Fala Povo
- maio 17, 2007
Você concorda com a censura nos horários dos programas de TV?
Vira e mexe o assunto da censura nos horários dos programas de TVs abertas volta à discussão. O livre acesso das crianças e adolescentes à programação é um dos elementos que favorece a polêmica. Ao contrário do Brasil, onde a classificação etária na televisão, um mecanismo de controle, foi interrompida por uma decisão da Justiça, nos Estados Unidos as normas vão ficar mais rígidas por iniciativa própria de empresas do setor. Aqui o governo cedeu à pressão das TVs e decidiu adiar a vigência das novas regras para a veiculação de programas. A equipe do Jornal Vicentino foi às ruas para saber a opinião da população em relação a esse assunto. Confira as respostas.
O governo voltou atrás e prorrogou o prazo para decidir se as TVs abertas terão que classificar suas programações. A portaria de classificação da programação das emissoras determina que os programas sejam classificados por faixas etárias e horárias (ex: novela imprópria para menos de 14 anos não pode ir ao ar antes das 21h), além de exigir que a classificação seja informada pelas emissoras por meio de símbolos padronizados.
As TVs já haviam obtido, em abril, liminar no Superior Tribunal de Justiça que as libera de exibir programas nos horários determinados pelo governo. O adiamento mostrou que o governo não sabe ainda como irá direcionar essas questão. A troca de ministros foi um dos motivos para o adiamento da classificação.
De um lado as TVs comerciais defendem seu “produto” enquanto de outro estão os pais, que não conseguem controlar o tempo todo seus filhos. Entidades defensoras da criança e do adolescente também se mostraram contrárias a abertura dos horários na televisão.
Quando perguntados sobre a possível classificação da programação das TVs abertas, os entrevistados pela equipe do JV mostraram opiniões distintas, mas a maioria afirmou que concorda com o controle pelo governo. Leia as opiniões a seguir:
“A programação das tvs hoje não é aconselhável para ninguém”, acredita Maria, moradora da Vila Matteo Bei. “Os pais não sabem o que os filhos estão assistindo e muitos nem se interessam”, mostrando-se favorável a classificação dos programas da TV aberta.
Já o morador do Centro, José Amaral, não concorda com nenhum tipo de critério e censura. “Não concordo. Acredito que já há essa seleção por parte das emissoras”. Para ele, o controle tem que vir dos próprios pais. “Se eles virem que o conteúdo é inapropriado, mudem de canal. Esse tipo de educação vem de dentro de casa”, completa.
Para Armando Freire, morador do Gonzaguinha, atualmente é necessário determinado controle na programação das TVs. “As emissoras mostram, muitas vezes, cenas inapropriadas para o horário”. Ele não acredita que isso possa ser considerado uma censura. “É apenas um controle. Já que muitos pais não ligam, deve-se respeitar pelo menos o horário das crianças”.
Quem não concorda com esse controle é Jeane Bispo, moradora da Gleba II. “Cada um assiste o que quer”, acredita. Para ela, qualquer restrição tem que partir dos pais, em casa. “Vivemos numa democracia e podemos assistir o que quisermos. Todo mundo tem liberdade de desligar a televisão”.
Gabriela Barbosa, moradora do Jóquei Clube, concorda. Ela acha que “hoje em dia os pais ainda conseguem ter o controle sobre o que os filhos assistem. “Se eles perceberem que o conteúdo não é bom para o filho ou para qualquer criança, é só mudar ou desligar”.
“Tem que haver algum tipo de censura”, opina Aparecido Ferreira, morador da Vila Margarida. “Hoje os pais não tem mais controle. O governo precisa dar esses limites, já que as emissoras não tem nenhum tipo de discernimento do que devem ou não colocar”.
A moradora do Parque São Vicente, Sidnéia Ferreira Krempel, cita como exemplo as novelas. “Hoje elas tem um conteúdo muito pesado para as crianças”. Para ela, o governo precisa controlar a grade das emissoras. “É necessário classificar os programas de acordo com os horários que eles vão para o ar”.
Outra favorável ao controle é Ana Paula Mesquita, moradora da Vila Margarida. “Tenho uma filha pequena e sei como é. Elas podem estar apenas brincando mas estão de olho na televisão”. Para ela, os programas precisam passar de acordo com o horário. “Por exemplo, as 17 ou 18 horas, não pode passar conteúdo inapropriado. Mais tarde sim, pois as crianças devem dormir cedo”.
“As crianças não podem assistir mais televisão”, pensa Joana Reis Azevedo, moradora do Centro. “O conteúdo é sempre forte. Os pais não tem controle e as crianças assistem televisão no horário que elas querem”, acredita. Ela acha necessária o controle da programação. “Antigamente as novelas não eram assim”.
Jaconias Bispo dos Santos, morador da Vila Margarida, também é favorável ao controle na programação. “É muito conteúdo inapropriado, com muitas cenas de sexo” opina. Para ele “as crianças não tem mais o controle do pai, por isso é necessário essas restrições de horário”.
Quem tem a mesma opinião é Raimundo Oliveira Santos, morador do Parque Bitaru. “Muitos pais estão acompanhando o que o filho está vendo , muitos não”. Por isso, ele concorda com a classificação dos programas de acordo com a idade recomendável. “São muitas cenas avançadas, só o governo pode estabelecer esses critérios”.
“Lógico” responde Madson Pinto Chaves, morador do bairro do Saboó, em Santos, mostrando se totalmente a favor da censura na programação. “Não recomendo ninguém a assistir novela. Precisa ter um controle, cada assunto, cada programa, em seu determinado horário”.





Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente o ponto de vista da Editora, podendo até mesmo ser.