O legado de Irmã Dolores

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No último sábado, dia 30, a Baixada Santista ficou mais triste. A religiosa Maria Dolores Muniz Junqueira, a Irmã Dolores, morreu aos 82 anos. Conhecida como “mãe dos pobres”, a religiosa dedicou mais de 40 anos de sua vida à população carente.

Nascida em Gijón, no Principado de Astúrias, na Espanha, Dolores abandonou o terceiro ano da faculdade de Medicina e entrou para o convento. Designada pela congregação na Espanha para vir ao Brasil, Irmã Dolores surpreendeu-se com a pobreza instalada no país e decidiu dedicar seu trabalho aos mais humildes.
Na década de 60, a religiosa veio a Santos, após o convite do então bispo diocesano Dom Davi. No entanto, ao percorrer os diques e as palafitas, decidiu que seria em São Vicente que desenvolveria o seu trabalho. Começou atuando no bairro Jóquei Clube e, depois, trabalhou no Guarujá, sendo a responsável pela construção da capela Jesus Nazareno, entre outras conquistas, sobretudo na Vila Zilda, que a homenageou dando seu nome à pré-escola do bairro.
Mas foi no bairro do Quarentenário que Irmã Dolores se destacou (leia na matéria abaixo). Há 15 anos dedicando-se à comunidade, a religiosa criou a VIP (Vila Ponte Nova Instituição Promocional), entidade que conta com a parceria da ONG espanhola ‘Mãos Unidas’, além da Prefeitura e do Governo do Estado. Igrejas, uma escola profissionalizante, uma casa de partos normais e dois restaurantes populares, com refeições a R$ 1,00, simbolizam a luta da religiosa pela população vicentina.
Ao longo de sua vida, Dolores recebeu inúmeras homenagens, como o título de Mulher do Ano da Câmara Municipal de Santos, o prêmio Santo Dias de Direitos Humanos, concedido pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, além da indicação ao Prêmio Nobel da Paz, em 2005, em razão de seu trabalho nas áreas de Saúde, Educação, Meio Ambiente, além da constante defesa aos mais pobres.

Na entrega de diplomas da Escola Profissionalizante, Irmã Dolores dizia: “Eu não quero que me agradeça, pois isso faz parte da minha vocação. Como religiosa, estou aqui para servir o povo”. Mesmo com o seu pedido, é impossível deixar de agradecer Irmã Dolores. É impossível falar do crescimento e do desenvolvimento do bairro do Quarentenário sem citar seu nome. Tudo feito com muito amor, como explicou Cleuza Maria Coelho da Silva, diretora da ONG Vila Ponte Nova Instituição Promocional (VIP), criada por Dolores.
Quando chegou no bairro da Área Continental de São Vicente há 15 anos, a Irmã reuniu a população e perguntou quais eram as suas necessidades. Começou pela luz e pela água, depois a construção da igreja, do posto de saúde e da Escola Raul Rocha do Amaral.
“A Irmã sempre trabalhou unindo fé e vida, que visa resgatar o ser humano e dar dignidade de vida por inteiro”, afirma Cleuza. Apesar da perda, a diretora da VIP se diz confiante para continuar os projetos, juntamente com a presidente da entidade, Maria Helena de Almeida Lambert, reitora da Unisantos. “Aprendemos muito com ela. É claro que, com sua ausência, a luta fica ainda maior”. “Iremos melhorar ainda mais os projetos. É isso que desejamos”.

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