Editorial
- maio 17, 2007
Aumento “Real”
Como já era esperado, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou, em tempo recorde, o aumento salarial de 28,5% para deputados, senadores, presidente da República, vice-presidente e ministros. Isso implica em um efeito cascata onde todos os políticos, de uma forma ou de outra, serão beneficiados. Pelo projeto, os salários dos parlamentares passam de R$ 12.847 para R$ 16.512,09. O do presidente da República subirá de R$ 8.885 para R$ 11.420; dos ministros e do vice-presidente de R$ 8.362 para R$ 10.748,43.
O projeto de reajuste segue para o Senado, mas não há data para votação. Mas, já foi mostrado qual é a tendência nas aprovações, primeiro na Câmara e recentemente nesta votação.
A votação foi simbólica, sem placar, e durou poucos minutos. O mais indicado em uma situação como essa seria retomar a tradição de uma legislatura definir o salário para a outra, o que evitaria se legislar em causa própria. Mas parece que também tradicionalmente prevaleceu o que é melhor para a “turma”. Como se o salário, mais as centenas de regalias não fossem suficientes.
Após a fatídica recusa do aumento de 91% aos parlamentares, na legislatura passada, os interessados no aumento não se deram por vencido e usaram artimanhas para que no final das contas o reajuste viesse. Dessa vez a base foi na inflação acumulado nos quatro últimos anos e custará aos cofres públicos a bagatela de R$ 610 milhões.
É no mínimo, sem trocadilhos, vergonhoso para os assalariados brasileiros, bem como para a classe média que sofre com a desestabilização da economia nacional. Em um país onde as diferenças sociais e o abismo que existe entre os ricos e os miseráveis é latente, fica a sensação de descaso e incapacidade do povo, que apenas tem o direito de saber, sem contestar ou opinar, sobre a questão.





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