Editorial
- abril 10, 2008
Fim do Orkut
O Orkut pode ser fechado. Essa pelo menos é a ameaça do presidente da CPI da Pedofilia, Magno Malta. A ameaça tem justificativa. Ele quer que o Google, dono da rede social mais famosa da internet, colabore com as investigações de pedofilia na Internet.
Mesmo a CPI tendo poder de justiça e de polícia, a empresa parece não estar facilitando o trabalho. De acordo com os investigadores, o Google se nega a divulgar o nome de internautas que divulgam conteúdo de pornografia infantil na rede.
As autoridades brasileiras querem que a empresa americana entenda que no Brasil há uma lei e ela precisa ser respeitada e que a conversa sobre cooperação não é uma esmola que eles estão oferecendo. Além de ameaçar fechar o orkut no Brasil, os senadores também cogitam fazer uma acareação, colocando frente a frente Sergio Suiama, procurador do Ministério Público Federal de São Paulo, e Alexandre Hohagen, presidente do Google no País.
A principal polêmica no momento diz respeito ao mecanismo de privacidade criado pelo orkut, que permite que os usuários “tranquem” seus álbuns e página de recados, deixando o acesso restrito aos amigos de perfil. Segundo o Ministério Público, a ferramenta é uma proteção aos criminosos, que usam o conteúdo pornográfico sem serem visto por outros usuários e pelas autoridades. São mais de 3 mil álbuns já denunciados por esse tipo de prática. O Ministério quer que o Orkut revele os dados dos criminosos, com informações como logs de acesso, dados do usuário e fotografias que estavam no site e constituem casos de pedofilia ou crimes de ódio contra certas parcelas da população.
A expectativa é que a discussão termine da melhor maneira possível, com as autoridades conseguindo chegar aos criminosos que usam a internet para divulgar conteúdos com pornografia infantil e com os milhares de internautas, que na sua grande maioria, usam o orkut de maneira lícita. Somente a conversa pode solucionar essa situação, com o Google entendendo que o Brasil não tem as mesmas leis americanas, não é “terra de ninguém” e precisa ser respeitado, e a polícia fazendo também a sua tarefa, não repassando todas as suas obrigações a terceiros.





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