Quando corpo e mente não se entendem

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A expectativa era a melhor possível. Contando com a maior delegação da história da participação brasileira em Jogos Olímpicos (277 atletas, 30 a mais que Atenas/2004) e, também, o maior investimento (R$ 1,2 bilhão), o COB (Comite Olímpico Brasileiro), os atletas e, principalmente, a população brasileira mostravam otimismo quando falava-se do Brasil em Pequim.

Entretanto, medalhas douradas foram perdidas e o Brasil mais rico da história saiu pobre de terras chinesas. A impressão que ficou foi uma só: muitos atletas pareciam nervosos e desconcentrados. Será que faltou uma preparação psicológica adequada?
O ginasta Diego Hypólito, campeão mundial, executava sua série com perfeição e, no último salto, caiu sentado no tablado. O sonho dourado desmanchava-se naquele momento. Perplexo, Diego não acreditava no que havia acontecido. Mesmo aplaudido, o ginasta não agradeceu a platéia e, com olhos arregalados, despediu-se do tablado pronunciando “eu não acredito” por incríveis quinze vezes.
A prova de que Pequim não era a Olimpíada do Brasil veio com a dupla masculina de vôlei de praia, Márcio e Fábio Luiz. Apesar do favoritismo da dupla norte-americana na final, os brasileiros começaram a todo vapor e logo abriram uma vantagem considerável, 8 a 3. No entanto, os americanos demonstraram tranqüilidade, reagiram e fecharam o primeiro set em 23 a 21.
Já o segundo set foi sinônimo de equilíbrio. A vantagem da partida se alternava entre as duplas e, quando tudo parecia perdido, dois aces de Márcio transferiram a vantagem para o lado brasileiro - tanto do jogo, quanto do psicológico. Vitória verde-amarela por 21 a 17.
Veio o terceiro e decisivo set, o tie break. Tudo parecia favorecer a dupla brasileira. Parecia. Fábio Luiz persistiu em jogadas semelhantes e a os americanos Rogers e Dalhausser só ampliavam a vantagem, 9 a 1. Assim como havia ocorrido com Diego Hypólito, a medalha dourada despedia-se do Brasil, vitória americana por sonoros 15 a 4. E com a a derrota, o sabor amargo da prata.
Mas ainda faltava a contraprova. E ela veio no último dia de Olimpíada, durante a final do vôlei masculino de quadra, entre Brasil e Estados Unidos. Poucas semanas antes, a seleção brasileira já havia perdido para os norte-americanos, na Liga Mundial de Vôlei, realizada no Rio de Janeiro. Empolgada, a torcida brasileira clamava por revanche. No entanto, a máquina de títulos comandada pelo técnico Bernardinho deu pane e, novamente, esfacelou-se diante do time americano. Derrota por 3 sets a 1 e um sentimento de decepção mesclado com frustração.
Ao término das Olimpíadas, o Brasil conquistou 15 medalhas e apenas igualou seu recorde em termos quantitativos, já que em Atlanta/1996 conquistou o mesmo número de pódios. Em termos qualitativos, a melhor campanha fica, ainda, com Atenas/2004, quando a delegação brasileira saiu da Grécia com cinco medalhas douradas na bagagem. Em terras chinenas foram apenas três, visto que os favoritos ao lugar mais alto do pódio ficaram pelo caminho. Como explicar as medalhas perdidas? Não existe uma única versão, mas, sim, diversas interpretações que chegam a um denominador comum: o atleta brasileiro precisa de um trabalho psicológico intensivo, pois só dessa forma estará em sintonia com seu corpo. Sendo assim, a chance de rechear a bagagem brasileira de mais conquistas douradas será ainda maior.

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