Personalidades
- março 31, 2008
Carlos Vilanova

Carlos Fernando Vilanova tem poucas lembranças da sua infância, já que mudava constantemente de cidade juntamente com o seu pai. Criado no quartel, decidiu trilhar pelo mesmo caminho. Muitas cidades e muitas tarefas marcaram a sua trajetória, bem como muitas medalhas e, acima de tudo, missões cumpridas. Conheça a partir de agora um pouco mais sobre a vida do tenente coronel e comandante do 2º BIL de São Vicente.
Enquanto todas as crianças passavam a infância aprontando na rua, ele “tocava o terror” no quartel. Seguindo sempre o seu pai, Carlos Fernando Vilanova viveu desde que nasceu no ambiente militar. Da influência de seu maior ídolo, ele resolveu dar prosseguimento a história da família até se tornar em 2005, Tenente Coronel do Exército Brasileiro.
Carlos Fernando Vilanova se formou na primeira turma do Colégio Militar de Brasília, em 1982. No mesmo lugar, voltaria anos depois para ser instrutor na formação de jovens. Em Resende se formou oficial e optou pela arma de infantaria como toda família. Teve sua primeira experiência na Unidade de Foz do Iguaçu, onde teve seu “batismo de fogo” quando houve uma ameaça de invasão da Usina de Itaípu.
A partir dali foram várias tarefas, várias cidades e vários objetivos sempre cumpridos a risca por Vilanova. Comandou desde cerimoniais de presidentes da República até toda logística do motim da Polícia na Bahia, quando policiais, guardas e seguranças paralisaram suas atividades e o Estado virou um caos, com saques, roubos e arrastões.
Seu último trabalho foi de assistente militar da Secretaria de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa onde pôde trabalhar com o Programa Calhanorte, do Governo Federal, que, segundo ele, está fazendo a diferença na fronteira norte do Brasil, vivificando a região através de uma verba extra-orçamentária não só para locação militar, mas para projetos civis como a construção de açudes, hidrelétricas, escolas, sustentando em boa parte a Amazônia.
Agora, Vilanova assume o posto de comandante do 2º Batalhão de Infantaria Leve “Martim Afonso de Souza”, em São Vicente. Adaptado a Região, ele tem como uma de suas principais metas aproximar mais o exército da comunidade. Em visita ao Jornal Vicentino, ele contou um pouco mais sobre sua vida e sua trajetória profissional. Confira agora:
Jornal Vicentino - O senhor nasceu em Florianópolis. Como foi a sua infância?
Carlos Fernando Vilanova - Na verdade a minha infância não foi uma infância muito normal. Florianópolis não está dentro das minhas recordações da infância. Porque como sou filho de militar nós temos essa características, somos os bandeirantes do século XXI. Então não temos parada, morei em várias localidades e Florianópolis foi só o local que eu nasci, por acaso, porque naquela época meu pai servia naquele lugar (14 BC), na época da Revolução de 64, mas não tenho vínculo nenhum com a cidade.
Jornal Vicentino - Então você viveu uma infância que não é normal como de qualquer outra criança?
Vilanova - Não é normal, não é natural. Isso é o que hoje meus filhos sentem. Um que é cadete e outro que está completando o Ensino Médio e quer fazer Engenharia. O que eu sofri é o que eles sofrem, mudando de cidade para cidade, e não tendo uma parada. As pessoas costumam dizer “você lembra da sua professora do primeiro ano?”. Eu não lembro. Porque um ano estava em um lugar, ano seguinte em outro. Essas lembranças ficam muito tênues, muito apagadas na memória. Eu sei de alguma coisa porque meus pais falam, “você estudou aqui”, mas dizer “esse é meu amigo de infância” não, tenho muitos amigos, mas de infância são poucos.
Jornal Vicentino - E a convivência com esse mundo fez com que você decidisse seguir a carreira militar?
Vilanova - O fato de ter nascido nesse universo e passado toda minha infância, tudo que eu lembro é eu brincando no quartel. Morava sempre em vila militar. Enquanto os meninos normais estavam jogando bola, eu estava entrando na reserva, estava tocando horror dentro do quartel. A criança que passa por essa influência, é normal que quando atinja a adolescência queira seguir a mesma carreira, vive naquele ambiente, acaba pegando essa influência.
