Pedro Alcântara

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Ele é um dos principais apresentadores da televisão regional. Atualmente, ele comanda o programa “Destaque” na Rede TV. Sem grandes ambições, Pedro Alcântara gosta de curtir todas as pequenas vitórias. Com muita simpatia, ele concedeu uma entrevista para o Jornal Vicentino, contando sobre sua infância, sonhos e a carreira jornalística. Confira a entrevista completa e conheça mais sobre o santista Pedro Alcântara.

Pedro Alcântara carrega desde cedo o gosto pelo trabalho. Com descendência portuguesa, ele ajudava desde pequeno na renda da família, que tinha sérias dificuldades financeiras. Mas, conseguindo dosar tudo da melhor maneira, ele conseguiu trabalhar, estudar e aproveitar bastante a infância no bairro da Ponta da Praia, em Santos.
Ainda jovem, ele precisou superar a frustração de não poder se tornar dentista, seu grande sonho. Mesmo assim, ele não desistiu e lembrando das palavras de um padre e de um ex-combatente da Revolução de 32 na infância, decidiu apostar no Jornalismo, que acabou virando sua grande paixão.
Casado e pai de um menino, também Pedro, ele conseguiu destaque na televisão criando um novo modelo de colunismo social, com mais teor jornalístico. O sucesso, que ele faz questão de atribuir a toda sua equipe, pode ser visto no seu programa Destaque, na Rede TV, que já atinge mais de 6 milhões de pessoas. Com muita simpatia e inteligência, Pedro Alcantara respondeu as perguntas da equipe do Jornal Vicentino e contou mais sobre a vida, frustrações, vitórias e a sua larga experiência na setor da comunicação.
Jornal Vicentino - Você nasceu na Ponta da Praia. Como foi a sua infância?
Pedro Alcântara
-Eu tive uma infância excelente. Sem querer ser nostálgico, deixa muita saudades. Porque na época de garoto, tinha muito mais tranqüilidade na cidade de Santos, com muito menos carro circulando. Tínhamos uma turminha na Ponta da Praia que jogava bola na rua, brincava de peão, bolinha de gude, catava goiaba todos os dias. Foi uma infância bem interessante e bem próxima ao que a gente considera salutar para as crianças. Não tinha essa geração video-game e informática entrando tão precocemente na vida das crianças. Não que seja ruim, mas deveria ter uma dosagem. Hoje em dia é essencial você estar atualizado e se preparar para a  vida desde pequeno, mas eu acho que o contato com a terra, as brincadeiras de criança, lúdicas, são muito importantes e eu procuro proporcionar isso para o meu filho.
JV - Nessa época, como era a sua convivência com a família?
Pedro
- Morava com meus pais na Ponta da Praia. Eu sou o caçula de sete filhos, quatro homens e três mulheres. Graças a Deus todos vivos e muito bem encaminhados.  Éramos uma família muito grande e com todo esse calor humano, logicamente, tinham muitas briga, mas éramos muito unidos. Aprendi a jogar bola com meus irmãos, tínhamos um elo muito forte de ligação familiar.
JV - Como foi seu desempenho escolar?
Pedro
- Eu estudei da 1ª a 8ª série na Escola Municipal D. Pedro II. Até é curioso porque meu nome é Pedro Alcantara, homônimo de D. Pedro. Então diziam que eu tinha que estudar e me sair bem, e fazer jus ao nome que eu tinha. Era uma pressão, mas em contrapartida me estimulou bastante quando era criança a não decepcionar minha família e meus professores. Eu acabei levando isso a sério e me ajudo bastante. Eu nunca fui um aluno de estudar demais e tirar 10. Eu sempre consegui dosar todos os períodos da minha vida. Eu estudava o suficiente para a  ir bem, nem entre os melhores, nem entre os piores. Eu brincava muito, então me dedicava na dose certa. No colegial eu fui fazer técnica em eletrônica no Aristóteles Ferreira, que era estadual, porque minha família não tinha condições de pagar escola particular. Prestei o vestibular, porque naquela época o ensino público tinha qualidade muito superior que o de hoje, e passei.
JV - Por que optou pelocurso técnico em eletrônica?
Pedro
- Foi algo de influência. Era uma ocupação que estava muito em alta. As pessoas queriam arrumar um ofício já no ensino do 2º grau. Até determinado período a ambição do jovem era cursar uma universidade para se colocar profissionalmente no mercado. Mas como era  uma geração que já sentia as dificuldades econômicas do País, já tinha que antecipar o teu anseio de arrumar uma profissão. E a eletrônica estava crescendo. Fiz até o terceiro ano só para concluir o colegial, porque não gostei da área. Não sei nada de eletrônica. Eu percebi também que o curso não era atualizado, não me apaixonei pela profissão.
JV - Você começou a trablhar cedo. Por que?
Pedro
