Josemar Bento Viana - Papai Noel

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“Residência do Papai Noel”. É assim que Josemar Bento Viana atende o telefone em sua casa. Direto do imaginário infantil, a figura do Papai Noel se materializa nesse aposentado simpático e divertido. Quem conhece jura que ele veio diretamente do Pólo Norte. As semelhanças vão desde a barba branquinha natural até a cor dos olhos, azuis. Trabalhando como o Bom Velhinho há 13 anos, Josemar conta à equipe do Jornal Vicentino como é viver a pele do senhor mais amado do mundo. Confira a seguir um pouco mais da vida do “Papai Noel” e suas histórias natalinas.

ONatal é uma festa tipicamente cristã, mas mesmo quem não relaciona a data a religião lembra da figura do Papai Noel nessa época. Ele está por toda parte. Estudiosos afirmam que a figura do bom velhinho foi inspirada num bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia em 280 d.C. O bispo, homem de bom coração, costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas. Foi transformado em santo (São Nicolau) após várias pessoas relatarem milagres atribuídos a ele.
Muitas famílias ainda cultivam a figura do Bom Velhinho e estimulam a fantasia nas crianças que esperam ansiosas pela entrega dos presentes por ele e suas renas. Mas quem pensa que é preciso ir ao Pólo Norte para encontrá-lo se engana. Ele mora aqui mesmo em Santos e está em atividade o tempo todo durante essa época.
Conheça como Josemar Bento Viana, aposentado da Cosipa, um homem comum, se transformou no Papai Noel. Ele conta o que mudou em sua vida e fala da importância da figura de Nicolau para as crianças. Ele revela também que encontrou na figura do Bom Velhinho uma profissão e hoje faz campanhas para grandes companhias como a Coca-Cola. Leia a entrevista completa.
Jornal Vicentino - Onde o senhor nasceu realmente ?
Josemar
- Bom, eu nasci no Rio de Janeiro, na cidade de Itaporai. Vim para cá em 1979. Eu trabalhava em uma siderúrgica em São Gonçalo. Uns do diretores veio trabalhar na Cosipa e resolveu trazer junto algumas pessoas que trabalhavam com ele lá. Aceitei o convite e fiquei por aqui. Eu tinha 35 anos na época que vim morar em Santos. Mas cresci no Rio.
JV - O senhor chegou a cursar Economia ? Por que desistiu ?
Josemar
- Eu fiz até o primeiro semestre e por causa dos horários do serviço tive que trancar minha matrícula e nunca mais me animei em voltar. Escolhi essa área porque naquela época era a faculdade de momento, era uma das mais abonadoras na época.
JV - Como foi o tempo em que trabalhou na Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa)?
Josemar
- Trabalhei lá de 79 até 87 e fui afastado do serviço por causa de um processo de leocopenia. A companhia achou melhor afastar as pessoas que poderiam adquirir leocopenia. Eu fiquei até 96 afastado e foi quando resolveram os problemas relacionados a essa área. Como já tinha tempo para aposentadoria resolvi me aposentar. Minha esposa é arquiteta e trabalhava fora enquanto eu ficava em casa cuidando de tudo. Eu só não cozinhava, mas cuidava da minha filha bebê na época.
JV - E como o senhor se transformou no Papai Noel ?
Josemar
-  Quando me aposentei não pensava em trabalhar mais. Em 1992 eu fui em um aniversário e tinha uma equipe de animação de crianças. Quando terminou a festa um dos membros dessa equipe passou por mim e disse: “Olha o Papai Noel ali”, porque eu já usava a barba comprida. Quando entrava o primeiro dia de inverno eu parava de fazer a barba e ela crescia. Eu lembro que ainda fiquei achando engraçado. Mas o grupo de animação não desistiu. Pegaram meu telefone e insistiram para que eu fizesse um teste. Mas sempre me achei tímido. Após um tempo fui fazer um teste e passei. Foi no Carrefour. Lembro que fizemos uma carreata.
