Adeus infiéis
A declaração do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, pode dar indício de que os políticos “infiéis” terão muita dor de cabeça no ano que vem. Segundo Mello, aqueles que trocaram de partido após as datas fixadas pela Justiça terão dificuldades para manter o mandato. E não são poucos. Em 2008 deverão ser julgados cerca de dois mil processos de partidos que querem reaver os mandatos desses “infiéis”.
Para isso, parte-se do princípio que dificilmente se tenha uma justificativa socialmennte aceitável para o troca-troca após o período fixado pelo TSE, que, neste ano, juntamente com o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que os mandatos de deputados, vereadores, prefeitos, governadores, senadores e do presidente da República pertencem aos partidos pelos quais eles foram eleitos.
As exceções para a troca de legenda sem risco de punição só ocorrem no caso de incoporação ou fusão de partido, criação de um novo partido, grave discriminação e mudança na ideologia do partido, o que sabemos que não é o caso, já que o que vemos são políticos passeando por diversas legendas apenas atrás de facilidades, favores e interesses, e nada relacionado ao que o partido pensa sobre determinada causa político, que possa ou não favorecer a população.
Será a grande oportunidade da Justiça se fazer valer e dar um basta neste troca-troca que torna banal o partido político. É a chance de começar um processo de moralização na política, onde os representantes da população ignoram o voto e a vontade dos eleitores durante as eleições como se não devessem satisfações a ninguém. Esse políticos foram eleitos, porém a ideologia e as propostas são de cunho partidário, portanto, deve-se fazer cumprir a lei.
