre de mim tambem.
Por Balneri em jan 17, 2008
Ao Ilustre Comandante
Cel. Altair Ponsin
Pablo Perez Broadbent Hoyer, 1º Ten Inf (atual Chefe da Seção de Comunicação Social do Batalhão Martim Afonso).
Admiro-o pela sua competência, liderança e extraordinária capacidade de lidar com seus subordinados. Muitas saudades, e que Deus o proteja.
Abraços.
Por 1º Ten Inf - 2º BIL em mar 7, 2009
Ao Ilustre Comandante
Cel. Altair Polsin
Pablo Perez Broadbent Hoyer, 1º Ten Inf (atual Chefe da Seção de Comunicação Social do Batalhão Martim Afonso).
Admiro-o pela sua competência, liderança e extraordinária capacidade de lidar com seus subordinados. Muitas saudades, e que Deus o proteja.
Abraços.
Por 1º Ten Inf - 2º BIL em mar 7, 2009