Editorial
- setembro 3, 2007
Voto aberto
Voto aberto ou voto secreto? Essa se tornou a grande discussão do caso do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), que está marcada para acontecer na próxima quarta-feira (5). O presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), declarou-se desde o início favorável ao voto secreto, causando revolta na oposição, que desejavam o voto aberto.Em seguida, pressionado por senadores do DEM e do PSDV, que apresentaram recurso contra a decisão, o presidente do conselho submeteu a decisão final ao plenário, que por 10 votos a 5 derrubou a sua intenção. Logicamente, os aliados de Renan devem recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) com mandado de segurança para que a Corte decida como deve ser a votação.
Os aliados utilizam-se do argumento de que o voto secreto é amparado por normas constitucionais. Mas, em 2003, quando o mesmo Conselho de Ética aprovou o pedido de cassação de Antônio Carlos Magalhães, a votação foi aberta, e mesmo assim, naquela oportunidade, ACM foi absolvido. Renan, nesse primeiro processo, é acusado de quebra de decoro por receber recursos da empresa Mendes Júnior para pagar despesas pessoais, como a pensão para à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.
Seria importante para a sociedade que o voto fosse aberto. Pelo menos em casos que envolvem o Conselho de Ética, para que todos pudessem ter oportunidade de ver a verdadeira opinião e ações dos representantes que escolheram, sem ficarem escondidos no jogo de interesses e favores que é jogado na política.
Ética e transparência são dois valores que todos exigem de qualquer político, que precisa lutar por justiça e por melhores condições de vida para a população. É preciso também que essa opinião não mude em decisões futuras, porque sabemos que a cassação do Renan é interessante para uns, mas no atual cenário da política, não resta dúvidas de que novas denúncias, novos casos de corrupção, não aparecerão para todos os lados.



