Andaraguá vai gerar 15 mil empregos diretos e começa a receber indústrias em 18 meses

Investimento de cerca de R$ 500 milhões a longo prazo, com a geração de 15 mil empregos diretos, o Condomínio Empresarial Andaraguá, em Praia Grande, deve começar a receber suas primeiras indústrias em 18 meses.
A previsão foi feita na quinta-feira (27), em coletiva à Imprensa do prefeito Alberto Mourão. Na ocasião, foi apresentado o principal parceiro do empreendimento, o Grupo Sonda, proprietário da área de 4,5 milhões de metros quadrados no Bairro Andaraguá. A gleba fica entre os quilômetros 286 e 290 da Rodovia Padre Manuel da Nóbrega – margem esquerda da via, sentido Praia Grande-São Vicente.
Projetado para abrigar até 212 empresas, o condomínio tem como maior diferencial a pista de pouso e decolagem para aviões de carga. Quando estiver em pleno funcionamento, o aeroporto local deverá receber de seis a oito aviões de grande porte por dia.
Localizado a cerca de 6 quilômetros do centro urbano de Praia Grande, o condomínio abrigará empresas de diversos segmentos, como de autopeças, metalurgia, produtos alimentícios, construção civil, tecnologia e produtos farmacêuticos e hospitalares. Os investidores revelaram que, dentre as empresas que estão sendo contatadas, há uma de manutenção de aeronaves, o que deve gerar novo serviço não restrito aos aviões que usarão a pista, mas até de outras empresas da aviação no Brasil.
A área destinada para suportar o polígono do aeroporto, cuja construção já foi autorizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), terá mais de 2 milhões de metros quadrados. A pista para pousos e decolagens terá inicialmente 1.600 x 30 metros. Na última etapa do complexo, prevista para daqui a dez anos, a pista deverá ser ampliada para 2.600 metros. O condomínio terá ainda 1.100 vagas de estacionamento e um heliponto.
Ambiente
É de 12 a 18 meses o prazo previsto de obtenção da licença ambiental do empreendimento. Conforme André Ursini, subsecretário de Relações Empresariais da Prefeitura, já estão sendo iniciadas as pesquisas para elaboração do estudo e do relatório de impacto ambiental (EIA-Rima).
Segundo o prefeito, a compensação ambiental do empreendimento, prevista na legislação específica, deverá ser feita em áreas contíguas. “Acordos ambientais de grandes investimentos por vezes levam ao plantio de árvores em áreas separadas”. O objetivo de Mourão é garantir que, no caso de Praia Grande, “a compensação represente um ganho a mais para o Município com a criação de um bosque”. A partir da liberação ambiental, começa a instalação das primeiras empresas, o que deve ser concluído no prazo de 24 meses aproximadamente. Numa primeira etapa, devem ser instaladas entre 40 e 50 indústrias.
O ato de apresentação oficial do empreendimento para a Imprensa foi aberto por Mourão, que fez um relato dos fatos que levaram à elaboração do projeto. Falou dos estudos que demonstram que o transporte aéreo de cargas será a matriz da economia nas próximas décadas. “Estratégias de desenvolvimento da economia devem antecipar o futuro. Não poderíamos esperar 10 ou 15 anos para pensar nesse complexo com aeroporto, porque até lá não existiriam mais áreas livres”, explicou.
A partir da definição da necessidade desse aeródromo, por volta do ano 2000, então deputado federal, Mourão procurou estudos de viabilidade técnica para vôos e decolagens. “Constatada a existência dessas condições, iniciamos na Prefeitura os primeiros levantamentos de viabilidade econômica e pesquisa de interesse empresarial”.
Com o grupo Sonda, os entendimentos estão sendo feitos há cerca de dois anos e meio. O prefeito disse que, além do cenário econômico traçado para o futuro, os investidores vislumbraram as vantagens estruturais e de localização estratégica de Praia Grande: “Tendo em vista o Mercosul, de um lado, e o maior mercado consumidor de outro (a Capital), Praia Grande é privilegiada pela malha ferroviária, hidroviária e rodoviária, além da proximidade com o Porto de Santos”.
Informou também que foram iniciados contatos com a América Latina Logística do Brasil S/A (ALL) para que a ferrovia desativada que passa ao largo do empreendimento possa chegar até o futuro aeroporto de cargas.
Após a explanação de Mourão, que exibiu a ilustração do projeto, foi apresentado o diretor-presidente do grupo investidor, Idi Sonda, que revelou que parte da área do futuro empreendimento já era de sua propriedade há 15 anos e as demais foram adquiridas aos poucos.
Roberto Moreno, diretor financeiro do grupo Sonda, disse que a empresa começou há 35 anos, em Erechim (RS) e que, “apesar do principal foco ser a comercialização de produtos alimentícios, seus sócios sempre tiveram grande vocação para empreender. Isso se reflete em outros projetos, como o Shopping Anália Franco, localizado na zona leste de São Paulo, do qual o grupo é o principal acionista desde 1984”.
