1º de maio: Dia do Trabalho

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Há exatos 121 anos, no dia 1º de maio, milhares de trabalhadores foram às ruas de Chicago, principal centro industrial dos Estados Unidos, naquela época. Uma greve geral parou o País. Foram manifestações, passeatas e discursos protestando contra as condições de trabalho desumanas. O dia de luta terminou com prisões, feridos e pessoas mortas nos confrontos com a polícia. Três anos depois, em 1889, um Congresso em Paris decidiu homenagear esses trabalhadores, que lutaram pelos direitos e serviram de exemplo para o mundo todo. Foi instituído então no dia 1º de maio, o Dia Mundial do Trabalho.

De lá para cá muita coisa mudou. Os trabalhadores fizeram muitas reinvindicações e conquistaram muitos direitos. Mas, essa não foi a única transformação. Muitas profissões muito populares e conhecidas da época foram caindo no esquecimento, sendo substituídas por máquinas e pelo avanço da tecnologia.
Muitos profissionais precisaram abandonar a profissão, outros conseguiram adequar-se ao mundo moderno e alguns resistem ao tempo e conseguem ainda sobreviver realizando, com orgulho, o trabalho que é passado de geração para geração.
Messias Basto Silva é alfaiate ingressou na profissão em 1961, depois de aprender a técnica com os profissionais que trabalhavam na firma do seu pai. “Naquela época nós tínhamos muita freguesia, 90% das pessoas procuravam alfaiates para fazer suas roupas”. Mas, com o tempo, a freguesia foi diminuindo. Messias explica o motivo: “Hoje existem confecções de outros países como o Paraguai e a China, grandes multinacionais e isso fez cair muito o movimento”.
Mas, o alfaiate garante que ainda tem uma clientela fixa que sempre utiliza o serviço. “Conseguimos manter cerca de 10% da nossa clientela”. Ele aponta os benefícios das pessoas que procuram um alfaiate. “A confecção de um costume (calça e paletó) é feita atualmente em duas horas, enquanto com um alfaiate demora quatro, cinco dias. O custo é bem maior, mas o serviço é exclusivo e fica perfeito”.
Para conseguir se sustentar, ele resolveu modernizar sua loja no Centro de São Vicente. Messias abriu uma confecção. “Nós terceirizamos as bermudas, calças, camisas, todas com a nossa marca. Agora além de fazer sob encomenda, temos os modelos prontos, que fazemos também os ajustes quando necessários”, acrescenta.
O comerciante acha que houve até uma melhora nos tempos atuais. “Eu uni uma coisa a outra, o serviço ficou mais personalizado. Hoje atendemos melhor o cliente do que há trinta anos atrás. Mesmo assim, ele revela que se pudesse escolher hoje não seria alfaiate. “Não estimulo ninguém a ser, estimularia a se aperfeiçoar num corte perfeito e montar uma indústria. Mudou a época e a indústria de consumo”.
Para Luciano Moreira, pescador artesanal, a tarefa é mais complicada. A profissão apresenta limitadas condições de expansão. Ele trabalha no ramo há 15 anos, depois de aprender as técnicas com amigos, em São Sebastião. Mas, ele explica que a situação é difícil. “Não dá para se sustentar só com isso nos dias atuais. Eu, por exemplo, trabalho como marceneiro também, senão não teria como sustentar minha família”.
Ele conta que nenhum pescador, com o barco pequeno, consegue sobreviver atualmente.  “Os barcos não conseguem ir além de alguns metros da praia. Nessa área, muitas vezes, não se pode pescar, porque é área ambiental, outras estão poluídas, além da própria pobreza natural das águas, em determinados lugares”.
Moreira afirma que o início da profissão foi bom “No começo era tudo mais fácil, lucrávamos mais. Hoje está difícil até vender o pescado. Eu gosto do que faço, mas está cada vez mais complicado”, finaliza.
No caso do sapateiro José Garcia Quintas, não existe a menor possibilidade de parar com a profissão, que aprendeu ainda garoto com um senhor italiano, em Santos. Com a técnica, ele abriu um negócio e depois de um tempo juntando dinheiro, conseguiu abrir uma sapataria em São Vicente.
O comércio já tem mais de 48 anos, é a primeira sapataria da Baixada Santista, e virou tradicional na Cidade. “No começo o movimento era fraco, mas começamos a aplicar capital e ele foi crescendo e melhorando bastante”. Mesmo achando que a profissão não será extinta, ele reconhece a diminuição da freguesia. “Antes, o movimento era bem maior, porque não havia tênis. O sapato era todo de couro. Hoje, é tudo de plástico, dura pouco tempo, é menos resistente, descola muito rápido”, explica o sapateiro.
Para superar os problemas, ele investe em um ótimo atendimento para o público. “Se você não trabalha, outro vai trabalhar. Nós abrimos às 7 da manhã e fechamos as 7 da noite, para que as pessoas possam deixar os sapatos antes de entrar no trabalho e pegar depois do expediente. Esse tipo de preocupação, a amizade com o cliente, faz a gente ganhar a confiança das pessoas”.
Ele tanto acredita que na profissão que ensinou a arte para o seu filho Luiz, que também trabalha com ele no estabelecimento. “Acho que hoje é difícil você optar por ser sapateiro, você vai encontrar muita dificuldade. Muitas vezes compensa mais você comprar outro na loja, devido a baixa qualidade do calçado”, admite Quintas.

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