Jornal Vicentino - Quando você ingressou no Colégio Militar?
Vilanova - Quando meu pai morou em Paulo Afonso, interior do Bahia, foi a primeira vez que eu ingressei no Colégio Militar. Eu fui interno em Salvador. Passei um tempo ali enquanto meu pai comandava uma companhia, que é responsável pela hidrelétrica do São Francisco. Meu pai foi transferido eu fui junto, fui para Brasília, onde o colégio militar tinha acabado de ser inaugurado. Eu me formei na primeira turma, em 1982. Dali eu fui para a academia em Resende (RJ). Lá são quatro anos, é nossa graduação, você faz o 3º grau e se forma oficial. Optei pela arma de infantaria, toda minha família é de infantes, optei pela carreira e iniciei o meu caminho. Desde 1979 que eu estou sozinho.
Jornal Vicentino - O senhor começou sua carreira de oficial em Foz do Iguaçu. Como foi essa primeira experiência?
VilaNova - Essa foi minha primeira unidade como oficial, era um quartel na fronteira, entre Brasil, Argentina e Paraguai. Passei quase três anos lá, fui comandante do pelotão de operações especiais, tive o meu “batismo de fogo”, quando a gente ocupou a Hidrelétrica de Itaípu, quando houve a greve das empreiteiras. Existia uma ameaça de invasão de Itaípu, em 1987, e meu pelotão, junto com o batalhão, foi o que chegou primeiro. Tivemos que entrar de maneira forçada junto a população que estava ali incandescida, ocupamos a hidrelétrica e ficamos ali 15 dias. Tivemos outros problemas também que foi a Crise do Paraguai, quando o então presidente foi deposto e nosso batalhão teve que ocupar a fronteira. Tivemos que ocupar a Fronteira da Amizade. Foram dois anos de bastante turbulência, mas sem stress.
Jornal Vicentino - Ali foi sua grande experiência para poder seguir adiante?
Vilanova - Foi o primeiro batalhão que eu servi, onde eu consolidei meu caráter militar. Todos aqueles atributos do oficial a gente vai consolidar quando sai da academia e vai botar em prática. De lá fui para Brasília, para o batalhão de guarda presidencial. Fiquei quatro anos e tive oportunidade de travar contato com vários presidentes, peguei a época do final do Sarney e o início do Collor. Eu comandei a companhia do cerimonial, que é feito no Palácio do Planalto e Alvorada. São as recepções a embaixadores, chefes de estado, tudo era comigo. Nessa época fiz o curso de batedor e participava também da escolta de autoridades, fora as tarefas de guarda, sob nossa responsabilidade estavam todos os palácios, tínhamos a guarda do patrimônio.
Jornal Vicentino - O senhor pôde voltar depois para o Colégio Militar, onde se formou. Como foi?
Vilanova - Eu tive a oportunidade no seguir do Colégio Militar de Brasília, como instrutor, e comandei uma companhia de alunos, formando jovens, inclusive fui o primeiro oficial ex-aluno a voltar como instrutor. Depois eu fiz um curso de aperfeiçoamento no Rio de um ano e fui para Cristalina, em Goiás. Servi dois anos, preparei a tropa para ir para Angola, na época a base do contigente era de Goiânia, foi uma época de muita atividade. Fui nomeado instrutor da Escola de Sargento das Armas, em Três Corações, Minhas Gerais. Foram três anos como instrutor, formando os sargentos de carreiras, combatentes do exército brasileiro. Nós temos sargentos temporários formados em todos os batalhões, mas os de carreira, que vão ficar 30 anos, são formados lá em Minas Gerais. Formei três turmas de sargento.
Jornal Vicentino - Em sua passagem pela Bahia, o senhor precisou enfrentar o motim da Polícia Militar? Como aconteceu essa passagem por Salvador?
