Decisão decente afinal

Na última quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que os mandatos pertencem às legendas e não aos políticos eleitos. Com essa decisão algumas cabeças podem rolar. Ao todo, já correm o risco de perder suas vagas na Câmara, dezesseis deputados federais que saíram dos partidos.
Foram horas de julgamento, mas parece que resultou no esperado e soa como o começo da reforma política brasileira. Pode até ser uma utopia, mas depois de tantos escândalos o STF foi coerente com o que prega e mostrou que é possível sobreviver às pressões e interesses obscuros.
Para alguns segmentos da sociedade a fidelidade partidária significa moralidade e para outros resgata a confiabilidade no sistema democrático brasileiro. Não que a decisão tenha sido um favor do STF, mas sim o cumprimento de seu dever.
Embora tenha seguido o TSE, o órgão definiu que a punição deve ser aplicada somente a partir do dia 27 março. Na prática, isso poupa 30 deputados que migraram para outras siglas antes dessa data e ainda dá a oportunidade de contestação.
O próximo passo após a constatação da migração será decidido pela Justiça Eleitoral e as legendas terão de encaminhar à corte eleitoral um pedido de investigação para comprovar a troca de legenda. E o TSE decidirá, então, se cabe punição. As legendas que se sentirem prejudicadas terão de recorrer posteriormente.
Agora é hora dos políticos se espelharem nesse fato e tentarem reestabeler a imagem de homens honestos e justos. Isso é urgência no País, mas ainda assim muitos preferem estar entre a maioria que optou pela obscuridade da corrupção.

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