Editorial
- junho 25, 2007
Cotidiano caos aéreo
Paciência. Nunca essa palavra foi tão ouvida. E é realmente isso que precisa ter qualquer pessoa que queira viajar de avião no País. Desde a queda do Boeing da Gol em setembro do ano passado, o caos aéreo virou rotina. São filas, atrasos, vôos suspensos e muitas confusões. E para o desespero daqueles que querem viajar, seja a trabalho, ou a lazer, o problema está cada vez mais longe de se resolver. Já foram abertas duas CPI´s, feitos diversos pronunciamentos e explicações oficiais, mas nada resolve esse imenso transtorno.
Na última quinta-feira quase 50% dos vôos em todo País, pelo terceiro dia consecutivo, tiveram atrasos. Agora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que diz querer dar um basta no caos, autorizou o Comando da Aeronáutica a endurecer com os controladores de tráfego aéreo, que são tidos como os responsáveis pelas confusões.
Além dos inquéritos militares, a decisão é prender os profissionais qualificados como “sabotadores”, podendo mesmo chegar até a expulsão. Enquanto isso, eles continuam reclamando de falhas nos consoles e de falta de segurança no trabalho.
É nítido que todo o problema é fruto de uma causa antiga, da falta de uma estrutura e de um plano aeroviário nacional. Da falta de entendimento organizado entre a Anac e a Infraero, o que torna totalmente fragilizado o sistema. Mas, o que não se pode admitir é que a falta de controladores de vôo, as insatisfações pessoais, sabotagens, comprometendo a vida e os negócios de milhões de brasileiros.
E a população necessita realmente ter paciência, já que os problemas devem acontecer por um longo tempo e porque realmente violência não vai ajudar em nada. Mesmo assim não se pode encarar os atrasos como algo normal, cotidiano, e que deve ser aceito com naturalidade. Deve sempre exigir todos os seus direitos com as companhias aéreos, e lógico, ouvir as pérolas dos nosso políticos, como o “relaxa e goza” da ministra do Turismo Marta Suplicy e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que “não há caos, e sim um aumento maior no fluxo de tráfego, que mostra a prosperidade do País”.





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