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- setembro 16, 2008
A chance de viver em igualdade

Muitos podem não saber, mas na EMEF Antonio Fernando dos Reis (Avenida Juiz de Fora, nº 90 – Jardim Independência) funciona uma Sala de Recursos Especiais voltada a deficientes visuais e auditivos. Uma das responsáveis por ensinar, auxiliar e orientar é a professora Ireni Souza de Oliveira. Formada em Pedagogia e Gestão Escolar, trabalha há mais de 20 anos com cegos e portadores de baixa visão.
A idéia de começar o auxílio a estas pessoas vem da própria experiência de vida da professora. Até os 21 anos, ela não enxergava perfeitamente. “Só via vultos, não distinguia as cores e ainda por cima era surda de um dos ouvidos”, conta. Graças a um transplante de córnea começou a ver o mundo a sua volta.
Todo equipamento da sala é voltado para deficientes visuais e auditivos. Mais de 200 pessoas, dos 4 aos 40 anos, são atendidas por mês. Com o auxílio de uma impressora a braille e o sistema DOSVOX instalado em um computador, Ireni inclui digital e socialmente estas pessoas que não podem enxergar ou que apenas vêem vultos.
Uma das atendidas é Lúcia, que tem apenas 9 anos e sofre de baixa visão. A garota enxerga apenas cerca de 5 a 10%. Ireni faz com ela um trabalho de estimulação através de cores e imagens que chamem atenção. Apesar da limitação, nada tira o sorriso do rosto da pequena garota. Quando perguntam o que ela acha do tratamento que recebe, não hesita: “Eu adoro estar aqui”, diz.
Sabendo o quanto as pessoas necessitam de apoio, Ireni sempre pensa em como poder ajudá-las. “Minha motivação é saber que todos nós podemos ser agentes multiplicadores. Pessoas conscientes e com responsabilidade social podem fazer deste mundo um lugar melhor para se viver com igualdade e respeito”, ressalta.
Ireni lembra ainda de muitas dificuldades que o cego e o portador de baixa visão enfrentam no dia-a-dia, como por exemplo, utilizar o transporte público. “É muito complicado o deficiente lidar com situações como esta. Uns ajudam, outros não. O que precisamos é de um trabalho de conscientização”, aponta.
Segundo ela, são várias as situações em que os deficientes sentem dificuldade de adaptação, mas graças a cursos como o de Orientação de Mobilidade, que também faz parte do atendimento, o problema é revertido. Neste caso específico, o deficiente aprende a identificar o ambiente à sua volta, passando por diversas situações, desde andar e desviar de objetos, até a tomar banho.
A secretária de Educação, Tânia Simões, ressalta que o serviço também abrange capacitação de professores, que aprendem braille e Libras para atuar junto a este segmento. “Tenho um carinho especial pelo trabalho feito na unidade porque sou formada em Pedagogia do Excepcional e conheço bem sua importância. É mais uma grande conquista para melhorar a qualidade de ensino”.