- Eu comecei a trabalhar com emprego formal, com carteira assinada, com 15, 16 anos. Mas quando era garoto eu trabalhei em mercado de peixe, tomava conta de carro, juntava cobre e alumínio para vender. Desde os 9, 10 anos, já procurava alguma renda. Minha mãe e meu pai não me cobravam trabalhar, mas eu sempre tive uma visão realista das coisas e eu notava que a situação não era aquela que eu gostaria. Na época instalavam os postes de iluminação e deixava no chão os fios de cobre, e você juntando tinha um valor por quilo. O alumínio também. Lembro que às vezes pegava a panela de alumínio, colocava umas pedras, para pesar um pouco mais. Acho que tem um pouco dessa ascendência portuguesa, de ser muito trabalhador. Desde garoto eu senti essa necessidade de ajudar em casa, contribuir com alguma coisa, já que era uma casa grande com sete filhos. Quando era adolescente trabalhei em um armazém de café e em seguida, fui trabalhar em banco. Fiquei 10 anos trabalhando na área.
JV - O seu grande sonho era ser dentista. Por que não  realizou essa vontade?
Pedro
- Quando eu terminei o colegial eu tinha o anseio em fazer odontologia. É curioso porque um tio meu, falecido, era dentista, e ele morava próximo de casa. Quando era garoto ficava ali acompanhando o trabalho dele. Ele percebeu minha atração pela profissão e em determinada ocasião me chamou e me deu uma caixinha de madeira com algo dentro que eu não sabia o que era. Ele falou que sabia da minha vontade em ser dentista como ele e meu deu aquilo para eu abrir quando eu me formasse. Mesmo curioso, eu levei a sério e não abri. Mas, eu vi que o curso de odontologia tinha um custo muito alto e minha família não podia pagar. Quando sai do colegial ainda fiquei três anos sem estudar para tentar ter condições de fazer o curso, mas nem o vestibular eu conseguia fazer, de tão crítica que era a situação financeira. Um dia eu abri aquela caixinha e dentro tinha um símbolo, que acho até que é o de medicina, mas foi mais para fazer uma analogia. Ele já tinha falecido, mas foi uma frustração ver essa caixinha indo para o fundo da gaveta.
JV - Quando você decidiu optar pelo curso de Jornalismo?
Pedro
- Quando percebi que não ia fazer odontologia, eu, que naquela época era muito namorador, vi que no curso de Bacharelado em Computação tinha muita mulher bonita. Por incrível que pareça, por esse motivo, eu acabei me inscrevendo, sem a menor orientação de atração pelo curso ou gosto pela informática. Logicamente não aconselho ninguém a fazer esse tipo de coisa. Tanto que fiz um ano e meio e abandonei. No ano seguinte eu prestei para Jornalismo. Eu acredito muito em destino. Quando estava na sétima série eu fiz um trabalho na Igreja do Valongo onde fazia muitas perguntas para o padre e em determinado momento ele falou que eu devia ser jornalista, porque fazia muitas perguntas inteligentes e era curioso. Em outra ocasião, no colégio, quando entrevistamos um ex-combatente da revolução de 32,  também fiz muitas perguntas e curiosamente ele me falou a mesma coisa. Mas aquilo na época não me tocou. Depois de tentar tantas áreas, me lembrei disso e pensei que eles pudessem ter razão. Prestei o vestibular, passei em 10º lugar, mesmo estando sem estudar, o que me deixou muito feliz. Entrei na 2ª turma da Universidade Santa Cecília e lá me apaixonei pela profissão.
JV - Nesse período de faculdade você já conseguiu entrar no mercado de trabalho?
Pedro
- Quando eu estava no segundo ano de faculdade, como eu tinha experiência administrativa, eu fui chamado para trabalhar numa assessoria de comunicação que produzia o programa Mar Shopping Show, que naquela época era uma produção independente. Eu aceitei, porque ela passava por uma situação financeira muito difícil e eu fui encarregado de sanear as contas da empresa. Em quatro anos saímos de um vermelho estrondoso. Com  meu trabalho e colaboração de toda equipe conseguimos nos reerguer. Lógico que o produto era muito bom, não existia nenhum outro programa de varejo, era uma questão de administrar e saber se relacionar com o consumidor. É uma passagem da minha vida que eu me orgulho bastante porque poucas pessoas achavam que essa empresa iria conseguir se restabelecer, em um período relativamente curto. Nesse período, com a empresa saneada, vivendo dias melhores, eu me formei e pedi as contas.
JV - E onde foi o seu seu primeiro contato direto com o Jornalismo?
Pedro
- Foi em 1999, era um programa de produção independente que se chamava Espaço Vitrine, na Santa Cecília TV. Era o diretor de produção, fazia o texto, a relação de perguntas para o apresentador, que era meu sócio. Era um perfil de talk show, tipo do Jô Soares, tinha uma bancada, um sofá para os convidados, um barzinho e um espaço para as bandas da região. O programa fez muito sucesso, era apresentado aos sábados e domingos, ao vivo, com uma hora de duração, sempre levávamos três entrevistados e uma banda diferente. Fiquei impressionado porque recebíamos pedidos de bandas que queriam se apresentar. Eram muitas bandas de qualidade que precisavam de espaço. Tomou uma grande proporção durante um ano e meio de existência. Numa das poucas medições de Ibope naquela época, no nosso horário, ficávamos com a mesma pontuação que um programa regional da TV Tribuna. Foi uma vitória porque nós e a emissora Santa Cecília estávamos  iniciando o trabalho.
JV - Qual foi seu principal aprendizado enquanto esteve no Espaço Vitrine?
Pedro