JV - Qual foi a sensação de estar representando a figura mais importante no Natal?
Josemar
- Foi muito gostoso, teve um momento que eu me emocionei tanto e quase chorei. Tudo que fazemos para levar alegria para alguém é bom, faz bem. Lembro que quando cheguei no Carrefour tinham centenas de pessoas me esperando, foi muito emocionante de verdade. Nem lembro a primeira criança porque a emoção trancou meu raciocínio na hora.
JV - Qual pedido marcou mais sua vida de Papai Noel ?
Josemar
- A que marcou muito não foi no primeiro ano de Papai Noel. Um garoto veio me abraçou e disse uma frase marcante: “queria que meu pai saísse da penitenciária”. Isso me marcou muito. As crianças pedem coisas diferentes. Uma vez uma menina me pediu que o pai dela voltasse para a mãe. Já aconteceu também de eu receber uma carta de um garoto onde ele escreveu que não tinha o que comer. No final da cartinha tinha um número de telefone no final. Dai eu liguei para saber. E conversando vi que nem tudo que estava escrito lá era verdade. Acontece muito de encontrar mentiras. Tenho que dar uma filtrada também no que escuto.
JV - Além do Hipermercado o senhor trabalhou em quais outros lugares ?
Josemar
- Fiquei até o ano passado no Carrefour, foram 13 anos. Mas há três anos eu faço uma campanha social para a Coca-Cola. Saímos da fábrica em São Paulo e visitamos creches, colégios e hospitais como o do Câncer. Também vamos na Grande São Paulo e Interior. Fazemos três dias também aqui na Baixada, como no Paraíso Infantil que fica na Vila Margarida. A caravana acontece todos os anos nessa época. Funciona como uma peça teatral onde abordamos temas atuais. Esse ano o tema foi o Aquecimento global. Depois a empresa entrega brinquedos e refrigerantes.
JV - O senhor tem dois filhos adultos. Como sua família encara seu papel de Bom Velhinho?
Josemar
- Minha filha tem um pouco de ciúmes. A Rafaeli já tem 20 anos, mas hoje acho que nem tanto. Antigamente ela ficava com ciúmes porque via todos me abraçando. Minha esposa e o resto da família gostam muito. No dia de Natal eu visito minha própria casa.
JV - E na véspera do Natal o que faz ?
Josemar
- Eu trabalho. No dia 24 eu saio da minha casa umas seis horas da tarde e vou fazer as visitas programadas. Eu procuro fazer tudo dentro de um horário certinho para conseguir chegar em casa no máximo quinze para meia noite. Sempre têm umas 30 pessoas na minha casa. Participo de um amigo oculto e só faço minha ceia às duas horas da manhã.
JV - E nas ruas como as pessoas reagem a sua semelhança ?
Josemar
- Todo mundo pergunta, mais os adultos e adolescentes. As crianças ficam olhando, olhando … Mas logo no dia 26 de dezembro eu tiro a barba. Dai a partir de maio eu deixo crescer. Algumas pessoas me dizem que eu sou o mais parecido com o Papai Noel. Como nunca conheci o Papai Noel não sei se é verdade (sorri).
JV - O senhor já pensou em deixar de ser o Papai Noel ?
Josemar
- Não penso muito nisso, mas acho cansativo por exemplo ficar em shoppings. A roupa eu já me acostumei. Eu penso que poderia trabalhar mais, porém eu acho que desse jeito está tudo bom. Hoje eu tenho minha roupa, meu sapato e cuido muito bem. É um trabalho, mas é diferente e gratificante.
JV - Na sua visão é importante cultivar a figura natalina do Papai Noel ainda nos tempos atuais ?
Josemar
- Sim. Na minha infância era diferente. Não tinha televisão e a figura do Papai Noel estava distante. Acho bom essa ilusão que as crianças mantêm. É gostoso ver o sorriso de uma criança, sentir o abraço é único. Mas não são só as crianças não. Têm adultos que se transformam quando me vêem. Abraçam, tiram fotos. É gratificante.

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