Amarelo desbotado

Todos sabem que o torcedor brasileiro, aquele apaixonado por futebol, torce e vibra muito mais com o time de coração do que com a seleção brasileira.
A torcida por aquele time que veste a ‘amarelinha’ só fica evidente em Copas do Mundo. E olhe lá, visto que a última campanha foi decepcionante - terceira eliminação para os franceses (1986, 1998 e 2006), freguesia confirmada e polêmica sobre o (des)preparo dos jogadores para um evento desse porte.
Aquela identificação, mesmo que mínima, com a ‘pátria de chuteiras’ está cada vez menor, mais desgastada com o passar dos anos. Hoje, boa parte do elenco é formado por jogadores que atuam no exterior - às vezes, o time inteiro, sem exceções. De uma forma ou de outra, esse fator enfraquece o relacionamento seleção-torcedor, uma vez que poucos torcedores acompanham os campeonatos europeus, asiáticos e africanos. Entretanto, é notório que os melhores jogadores brasileiros vão, inevitavelmente, jogar no exterior. Formar uma seleção apenas com jogadores que atuam no País é utópico.
Contudo, as desavenças desse casamento conturbado não param por aí. Há quanto tempo o torcedor não assiste a três apresentações convicentes da seleção brasileira? Sim, três partidas seguidas. Recordação difícil, não?
O elenco estrelar de Dunga só parece funcionar à base de críticas. Dias antes do duelo contra o Chile, em Santiago, o presidente Lula havia falado que o jogador brasileiro perde a bola e fica de braços cruzados, observando o adversário jogar. Diferente do argentino Messi, por exemplo, que demonstra raça e tenta retomar a posse da bola. A declaração soou mal e os jogadores, talvez como forma de resposta ao Presidente da República, atropelaram o Chile, apresentando um belo futebol, tanto ofensivo, quanto defensivamente: um convincente 3 a 0 fora de casa.
A confiança redobrou e o clima de oba-oba estava no ar. O próximo adversário era a Bolívia, lanterna das Eliminatórias e, de quebra, o Brasil ainda jogaria em casa. O jogo veio e, com ele, um 0 a 0 sonolento, com direito a vaias e gritos brasileiros de ‘Bolívia!’. Além disso, o já tradicional ‘Adeus, Dunga’ecoou pelas arquibancadas vazias do Estádio Engenhão, no Rio de Janeiro.
Enfim, até quando o ex-capitão Dunga ficará no comando da seleção? A torcida brasileira não consegue imaginá-lo à frente do esquadrão brasileiro em uma Copa do Mundo. No entanto, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, não esbanja nenhuma crítica e parece acostumado com a idéia de mantê-lo no cargo. E que idéia!

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