Editorial
- setembro 29, 2008
Atitudes futuristas
Construir uma família é o objetivo de muitos casais brasileiros. No entanto, essa construção mostra-se menor - e mais simples - com o passar dos anos.
Segundo o IBGE, de 1997 a 2007, a taxa de fecundidade caiu de 2,54 filho para 1,95. Aos poucos, o Brasil ganha traços europeus e, com ele, menos crianças. Na Itália, por exemplo, a taxa estabilizou-se em 1,38 filho por casal. Ter apenas um filho é algo comum entre os casais do ‘velho continente’. Termo que, inclusive, cai como uma luva para a Europa.
Outro fator curioso é o aumento da proporção de casais brasileiros sem filhos, que cresceu de 12,9% para 16% no mesmo período. O País está seguindo a tendência das nações mais ricas, em que ter filhos não é mais uma conseqüência inevitável do casamento. Casais que decidem não procriar são um fenômeno crescente em muitos países desenvolvidos, onde foi criado até um termo para defini-los: eles são os dinks (double income, no kids, ou “renda dupla, sem crianças”). Contudo, os dinks tornaram-se motivo de preocupação em países cuja taxa de fecundidade é muito baixa. No Brasil, por enquanto, ainda não é o caso.
Mas afinal, o que leva os brasileiros a agirem dessa forma? Em meio às despesas que não páram de crescer - leia ‘impostos’ -, o casal dá prioridade às suas respectivas profissões e, conseqüentemente, à segurança financeira. Além disso, casais que não se preocupam com esses fatores servem de exemplo para outros, uma vez que, em alguns casos, chegam até a abandonar seu(s) filho(s), tamanho desespero. Atitude errônea, é claro, e que não justifica uma crueldade desse porte.
Os especialistas dizem que a tendência é que os números continuem na mesma toada, vide o fortalecimento dessa ‘onda capitalista’ que atinge os quatro cantos do planeta. Ao que parece, as doces vozes infantis soarão com menos intensidade pelas ruas brasileiras.





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