- Era um programa de variedades, então você abordava todos os assuntos possíveis e imagináveis. Tinha que, semanalmente, se interar a respeito dos acontecimentos e do assunto abordado. Eram três entrevistas com temas diferentes por programa e você tinha que ir a fundo para tornar essas pautas interessantes. Aí que está a riqueza do jornalismo, tomar contato com todos os assuntos e conhecer pelo menos um pouco de cada um deles. E eu ficava no ponto eletrônico, fazia as observações para o apresentador, criava as pautas e fazia os textos.
JV - Depois você se lançou como apresentador e criou o programa Almanaque. Como aconteceu?
Pedro
- Nessa época comecei a desenhar um programa meu e assim nasceu o Almanaque TV, um programa de variedades na Bandeirantes. Percebi que durante o Espaço Vitrine quando levavamos o entrevistado, sentia necessidade de ver imagens do que estava sendo dito. Tentei corrigir essa falha e ir até o local fazer a entrevista. Com as matérias externas, perde-se qualidade de áudio e vídeo, mas você tem condições de mostrar tudo que está acontecendo. Meu início como apresentador foi terrível. Mas, sempre fui muito esforçado. Nos dias que antecediam as gravações eu ficava de frente para o espelho ensaiando. Ficava também até de madrugada lendo tudo que eu podia a respeito da matéria que eu ia fazer. Procurava novidades na internet e, às vezes, chegava mais preparado que o próprio entrevistado. Já que o apresentador é novato, tem que ter alguma atração e levar retorno para o investidor. Nunca precisei parar uma entrevista por falta de inspiração sobre o que perguntar. O Almanaque ficou seis meses na Band e um ano e dois meses na Santa Cecília TV.
JV - Mesmo com um programa de entretenimento, você sempre manteve a preocupação em informar os telespectadores?
Pedro
- Tinha muita preocupação de levar informação, que é função primordial da televisão. O cidadão que está vendo seu programa, quando ele desligar a televisão, tem que sentir que acrescentou alguma coisa. Mesmo em programas de humor, em qualquer situação na televisão, dá para extrair teor jornalístico. Por isso fiz várias matérias interessantes. Poderia citar uma entrevista com o adestrador do cachorrinho da Cofap, expliquei para o público como era feita a medição do Ibope, em São Paulo e fiz uma matéria com a equipe de dublês Águias de Fogo. Eles faziam as cenas de perigo de novelas, filmes e comerciais. Acompanhei o dia inteiro de treinamento. Era homem pegando fogo, queda de altura, bomba. Eu era muito brincalhão e ficava dizendo que era moleza, que imaginava que fosse  mais arriscado. Em um determinado momento, quando estávamos na Ponte Sumaré, numa altura de 25, 30 metros, eles iam descer de rapel e o chefe da equipe me desafiou a descer com eles. Fiquei nervoso mas, pela audiência, eu fui. Fui sozinho, bem seguro, e acabei achando muito gostoso.
JV - Quando você resolveu entrar para o colunismo social?
Pedro
- Acabei recebendo o convite para levar o Almanaque para a VTV.  Tinha uma repercussão muito grande. O meu programa foi o primeiro da emissora, que só tinha uns módulos de jornalismo. Só que eu já tinha opinião formada sobre o colunismo eletrônico.  Existia um preconceito muito grande em relação ao colunismo por ser algo de adulação, badulação da classe A e B. Isso me irritava porque eu achava que o programa podia ser feito com teor jornalistico, seriedade, sem inclinação para frivolidade. Só que na Santa Cecília já existia um programa desse teor, com esse perfil. Quando fui chamado eu comentei que queria mudar o perfil do meu programa, que na época era produção independente. Eles (VTV) aceitaram e além das matérias de variedades eu comecei a fazer algumas festas. Dois meses depois a emissora me chamou porque viu que o programa estava indo bem e queria fazer uma parceria. E nasceu um programa voltado para o colunismo social, o Destaque com Pedro Alcântara, com toda produção da VTV.
JV - O programa Destaque é um sucesso não somente na Baixada. Qual o segredo?
Pedro
- Há cinco anos ele tem produção, cinegrafista, assistentes, todos da emissora e atinge toda Baixada Santista, de Peruíbe a São Sebastião, Campinas e região, algumas outras cidades do Interior do Estado, atingindo um espectro de 6 milhões de pessoas. O programa está com uma abrangência bem grande, juntamente com a emissora. Ele conseguiu muita respeitabilidade. Eu ganhei liberdade para que pudesse direcionar o programa para o perfil que eu imaginava ser o adequado. Acho que ganhou essa notoriedade por conta de ser um programa que não se rende a bajulação. Dentro da classe A e B estão os formadores de opinião, de destaque. Muito melhor do que dizer o quanto a pessoa é bem sucedida, é tirar algumas dicas para que o telespectador possa se encaminhar. Esse é um dos grandes diferencias do programa, além de toda produção e uma equipe super competente. Eles estão comigo há bastante tempo. Consegui formar uma equipe de produção, captação, edição, muito capacitada. Existe um entrosamento perfeito entre todos os setores.

