Danielle Zangrando Judoca de ouro fala sobre a conquista no Pan 2007

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No dia em que completa 28 anos, a judoca Danielle Zangrando visitou a redação do Jornal Vicentino. Com ela, um dos maiores presentes que ela queria conquistar no último ano: a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos 2007, no Rio de Janeiro, conquistada no último sábado (21). Muito suor e muito trabalho fizeram a santista escrever mais uma vez o nome na história da modalidade no País e no esporte na Região. A atleta contou sobre suas lutas durante o Pan e seus próximos objetivos. Confira a entrevista exclusiva dada pela atleta ao JV:
Qual a sensação de lutar com um ginásio lotado, com todos torcendo por você?
Danielle
- Foi sensacional. Nunca imaginei participar de uma competição como os Jogos Pan-Americanos. Lutar em casa, com aquela torcida maravilhosa foi uma grata surpresa. Porque não lutei sozinha, lutei com três mil pessoas me ajudando e 180 milhões de brasileiros em casa. As pessoas me param dizendo que torceram muito, ficaram tensas e isso tudo foi muito importante. Essa energia positiva me ajudou muito, sem contar a família e amigos presentes. Um momento inesquecível que eu vou guardar para sempre na minha carreira.
Como você analisa suas adversárias na competição?
Danielle
- Cai num lado da chave melhor que a americana, que fiz final. Mesmo assim lutei primeiro com uma haitiana, que já tendo ganhado duas vezes, sabia que era perigosa, ainda mais porque a primeira luta é muito tensa. Lutei taticamente e ela acabou levando quatro punições. Depois foi com a colombiana, que ganhei muito rápido, o que foi uma surpresa para mim, sempre apontei ela como uma das favoritas ao pódio.
Você já conhecia a judoca americana que fez a final?
Danielle
- Já tinha perdido duas vezes para ela e tinha ganhado uma. Neste ano perdi para ela no Campeonato Pan-Americano no Canadá faltando 20 segundos. Fiquei muito triste e chateada, mas minha mãe falou que Deus estava me guardando uma coisa muito boa. Eu não aguentava mais escutar isso, três finais neste ano e três pratas e eu pensei antes da luta, não quero pegar prata de novo. Entrei com muita vontade, sabia que seria uma luta dura. Fique tão focada que não olhei para o tempo para não cair meu rendimento. Fui para cima o tempo todo.
E o que passou pela sua cabeça quando terminou a luta?
Danielle
- Passou tudo. Um filme muito rápido. O momento da superação, da contusão que foi tão próxima. Eu estava machucada, não pude treinar na Europa, tive que ficar tratando. Aquele momento de dor, de dúvida, comprometeu minha preparação. Fiquei 15 dias sem botar o quimono. Nesse caminho o Fillet (fisioterapeuta do Santos F.C.) contribuiu muito com essa medalha, juntamente com o Ivo Nascimento (treinador) e Marcos Daud (preparador físico). Sem eles não estaria 100% no Pan.
Desde quando você está treinando para o Pan e quando volta a treinar?
Danielle
- Estou me preparando desde que ganhei a seletiva em Belo Horizonte no ano passado porque a CBJ falou que o atleta que fosse campeão pan-americano e ficasse até quinto no mundial teria vaga olímpica garantida. Então tracei essa meta, quero ir bem no mundial e poder me dedicar exclusivamente aos treinos para as Olimpíadas. Volto a treinar semana que vem, não normalmente, porque preciso atender a imprensa. É importante porque dependo disso para divulgar a medalha e os meus patrocinadores. (Semana que vem Danielle Zangrando estará gravando o programa do Jô Soares).
No último dia do judô, teve uma confusão com a torcida. Você falou no microfone e pediu para torcida ter calma e eles te atenderam. Como foi isso?
Danielle
- A torcida estava inflamada, parecia um campo de futebol. O João Derly (judoca brasileiro) ainda tinha que fazer a final e os árbitros não queriam voltar. Pedi para o público se acalmar, falei que não era aquela a filosofia do judô, que a torcida estava sendo fundamental para as nossas vitórias e para ajudar a fazer a coisa bonita, não deixar uma imagem negativa. O judô sempre foi um esporte vitorioso, não podia ficar uma imagem de briga. O público deu uma acalmada.
Qual sua expectativa para o Campeonato Mundial?
Danielle
- Muito boa. Não pode achar que eu vou ser campeã porque ganhei no Pan, pois o nível é totalmente diferente. Sei que estou entre as melhores do mundo, já conquistei medalha de bronze no mundial e duas vezes no mundial júnior, estou sempre chegando muito próximo. Tudo vai depender da chave, dos adversários. Ainda preciso treinar, tenho muito para melhorar.
Depois das Olimpíadas 2012, em Pequim, o que pretende fazer?
Danielle
- Depois começo a pensar em parar. Tenho orgulho de tudo que conquistei, só falta uma medalha olímpica e eu vou apostar tudo em Pequim. Realizar um treinamento de alto nível é muito intenso e meu corpo está chegando ao limite, então já penso em parar. Quero continuar no judô contribuindo de outra forma, hoje ele tem mais espaço na mídia, quem sabe um programa relacionado ao esporte.

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