Nivalter Santos

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Um atleta sergipano-vicentino e que, em pouco tempo de carreira, já conquistou resultados significativos, como o bronze no Pan do Rio, em 2007. Nivalter demonstra esforço nos treinamentos e, na entrevista, conta que pretende alçar vôos mais altos, como a conquista de uma medalha olímpica.

Superação. Essa é a palavra que define o canoísta Nivalter Santos de Jesus. Em pouco mais de três anos, o atleta já conquistou uma medalha de bronze no Pan-americano do Rio de Janeiro e, também, participou recentemente das Olimpíadas de Pequim, o maior evento esportivo do planeta. Além disso, Nivalter obteve uma série de bons resultados em campeonatos sul-americanos e mundiais da modalidade. Um futuro promissor está à espera desse jovem esportista, que demonstra humildade e, principalmente, força de vontade.
Na entrevista exclusiva para o Jornal Vicentino, o canoísta conta um pouco sobre as dificuldades de sua infância, a vinda para São Vicente e o surgimento da paixão pela canoagem. Confira a seguir:
Jornal Vicentino - Onde você nasceu e quais as principais lembranças da sua infância?
Nivalter Santos
- Nasci em Aracajú, Sergipe, numa cidade chamada Capela. Lembro que, na época, saía com meu avô, nós cuidávamos dos animais. Quando eu estava com uns dez anos de idade, vim para São Paulo. Depois, voltei para Sergipe. Aos 14, vim para São Vicente.
JV - Como foi a época de colégio?
Nivalter
- Estudava em Sergipe. Lá, as crianças não dão muito valor ao estudo. Quando cheguei aqui em São Vicente, eu estava meio ‘atrasado’ em relação aos outros alunos. Eu nunca tive muito incentivo para estudar. Além disso, meus pais separaram-se, acabei passando um bom tempo com a minha mãe e, depois, com o meu pai. Agora que estou correndo atrás desse tempo perdido. Em Sergipe, estudei apenas até a terceira série.
JV - Por que você veio para São Vicente?
Nivalter
- Inicialmente, minha mãe veio à Cidade para trabalhar. Depois, ela mandou buscar eu e a minha irmã para morarmos aqui.
JV - E como foi a sua adaptação à Cidade?
Nivalter
- No começo é diferente, pois você está acostumado a viver no Norte. Uma cidade mais parada não tem tanto movimento, além de ter mais animais. Você chega aqui e encontra carros por todos os lados. Foi estranho, mas até que consegui me acostumar rápido.
JV - Como você descobriu a canoagem?
Nivalter
- Descobri aqui na AFC (Associação dos Funcionários da Cosipa). Eu morava no prédio em frente à associação e fiz amizade com os meninos que trabalham aqui. Um deles me convidou para vir remar. Na época, eu precisava pagar 20 reais para poder treinar e ele me ajudou pagando a metade do valor. Pratiquei durante um mês para ver se gostava e, depois, parei. Certo tempo depois, eu estava passeando na feira e o Pedro Sena, que é o meu treinador, me encontrou e disse que pagaria 20 reais para eu voltar a treinar. Voltei a treinar, fui para uma seletiva no Rio Grande do Sul, consegui me classificar para a Seleção Brasileira e, depois, fui treinar com a equipe em São Bernardo do Campo. Inclusive, em breve, a sede mudará de São Bernardo para Santos.
JV - Quando e como foi a sua primeira conquista importante?
Nivalter
- A primeira foi em 2005, no campeonato sul-americano, na Colômbia. Nesse competição, havia um atleta que já tinha sido campeão pan-americano e era um dos melhores da modalidade. Tinha um outro atleta brasileiro de ponta que havia disputado com ele e não conseguiu vencê-lo também. Eu fui pela primeira vez e consegui ganhar dele numa prova. Em outra prova, fiquei em segundo, ou seja, cada um venceu uma.
JV - Em que momento você percebeu que poderia ter um futuro promissor na canoagem?
Nivalter
- A canoagem não é um esporte tão conhecido, sendo assim, encontra-se dificuldade para praticar, até por falta de patrocínio e apoio. Desde o momento que entrei, que ingressei na seleção, comecei a levar a sério, a sonhar alto. Conquistei uma medalha de bronze nos Jogos Pan-americano, que era o nosso objetivo, visto que a canoagem nunca havia conquistado uma medalha. Depois, nossa meta era conseguir uma vaga na Olimpíada, o que é muito difícil, pois são muitos atletas disputando o Campeonato Pan-americano, aquele que dá a vaga para a Olimpíada. Nele, estavam disputando um canadense, um cubano e um americano, todos atletas de ponta. Venci a prova dos 200 metros, consegui a segunda colocação em outra prova e consegui a vaga para Pequim.
