Ciclovia do Trabalhador já é realidade em São Vicente

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Há alguns anos era impossível imaginar um trabalhador da Área Continental de São Vicente indo trabalhar de bicicleta até Santos em um espaço exclusivo para ciclistas, protegido por um sistema sinalizado e com um piso de primeira qualidade.

O que era um sonho, hoje se transforma em uma feliz realidade, chamada Ciclovia do Trabalhador. A obra trouxe inúmeros benefícios para a Cidade e gera total satisfação não apenas pelas pessoas que utilizam o local, mas toda a população.
Pela ciclovia, passam diariamente mais de 12 mil ciclistas. Muitos percorrem toda a sua extensão de 14 quilômetros, que inicia na Avenida Angelina Pretti, na Área Continental, passa pela Linha Amarela e percorre toda a Praia do Itararé até a Divisa com Santos. Ela é mais larga que o padrão normal, tem 2,5 metros de largura, permitindo mais segurança aos usuários que costumam carregar no bagageiro ferramentas, sobras de construções, roupas ou marmitas. “Antes era muito perigoso andar por aqui de bicicleta, agora ficou muito tranqüilo e bem mais rápido”, diz Roberto Ferreira de Souza, que trabalha no bairro do Estuário, em Santos. “Tinha que ser feito, porque são milhares de pessoas que precisam da ciclovia para trabalhar”, conta.
O nome “do Trabalhador” não é a toa. Cada vez mais crescem as pessoas que trocam os meios de transportes coletivos pela bicicleta. O fenômeno já é observado há mais de cinco anos. Em 2003, o vereador Roberto Rocha solicitou a criação da ciclovia e a liberação da área que margeia a Linha Férrea, na Linha Amarela. “Ver uma obra que foi solicitada por mim e aceita prontamente pelo prefeito sendo utilizada por um contigente tão grande de pessoas dá muita satisfação e a sensação de dever cumprido”, diz o vereador.
Ele fala da importância da obra para a segurança dos ciclistas. “Com certeza ela traz muita segurança para quem anda de bicicleta, diminui enormemente o risco de acidentes e garante melhor qualidade de vida para todos os usuários”, explica Roberto, que também ressalta a importância de andar de bicicleta como atividade física. “Muitas pessoas vêm falar comigo, dizem que tinham a saúde debilitada e os médicos indicaram a bicicleta como atividade física. A ciclovia acaba atendendo essas pessoas também”.
Um dos exemplos de quem usa a bicicleta não apenas para se locomover, mas como atividade física é Moacir Soarez, de 56 anos. “Vou trabalhar em Santos todos os dias e só vou de bicicleta”, diz. “Acabo unindo o útil ao agradável porque precisava praticar exercícios e andar de bicicleta acaba me dando mais disposição e mais qualidade de vida”.
Roberto Rocha também aponta todas as vantagens que a Cidade ganhou com a ciclovia. “Não foi apenas os ciclistas que ganharam com a obra. Ela trouxe mais urbanização para a Cidade. Antes no local da linha férrea era apenas acúmulo de lixo. Agora podemos ver um lugar urbanizado, que valorizou todo o entorno da ciclovia, tanto as residência quanto os comércios”, completa.

MELHORIAS

O vereador também ressaltou que ainda há melhorias que precisam ser realizadas ao longo da ciclovia. “Já foi verificado alguns problemas principalmente em cruzamentos, nos faróis”. Roberto diz que conversou com o prefeito Tércio Garcia, que garantiu que as falhas serão solucionadas. “O Poder Público já está consciente e em breve todas as melhorias necessárias serão providenciadas”.
Ele também pede a ajuda da população para que a ciclovia fique cada vez melhor. “As falhas acontecem porque trata-se de algo novo. Estamos nos adaptando. É importante que a população verifique qualquer problema e comunique ao poder público para que possamos juntos tornar o local cada vez mais seguro e confortável”, conclui.

Obra foi reivindicada em 2003 pelo vereador Roberto Rocha 

“Solicita ao Governador do Estado, ao Secretário de Estado dos Transportes e à Direção da CPTM que acolham a reivindicação de São Vicente, liberando a área que margeia a linha férrea na cidade, para implantação de um corredor de ônibus e da Ciclovia do Trabalhador”
Senhor Presidente
Senhores Vereadores
A Ciclovia do Trabalhador é um antigo sonho dos setores mais carentes da população vicentina. São milhares de trabalhadores que, todos os dias, desde as primeiras horas da manhã, utilizam a bicicleta para se locomover de casa para o trabalho.
O alto custo do transporte coletivo obriga milhares de famílias a se valer da bicicleta como meio de transporte. Todos os dias uma legião de verdadeiros heróis, estimada em mais de 40 mil ciclistas, sai de vários pontos da Cidade, incluindo a Área Continental, em direção à orla do Itararé e dali seguem para seus locais de trabalho em Santos e até em Guarujá.
São trabalhadores que arriscam suas vidas em trechos de trânsito congestionado e disputam espaço com ônibus e caminhões. Recebem fechadas e, não raro, são derrubados por veículos conduzidos por motoristas inconscientes da importância do ciclista na sociedade. Devido a isso, os registros de acidentes envolvendo ciclistas são alarmantes, apontando a necessidade de interferência do Poder Público para melhorar as condições de transitabilidade para essa importante parcela da população.
Os ciclistas trabalhadores de São Vicente, procurando fugir dos perigos de trânsito, acabaram por descobrir rotas alternativas. Uma delas fica ao longo da linha férrea que corta a Cidade. Trata-se do trecho hoje em poder da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que autorizou o uso dos trilhos pela Ferroban.
O trecho tem 16 quilômetros, a contar da Área Continental, até a antiga estação Sorocaba, na Avenida Ana Costa, em Santos. E se tornou mais conhecido dos vicentinos pelos problemas que causa, como o acúmulo de lixo, mato e pode ser utilizado irregularmente como estacionamento por carros e até caminhões de grande porte, como acontece ao longo da Avenida Marechal Deodoro.
Os ciclistas, entretanto, têm dado uma finalidade nobre a alguns trechos das áreas laterais à linha férrea, mesmo que enfrentando buracos, pedras e mato. Há décadas eles reivindicam o aproveitamento do trecho entre a Área Continental e a Praia do Itararé para a implantação de uma ciclovia.
Sempre sensível às reivindicações da comunidade, o Prefeito de São Vicente, Márcio França, tem reivindicado à CPTM e ao Governo do Estado a autorização para o uso da área para diversas finalidades, como a construção de um corredor de transporte coletivo e a Ciclovia do Trabalhador.
Há, inclusive, projeto nesse sentido, que prevê uma ligação segura para os ciclistas entre a Área Continental e a orla do Itararé, permitindo, assim, que os ciclistas sigam para Santos e seus locais de trabalho sem os riscos que enfrentam hoje em dia.
A reivindicação de São Vicente já foi encaminhada ao Governo do Estado. Por isso, a Câmara Municipal de São Vicente deve entrar firme nessa luta a favor dos trabalhadores que usam a bicicleta como meio de transporte.
Dessa forma,
Requeiro, ouvido o Plenário, oficie-se ao Governador do Estado, ao Secretário de Estado dos Transportes e à Direção da CPTM, solicitando-lhe que avaliem com nítida atenção essa importante reivindicação de São Vicente, autorizando o uso da referida área para a construção de um corredor de transporte coletivo e da Ciclovia do Trabalhador.
Sala Martim Afonso de Souza, em 11 de setembro de 2003, Roberto Rocha - vereador

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