Vicentinos que estudam medicina em Cuba contam experiência vivida no exterior

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Atualmente, o sonho de muitos jovens é estudar no Exterior, em uma escola renomada. Lucas Pedroza Daniel, de 25 anos e Renato Nascimento da Costa, de 23, conseguiram realizar este sonho graças a um intercâmbio, fruto de parceria da Diretoria de Relações Internacionais (Direin), ligada à Secretaria de Relações Governamentais (Sereg), e a cidade cubana Holgin.

Hoje eles estudam Medicina em uma das mais tradicionais escolas do Mundo, a Universidade de Havana. Eles embarcaram em setembro de 2007 e, de férias no Brasil, contam um pouco da experiência que viveram neste primeiro ano de estudos fora do País. Os jovens voltaram para Cuba nesta quarta-feira (27)
Desde criança, Lucas Pedroza pensava em ser médico. Antes de embarcar para Cuba foram três tentativas de ingressar no curso de Medicina, todas sem sucesso. “Chegou uma hora que pensei que seria impossível realizar meu sonho, mas esta iniciativa da Prefeitura abriu as portas para mim”
De acordo com o jovem, quando viajou para Cuba, não conhecida nada do idioma local. “Eles oferecem um curso de adaptação para os estudantes que vem do Exterior, chamado pré-médico. Nestas aulas, eles ensinam o básico de todas as matérias que aprenderemos na faculdade em espanhol. Isso ajuda muito a fixar a língua”, conta. Estudam junto com ele mais 26 pessoas entre brasileiros, argentinos e cubanos. Depois deste período, começaram as aulas do curso que sempre sonhou fazer
Estes primeiros nove meses foram puxados. Ele estuda das 8 às 11h30 e das 14 às 17 horas. Nas horas vagas continua a estudar. “Em Cuba chama-se este período de consolidação. É o tempo que temos para ler, fazer exercícios e tirar dúvidas com os professores”. Ainda de acordo com Lucas, cada dia que passa é uma vitória. “Quando penso no segundo semestre vejo o quanto foi difícil, mas isto me estimula a estudar ainda mais”.
Neste período de estudos, o estudante vicentino já percebeu que os médicos formados no país caribenho têm uma visão diferente. “Lá eles não pensam no financeiro e sim são focados muito na questão de ajudar as pessoas. Na faculdade eles mostram a importância de se trabalhar pelas pessoas”.
A saudade é um capitulo à parte. Segundo o estudante, é amenizada porque, sempre que possível, os estudantes brasileiros estão juntos. “Nos apoiamos um ao outro. Sempre que posso telefono, mando e-mail para minha família, procuro manter contato constantemente”
O curso de Medicina tem duração de cinco anos. Após este período, Lucas sairá da Universidade formado em Clínica Geral. “Já pensei em ser neurocirurgião, mas cada dia que passa conheço coisas novas. Quero fazer minha especialização aqui no Brasil”, afirma. Mas, assim que voltar para o País, Lucas já sabe o que fará. “Fico feliz em saber que posso voltar para São Vicente e prestar serviço para o meu Município, trabalhar na minha Cidade”.

Adaptação tranqüila

Já Renato Nascimento ficou assustado quando chegou a Cuba. “Mas a adaptação foi tranqüila”, relata. De acordo com o jovem, a língua local não é difícil de aprender, mas a cultura é um pouco diferente da brasileira. “As questões culturais e políticas são levadas bem a sério lá. Temos que, todos os dias, antes das aulas, cantar os hinos da Argentina, de Cuba e do Brasil, porque a faculdade abriga estudantes dos três países”.
Para o estudante, o modo de ensino cubano é exemplar. “Eles ensinam que temos que estudar sozinhos e debater desde o primeiro dia de aula. Toda segunda-feira tem prova oral, prática e escrita”. Já no primeiro ano, os estudantes mesclam a teoria com a prática. “Recebemos e ajudamos uma família durante todo curso. É bem corrido, mas é muito bom”, conta o jovem, que vive e se alimenta em uma república que fica nas dependências de Universidade.
Assim como Lucas, Renato sempre quis cursar Medicina. “Já tinha cursado Enfermagem e me especializado em Enfermagem do Trabalho. Procurei ajudar sempre o povo da minha Cidade, participando de campanhas de vacinação”. O estudante sempre soube que a Medicina cubana era renomada. “Mas não pensava que um dia iria para lá. A partir do momento que soube que iria, minha vida mudou. Não dava para acreditar”.
Segundo o vicentino, o fato de diplomas de outros países serem aceitos no Brasil ajuda a melhorar o cenário da Medicina nacional. “Faltam médicos, principalmente em lugares mais precários no país inteiro. Com o que aprendemos em Cuba, podemos colaborar, trazer benefícios”. Este também é o sonho de Lucas e de todos os vicentinos que estudam no exterior. Ajudar os moradores da Cidade a ter uma vida melhor.

Mais vicentinos

Em 2007, também por intermédio deste convêniom Carla Valéria Lima, de 25 anos e Rodrigo Torres da Silva, do projeto Jepom, de 24 anos, ganharam bolsa de estudo na Universidade de Havana. Os dois fazem companhia para Renato e Lucas nas aulas e nas horas de folga.

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