Editorial
- setembro 6, 2007
Celular nas escolas
Um projeto aprovado na Assembléia Legislativa de São Paulo está gerando polêmica. Em um mês, todos os alunos de escolas públicas e particulares do Estado estarão proibidos de usar o aparelho celular em sala de aula.Trata-se do projeto de Lei 132/07, de autoria do deputado estadual Orlando Morando (PSDB) e sancionada pelo governador José Serra. A pergunta é se realmente uma questão como essa deveria ter tanta polêmica.
De acordo com a proposta, o uso do celular na sala de aula faz com que os alunos se distraiam, atrapalha os colegas, além de outros abusos como o caso dos jogos e das tradicionais “colas” usando o recurso da mensagem de texto. Ainda segundo a lei, no intervalo das aulas as ligações estão liberadas.
Que o uso do celular atrapalha a concentração dos estudantes não é novidade. O que espanta é ser aprovada uma lei restringindo tal uso. Não que não seja necessária, mas o que mostra a total falta de controle que os professores tem atualmente em sala de aula. Em muitas escolas, o aparelho já é proibido, e o controle cabe aos próprios professores. Aprovada a lei, a situação pouco se altera, porque cabe ao professor fiscalizar e fazer valer a lei.
Seria radical dizer que o governo deveria se preocupar com o uso do celular em presídios, não só porque, cabe a ele lutar para uma melhora na qualidade nas escolas e no aproveitamento dos alunos. Mas, deve-se primeiro elaborar medidas que fortaleçam a autoridade dos professores em sala de aula, orientação para que eles, primeiramente, dêem o exemplo e não utilizem o aparelho, como também pode ser visto com freqüência, e deixar claro a quem cabe quais são as punições dos alunos que infringirem a lei.
E acima de tudo é necessária uma melhora significativa na educação. Porque não adianta o aluno estar sem celular e conviver com a falta de professores, com a baixa qualidade de outros e com a falta de estrutura de muitos locais que impedem que o nível do ensino melhore, não apenas no Estado, mas no País.





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