JV - Como foi conquistar uma medalha de bronze nos jogos Pan-americanos?
Nivalter
- Foi uma sensação muito boa. Eu já vinha treinando bastante, dando o meu máximo e, às vezes, eu chegava a passar mal, pois trabalhava até o meu limite. Acredito que a pessoa precisa mostrar esforço, pois se ela mostrar vontade, consegue o resultado.
JV - Falando em esforço, qual a rotina de um canoísta?
Nivalter
- Quando estou em ritmo de treino para competições, corro todo dia, faço musculação, além de remar. Eram sempre três treinos, divididos em dois períodos, de manhã e à tarde, chegando em torno de cinco horas diárias. Esse treinamento é bem puxado, chegava cansado em casa. Eu almoçava, descansava um pouco e voltava para treinar para o período da tarde.
JV - Como foi a sensação de participar de uma Olimpíada?
Nivalter
- É o sonho de todo atleta estar numa Olimpíada, pois nela só estão os melhores. Se você precisa ficar entre os primeiros no Pan-americano para ir à Olimpíada, os atletas europeus encontram a mesma dificuldade. Numa competição desse porte só estão os atletas top, os melhores, ninguém está aprendendo a remar. Fiquei muito feliz por participar de um evento como esse, foi uma experiência muito legal. A dimensão de uma Olimpíada nem pode ser comparada com um Sul-americano ou outra competição, pois o nível é outro, tanto dos atletas, quanto da mídia que acompanha o evento. Em Pequim tinha muita gente cobrindo as provas.
JV - Algum fato te marcou durante a carreira?
Nivalter
- Se você tem um bom resultado hoje e, depois, seu rendimento cai, as pessoas param de acreditar em você, pensam que a sua carreira já acabou. Isso aconteceu comigo, pois eu estava perdendo para outros atletas nos treinamentos e não estavam acreditando muito em mim. No entanto, eu sempre acreditei em mim, às vezes até ficava triste, mas minha mãe sempre falava para eu treinar respeitando o meu corpo e, no final, acabou dando tudo certo. Provei que ainda tenho muito chão para correr. Muitas pessoas não conhecem a vida de um atleta, não sabem o que ocorre no dia-a-dia e, mesmo assim, querem julgá-lo.
JV - Como você vê a modalidade no País?
Nivalter
- Acho que precisa melhorar muito ainda, principalmente em termos de organização. O objetivo do atleta deve ser, primeiramente, conseguir classificar para uma Olimpíada. Depois que já foi, deve treinar para conseguir uma medalha. A organização deve melhorar para tentar fazer um ‘ciclo olímpico’, pois os atletas brasileiros nunca fizeram isso. Talvez seja por isso que não conseguimos bons resultados e subir no pódio. No dia que houver mais organização, os resultados melhorarão significativamente.
JV - A questão do apoio à canoagem poderia ser trabalhada de uma forma mais eficaz?
Nivalter
  - A maior dificuldade é o patrocínio mesmo. Sem patrocínio, a gente não é nada. Precisamos dele para treinar, manter a família, pagar as contas, pois temos uma vida normal como qualquer outra pessoa. Muitas pessoas pensam que estamos aqui para brincar, mas, na verdade, estamos trabalhando de forma séria.
JV - Quais os seus projetos para o futuro como atleta?
Nivalter
- O meu projeto é treinar forte durante esses próximos quatro anos para que dê tudo certo em Londres/2012 e o Brasil saia de lá com uma medalha. Eu sei que, treinando bastante, tenho chances de ir mais longe. Além disso, já venho adquirindo experiência nas Copas do Mundo e Mundiais da modalidade. Acredito que, em breve, o Brasil começará a brilhar mundialmente.
JV - Qual a dica que você dá para quem deseja ingressar nessa carreira?
Nivalter
- Para que comece a praticar e lute por seus objetivos. Se algo der errado, não pense em desistir. Tem que ser persistente, nada na vida será fácil. Se a pessoa não insistir, nunca conseguirá ser campeã.

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