Planejamento Familiar
Não faz nem um mês que o papa Bento XVI visitou o Brasil. Em seu discurso duras críticas contra as leis civis que favorecem o uso de anticoncepcionais e o aborto, alegando que colocava em risco o futuro do continente, cuja tradição é familiar. Mas, parece que o governo não deu ouvidos para o pontífice e acaba de lançar diversas medidas que fazem parte de um programa de planejamento familiar, que busca diminuir as chances de gravidez indesejada e reduzir a mortalidade materna.Entre as medidas está o barateamento das pílulas anticoncepcionais. Elas vão passar a custar até 90% mais barato nas farmácias cadastradas pelo governo. Assim, cada cartela deve custar entre R$ 0,30 e 0,40. Além disso, haverá uma intensificação nas campanhas nas escolas e nas TV´s divulgando os métodos anticoncepcionais.
Além disso, a vasectomia fará parte da política nacional das cirurgias eletivas. Ou seja, o homem que quiser realizar a cirurgia (esterilização masculina) vai encontrar muito mais facilidade. Atualmente ela é realizada somente em hospitais públicos, é preciso aguardar em uma fila de espera e é necessária a internação. A idéia é que seja somente necessário agendar no ambulatório para realizar a cirurgia, que dura apenas 30 minutos.
A intenção do governo é mostrar uma política feita para todos, já que as famílias pobres também vão poder decidir quantos filhos querem ter e em que momento, assim como a sociedade da classe média faz hoje em dia. Como era de se esperar, a igreja já se manifestou sobre o assunto, mostrando-se totalmente contrária às medidas e alegando que a saúde pública tem outras prioridades.
De acordo com o Ministério de Saúde, os anticoncepcionais não estão chegando em quantidade e com a regularidade necessária. Diante da procura, a sociedade mostra que precisa dessas medidas e o governo acerta em lançar o plano. Mais do que conseguir educar a população sobre a necessidade de um planejamento familiar, as medidas podem reduzir consideravelmente o número de abortos clandestinos e também de mortalidade materna, cujo papel de redução, o Brasil não cumpriu. Atualmente, 2 mil mulheres morrem para cada 100 mil crianças nascidas.