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  1. 3 Comentários para “Pedro Alcântara”

  2. Olá Pedro!!!
    Tinha consciência que vc era muito bom como apresentador em DESTAQUE, e que o seu programa é de total credibilidade;audiência; público notório e especial. Só que realmente você além de ter pessoas competentes, trabalhando ao seu lado, você é acima de tudo, um GRANDE profissioanal na sua área e MARAVILHOSO, na sua postura, como um ótimo discipúlo, sem deixar à desejar, ao nosso querido Aumary Júnior….aliás, você, é GRANDE e bastante COMPETENTE, como tal.
    Deixo dito à todos, o meu PARABÉNS, orgulhosa por ter você aqui, conosco em toda Baixada. Falo, não só por mim, mas por todos que assistem e acreditam no seu empenho e no seu trabalho. Você, é capaz, mostra e faz acontecer ,…não só em DESTAQUE!!!
    Grande Beijo, e pra todos, que fazem parte da sua Equipe.

    Com muito carinho,

    Marisa L. Raucci ( Pizza Quadrada) - Mostra Casa 2007/ Casa Grande Hotél- Guarujá

    Por Marisa L. Raucci em jun 17, 2007

  3. OLá meu amigo Pedro.
    Poderia me enviar a receita da salada de beringela, que o gerente da CVC fez no programa.
    Grato
    Waldir Rueda

    Por Waldir Rueda em mar 13, 2009

  4. Predrão aqui quem fala é o Lula, a única parte da entrevista na qual discordei foi na resposta da segunda pergunta onde voce menciona que aprendeu jogar futebol com seus irmãos, na verdade voce aprendeu comigo e o Carlão nas praia do cabal 6 quando matávamos aulas para jogar futebol. Brincadeiras a parte, fico muito contente com seu sucesso, quanto tempo, um abraço.

    Luiz Expedito dos Santos

    Por Lula em jun 30, 2009

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