Darci Mercki

Mulher, mãe e empresária. Essas são as funções básicas de Darci Mercki, proprietária do mais tradicional bar e choperia de Santos, o Heinz, que existe há 48 anos. Responsável por conservar a tradição da culinária alemã, Darci mantém o local
como principal ponto de encontro da Região. Conheça um pouco mais da vida de uma mulher dedicada e decidida.
Nascida no interior de São Paulo, Darci é filha de engenheiro e cresceu em uma fazenda. Hoje ela mantém a tradição de receber amigos e clientes em seus três estabelecimentos comerciais em Santos. Além do melhor chopp, Darci é responsável pelo melhor da culinária alemã na Região.
A equipe do Jornal Vicentino entrevistou a empresária, no Café Paulistana, e pôde conferir um pouco mais da hospitalidade e do seu otimismo. Saiba a seguir como ela conquistou seu sucesso profissional e como administra tudo ao lado de sua filha.
Jornal Vicentino - Você nasceu no interior do estado. Qual a cidade ?
Darci Mercki - Sou nascida em Caiuá, interior de São Paulo, perto de Presidente Prudente. Meu pai foi para essa cidade para construir uma usina, ele é engenheiro. E lá morávamos em uma fazenda.
JV - Quais suas lembranças de infância ?
Darci - Nos mudamos para Santos quando eu tinha 6 anos. Viemos para cá porque meu pai veio construir prédios na orla da praia. Meu pai já veio da Alemanha formado em engenharia. JV - Quais escolas freqüentou aqui em Santos ?
Darci - Estudei no Marques de São Vicente, no canal 2, depois fui para o Canadá. Dai fui fazer faculdade de biblioteconomia.
JV - E porque escolheu essa área que hoje não tem nada a ver com sua vida ?
Darci - Na verdade eu não escolhi. Eu já trabalhava na época na biblioteca da Escola Luis de Camões e me casei na época com o Heinz, que hoje é falecido. Só uni minha função aos estudos. Também trabalhei na editora Abril. Fiquei vendendo livros por 11 anos pela editora, só depois fui trabalhar no Luis de Camões.
JV - E como surgiu administrar uma choperia com culinária alemã ?
Darci - Meu marido era filho de pais alemães e era dono do Heinz. Quando ele morreu me vi obrigada a tocar o negócio. Lembro que nós morávamos no mesmo prédio e foi assim que nos conhecemos. Eu fiquei viúva duas vezes e ele foi meu terceiro marido. Eu não tinha experiência nenhuma, mas não teve jeito, tinha que administrar. Mas acabei gostando da coisa. Estou a frente do Heinz desde 1988.
JV - Santos é uma cidade turística e recebe pessoas de todos os lugares. Como é o dia-a-dia de um comércio que lida com a alegria das pessoas?
Darci - É cansativo esse tipo de comércio, digo que chega a ser estressante, porque acordo as seis horas da manhã e me preocupo com tudo, desde palito até guardanapo. Seria como se fizesse uma festa por dia. Eu faço três festas por dia, porque são três restaurantes. Mas é gostoso. A culinária alemã é um diferencial e isso se deve a minha família e do meu marido. Um dos petiscos mais procurados é o salsichão com pão, mostarda escura e molho de cebola. Outro que sai bastante é o eisbein (joelho de porco acompanhado de batata cozida e chucrute).
JV - E quando sentiu a necessidade de abrir outros restaurantes ?
Darci - Há um tempo atrás eu abri uma boutique de peixes e começaram que as minhas amigas iam para lá e acabou que de repente já éramos, oito, dez mulheres sentadas em uma mesinha comendo petiscos. Depois os respectivos maridos vieram atrás e virou um bar e mais tarde um restaurante, o Armazém 23.
JV - Como você vê o comércio atualmente ?
Darci - Como em qualquer lugar do mundo, no comércio tem que se trabalhar muito para ter sucesso. Esse negócio de montar um bar e pronto não funciona. Tem que trabalhar e se dedicar. Os meus estão cada vez melhores e estou expandindo. O Paulistana é como os outros só que agreguei mais sanduíches e o café. As comidas são as mesmas do Armazém. O polvo à provençal é o principal prato. No Armazém o cuscuz é o carro chefe, aqui no Paulistana é o pastel de camarão e no Heinz o Salsichão.
JV - Como você faz para conciliar a vida de mulher, mãe e empresária ?
Darci - É complicado. Às vezes eu fico preocupada e faço perguntas do tipo: “será que criei bem minha filha, fiz as coisas direito?”. Mas está dando tudo certo. Me acho muito forte. Minha filha, que hoje tem 33 anos, cresceu nesse ambiente e hoje me ajuda muito. Ela sabe tudo sobre os restaurantes.
JV - E para o futuro tem mais algum projeto comercial ?
Darci - Não. Mas pretendo viajar, emagrecer, passear. Sabe aquele fim de ano que a gente promete um monte de coisa? Então (risos). Mas eu sou uma pessoa muito empreendedora e as coisas vão acontecendo. Hoje tenho 48 funcionários e expandir também quer dizer empregar cada vez mais pessoas. Na verdade eu gosto de bar, de alegria. É diferente de profissionais como o médico. Meu trabalho é com alegria, porque se bebe, se come, é um prazer. Ganhamos um prêmio da Veja, como melhor chope, melhor happy hour e melhor comida alemã. Isso é um orgulho para a Região. Muita gente desce de São Paulo só para comer e depois voltam. Mesmo porque a qualidade de vida daqui é muito superior a do Estado, então conheço pessoas que querem vir morar aqui.
JV - Em breve o hotel e o Clube XV estarão abertos. Quais os benefícios que eles trarão na sua visão ?
Darci - Acho que irá aumentar o nosso trabalho. Com essa obra eu acho que terei que abrir o Heinz durante o dia. Atualmente só abro aos sábados e domingos durante o dia. O movimento deve aumentar ao redor também e isso é bom para a Cidade e para o comércio local.