Vilanova - Fui nomeado Comandante da Companhia de Comando da 6º região militar, em Salvador, Bahia. Naquela terra boa de Iemanjá, Senhor do Bonfim, fiquei três excelentes anos, onde fiquei na Companhia de Comando, que é aquela que dá suporte ao quartel general. Esse foi um fato interessante, quando passei por Salvador eu tive a oportunidade de participar de umas primeiras operações especiais de GLO, que significa Garantindo a Lei da Ordem. Isso devido ao motim das policiais militares do Estado da Bahia. Toda Polícia Civil, Guarda Municipal, Segurança Bancária, todos foram paralisados, por esse motim, que acabou se espalhando. A cidade Salvador, em 2001, virou o caos, todo o Estado, eram saques, roubos, arrastões, a cidade virou terra de ninguém. Foi formado um destacamento chamado Bahia formado por tropas de outros estados do Brasil. Foram concentradas em Salvador para assumir o controle da Cidade e eu fui o oficial de logística. Eu que coordenei toda parte logística, participei da parte de apoio de transporte, alimentação, combustível, munição para esses quatro mil homens, ficou ao meu encargo. Até foi uma surpresa para mim, porque eu não era o oficial de estado maior, mas o general na época falou que ia ser eu e eu aceitei o desafio. Esse acontecimento acabou me projetando, fiquei mais conhecido, graças a Deus deu certo. Conseguimos debelar a greve da polícia, acalmar a população, em uma cidade com 3 milhões de habitantes, então é complicado, sem polícia, nem ninguém, fica um pandemônio. Foi uma operação difícil, delicada na sua execução, mas não tivemos nenhum conflito com a polícia. Quando acabou estavam todos do nosso lado, tanto é que nesse tipo de operação quando a gente assumiu o controle, a polícia passou para o controle do exército.
Jornal Vicentino - Conte um pouco sobre as suas primeiras impressões, o que o senhor achou da Região e de São Vicente?
Vilanova - O calor humano das pessoas, amizade, aquelas características de cidade do interior mas com peculiaridades de cidade grande, como os problemas de segurança. É um povo muito acolhedor, nunca tinha servido no Estado de São Paulo. Aqui na Baixada estou muito feliz, minha família está muito bem adaptada, o batalhão está excelente com uma equipe muito boa e estou muito satisfeito. Meu filho já está estudando aqui e se Deus quiser tudo irá dar certo.
Jornal Vicentino - Qual suas principais metas e objetivos a frente do 2º Batalhão de Infantaria Leve “Martim Afonso” ?
Vilanova - A principal meta é o entrosamento com a comunidade, vários tipos de parcerias com a comunidade. Uma das metas é essa, é fazer com que o exército na pessoa do 2º BIL seja conhecido pela comunidade. Aquele que não serviu o exército, não fez o NPOR, não tem nenhuma ligação com o exército, acaba tendo uma “retração” e prefere manter uma certa distância. Nossa intenção é essa, trazer a comunidade para dentro do quartel, somos nada mais nada menos que cidadãos, a diferença é que usamos uma farda, mas cumprimos as mesmas leis, pagamos os mesmos impostos, só somos cidadãos fardados.
Jornal Vicentino - Uma pesquisa mostrou que mais de 80% das pessoas que prestam o serviço militar atualmente é por livre e espontânea vontade. Como o senhor avalia essa mudança?
Vilanova - O que acontece é que de uns dez anos para cá no Brasil inteiro, a lei de serviço militar é obrigatório, só que de alguns anos para cá isso está invertendo. A maioria das pessoas que estão buscando são voluntários. Aqui no Batalhão Martim Afonso conseguimos 100% de voluntários, todos eles queriam servir. É uma conquista do exército, uma mudança da mentalidade, e também de alguns outros fatores, como o econômico.




2 Comentários para “Carlos Vilanova”
O cel.vilanova é um exemplo de ser humano dedicado ás causas justas,pacíficas,sociais e um excepcional colaborador nacional,em prol do adiantemento moral e educacional da sociedade brasileira.Meus sinceros votos de felicidades a esse tão ilustre comandante.
Ele foi cmte da 2ºcia inf gda-BGP-onde eu servi em 1991/1992.
Por almir francisco em jan 8, 2010
Em 1993 o então Capitão de Infantaria Vilanova foi comandante da 7ª Companhia de Alunos no Colégio Militar de Brasília da qual eu era integrante como aluno. Não segui a carreira militar, hoje sou funcionário público federal e apesar de ter sido comandado pelo Cap. Vilanova por apenas um ano, aprendi muito com esse grande cidadão brasileiro.
Desejo ao Cel. Vilanova e família felicidades, saúde, sucesso e paz.
Por Felipe em mar 22, 2010