Sexta Samba Choro tem ótima receptividade

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Praia Grande viveu um momento histórico na noite da última sexta-feira (31). Um sonho alimentado há anos pelo prefeito Alberto Mourão e por boa parcela da população praiagrandense tornou-se realidade, ao menos por uma noite: a transformação de parte da Avenida Costa e Silva, a principal do tradicional centro comercial do Município, em uma espécie de boulevard, com a interrupção do tráfego de veículos e a apresentação de música ao vivo. Comerciantes da área puderam colocar mesas e cadeiras nas calçadas e no trecho delimitado antes para os veículos.
Batizado como “Sexta Samba Choro”, o evento teve ótima receptividade entre os comerciantes e freqüentadores do local, que puderam apreciar o variado repertório do Grupo Gerações. Procedentes do município de Taquarituba, interior de São Paulo, os músicos animaram o ambiente das 20 horas até meia-noite, em uma tenda piramidal com tablado montada entre a Alameda Metropolitana e a Rua Dourados.
Num clima de happy hour a céu aberto, famílias, trabalhadores recém-saídos do expediente, jovens universitários e aposentados foram tomando as mesas ao redor do palco. A bela paisagem foi marcada por sorrisos, bate-papo e brindes pelo sucesso da iniciativa, que é um projeto-piloto da Secretaria de Cultura e Eventos de Praia Grande (Secult), mas tem tudo para se tornar um novo atrativo do Boqueirão.
Custo Zero
Reunidos em uma mesa diante da Galeria Flórida, o prefeito Alberto Mourão e os secretários de Gabinete, Roberto Francisco; de Turismo, José Alonso Júnior; e de Cultura e Eventos, Manoel Carlos Peres, o Cartola, comemoravam o sucesso da proposta e recebiam os cumprimentos de populares. A custo zero para os cofres públicos, a Prefeitura implantou uma iniciativa nota dez, a considerar pelas opiniões colhidas no local.
“Está aprovado. Acho que deveria ter mais, inclusive com os grupos locais. Também tem muito músico bom em Praia Grande”, disse Maria José da Silva, que ocupava uma mesa com a família. “Poderia até se estender um pouco mais, já que as pessoas podem ir dormir mais tarde de sexta para sábado”, opinou Mário da Silva, elogiando o repertório, que para ele atrai tanto a turma da terceira idade quanto os jovens.
O advogado Cláudio Cândido Lemes, estabelecido há mais de 20 anos na Cidade e antigo freqüentador do Pepita’s, também apoiou a novidade e deu inclusive algumas sugestões para aperfeiçoar a recepção aos consumidores. “Gostei da iniciativa. A Prefeitura poderia firmar um compromisso com os comerciantes para que sejam disponibilizadas mesas já a partir das 18 horas”. Ele sugeriu ainda a criação de mais vagas para estacionamento.
Os integrantes do Grupo Gerações eram só alegria ao final da apresentação. Maurício Molitor, que toca violão e cavaco, além de fazer o vocal, contou que o grupo reúne três gerações: ele, da década de 70; Álvaro Dias, que toca bandolim, dos anos 30, e os irmãos Wiliam Roberto Pereira e Anderson de Oliveira Pereira, o Belém, da geração de 80.
“Foi um prazer enorme estar aqui e sentir essa vibração positiva”, disse Wiliam Pereira, abrindo um sorriso. “Esta é a nossa primeira vez aqui. Adoramos. Esperamos receber convite para voltar mais vezes”, completou Belém. Juntos, eles fazem a percussão do grupo.

Consumo

A perspectiva também parece boa para os comerciantes da área, que já fazem planos para as próximas edições do evento. Um dos proprietários da Choperia Pepita’s, Eduardo Calvo Garcia, aprovou a iniciativa e conclamou os comerciantes locais a se unirem e se estruturarem para essa nova realidade. “Foi ótimo. Reuniu um público diferente. Criou-se um ambiente mais familiar e aumentou o consumo, não só de bebidas, mas de porções”, observou, sugerindo que se faça do local um espaço cultural, que inclua apresentações teatrais e performances artísticas também aos sábados. Já seu irmão, Antonio Calvo, o Toninho, destacou a importância desse tipo de evento fora da temporada.
Outra conseqüência positiva deve ser a geração de empregos, já que os estabelecimentos terão de contratar mais funcionários para dar conta da demanda, com maior número de mesas. A idéia, conforme Cartola, é promover uma nova apresentação na área com estilo musical diverso a cada duas semanas ou mensalmente, dependendo da receptividade do público – que às sextas-feiras freqüenta bares, cafeterias e lanchonetes com mesinhas no calçadão. Os primeiros contatos com grupos de jazz e blues já estão sendo feitos.
Cartola destaca que o projeto “tem custo zero” para os cofres públicos, já que os comerciantes entram com o patrocínio e os grupos são amadores. O projeto foi viabilizado com o apoio da Choperia Pepita’s - Pizzas e Lanches; Restaurante Don Digno e Ibérica’s Hotel; Móveis Todeschini; Azteca Vídeo; Habib’s; e Coffe Time – Café, estabelecimentos situados nesse trecho da Costa e Silva. A avenida foi reurbanizada este ano, ganhando novos calçadões com cobertura de policarbonato e piso de pedra tipo goiás. A pista foi revestida com blocos vermelhos de concreto. Postes, lixeiras e orelhões foram alinhados junto à guia. Uma fonte (no encontro com a Avenida Castelo Branco - praia), pérgolas e iluminação especial completam o projeto, que exigiu o investimento de R$ 4 milhões e foi viabilizado em parceria com o comércio. Para a montagem do local da apresentação, o tráfego de veículos foi interrompido às 13 horas de sexta-feira e o fluxo desviado para a Rua Roberto Shoji (antiga Sorocaba) pela Rua Ponta Porã, retornando à Costa e Silva pela Rua Dourados.

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