Unidades de Reabilitação de São Vicente são referência em todo o Estado de SP

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A Primeira Cidade do Brasil também é uma das pioneiras na criação de unidades de reabilitação física especializadas. Uma pesquisa do Programa Nacional de Avaliação de Serviços de Saúde (PNASS), do Ministério da Saúde, classificou os atendimentos em São Vicente entre ótimo e bom, tornando-os exemplo em todo o Estado de São Paulo.

E as novidades não param. Na próxima semana, 40 pacientes de um dos equipamentos municipais receberão cadeiras adaptadas, feitas sob medida e respeitando a individualidade biológica de cada um, para crianças com deficiência neuromotora.
“É fundamental o olhar especial para a reinserção social dos pacientes atendidos. Não há nada melhor do que vê-los conquistando os movimentos ou a fala. É a recompensa do nosso trabalho”, enfatiza o secretário municipal de Saúde, Cláudio França. Segundo ele, a rede municipal atende 18 mil pacientes por mês em três unidades especializadas em reabilitação e no Hospital Municipal. “As unidades de reabilitação foram reformadas recentemente e contam com equipamentos de ponta novíssimos”.
São Vicente conta com dois Centros de Atendimento Especializado à Pessoa Portadora de Deficiência, o Reabilitar I (Parque São Vicente); o Reabilitar II (Jardim Rio Branco); o Centro São Camilo (Náutica III) - que cuida de pacientes com encefalopatia não progressiva (paralisia cerebral) - e o Hospital Municipal (Centro). França destaca que futuramente as unidades implantarão a natação, a musculação e o futebol adaptados, sempre com a intuito de melhorar a mobilidade dos pacientes e conseqüentemente ‘sua reintegração na sociedade.

Mais de 150 mil já passaram pelo Centro São Camilo

O Centro São Camilo é o primeiro equipamento do Interior do Estado com adaptação total para deficientes físicos, segundo o Comdef (Conselho Municipal de Pessoa Portadora de Deficiência Física), de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Nele, crianças de 0 a 12 anos que possuem paralisia cerebral; síndromes e alterações neurológicas; e mielomeningocele (má-formação na medula espinhal) recebem, desde 2002, cuidados especializados. Desde a inauguração, o Centro atendeu mais de 150 mil pessoas.
Para cuidar das 600 crianças cadastradas, o Centro conta com 16 funcionários da saúde totalmente capacitados, com cursos de libras e de humanização da saúde. O local possui um consultório médico, duas salas multidisciplinares, uma de fonoaudiologia, uma de terapia ocupacional (TO), uma de psicologia, uma de serviço social, banheiros e vestiários adaptados, além de uma piscina para hidroterapia, e dois veículos (um adaptado).
As crianças com mais de 2 anos, que não possuem controle do tronco, apresentam dificuldade de se locomover e que as famílias não têm condição de levá-las para os tratamentos, têm o auxílio do veículo adaptado, que possui cadeiras adaptadas com cintos de segurança para garantir o transporte seguro e confortável aos pacientes. Os dois motoristas são capacitados com curso de Atendimento Pré-Hospitalar (APH).
A hidroterapia é um dos tratamentos oferecidos às crianças portadoras de paralisia cerebral espástica (crianças com tônus muscular aumentado). A sessão dura 40 minutos e é essencial para o tratamento das crianças, pois a ausência de gravidade faz com que diminuam a espaticidade, melhorando a coordenação motora e a movimentação global do paciente. Elas ficam mais calmas, concentradas e confiantes. Durante as sessões, os profissionais de terapia ocupacional (TO) e de fisioterapia fazem alongamentos e cinesioterapia (exercícios para pernas e braços) no paciente.
Outro detalhe importante é que na piscina, em vez de cloro, é usado sal como antibactericida. A substância não prejudica o sistema respiratório dos pacientes e tem o mesmo efeito do cloro, que provoca aumento da quantidade de secreção nas crianças. A piscina, que mede 8 x 5 m, também é aquecida para maior conforto das crianças. O equipamento tem profundidade de 1,2 m, com cobertura de policarbonato.
Pacientes com dificuldade de engolir são tratados pelo Programa de Disfagia. Nele, a fonoaudióloga, especialista no tratamento de disfagia, e a fisioterapeuta respiratória fazem um tratamento conjugado para estimular a criança a retirar a sonda de alimentação e voltar a comer por via oral. “A disfagia é um sintoma encontrado nos pacientes com problemas neurológicos. Na maioria das vezes, apresentam desnutrição e desidratação. No final do Programa, o paciente é encaminhado para o nutricionista para que ele acompanhe seu peso”, explica a responsável técnica Karina Barthalo. Esta atividade conseguiu zerar os índices de broncoaspiração (presença de conteúdo alimentar nos pulmões) entre os pacientes disfágicos, além de ser o único da Baixada Santista.
Matheus Pereira de Mello, de 9 anos, foi um dos pacientes a receber alta do Programa de Disfagia. “Com a ajuda do Programa, Matheus aprendeu a engolir os alimentos”, conta a mãe Maria das Graças Pereira. Emocionada, a mãe afirma que, quando soube que o filho tinha paralisia cerebral total, ficou muito preocupada. “Fui muito bem recebida pelos profissionais do Centro São Camilo. Matheus faz fisioterapia e hidroterapia. Sinto que meu filho está em boas mãos. Cada movimento é uma conquista para mim e para o Matheus”.
As mães são pessoas fundamentais no tratamento. Elas não só acompanham os filhos, como também recebem orientações dos profissionais da saúde para darem continuidade no tratamento dos filhos em casa. O Grupo de Higiene e Saúde oferece, para os pacientes e seus pais, noções de higiene e ensina sobre a importância da higienização pessoal das crianças. A nutricionista fala sobre os cuidados com a limpeza e o preparo dos alimentos.
Diego Machado, de 1 ano e 2 meses, teve paralisia do lado esquerdo do corpo e iniciou o tratamento no Centro São Camilo no começo deste ano. A mãe, Érika Conceição Machado, não só acompanha, de segunda a sexta-feira, as sessões de Terapia Ocupacional (TO) e Fisioterapia, como também faz exercícios em casa com o filho. “As profissionais me deram uma esponja para estimular os sentidos do Diego, para que a sensibilidade das mãos e pés volte.” Érika conta que está muito contente com o tratamento dado a Diego. “Meu filho agora consegue engatinhar, sentar e ficar em pé. Quando a fisioterapeuta estende a mão para pegá-lo, ele já se joga nos braços dela, de prontidão para os exercícios”.
O Coral Centro São Camilo é mais um exemplo de tratamento que melhora a coordenação motora e a auto-estima, promove a sociabilização e desenvolve a comunicação oral. As crianças com mais de 5 anos e que apresentam oralidade têm aulas todas as sextas-feiras com fonoaudiólogas e professora de música. “Os pacientes têm contato com os instrumentos e aprendem diferentes ritmos e melodias. O sucesso é tão grande que eles sempre são chamados para se apresentar em eventos da Cidade”, afirma a responsável técnica.
O esporte e a dança também são elementos fundamentais para a reabilitação das crianças atendidas no Centro. Segundo a chefe de departamento de fisioterapia, Mariane Rodrigues Ruiz, a iniciativa de incluir o judô na reabilitação partiu da necessidade de ajudar os pacientes do Programa de Órtese e Prótese (POP). “A maior dificuldade dos que têm membros amputados é de largar a muleta e não temer a queda”. Além disso, o professor de Educação Física estimula os pacientes a melhorar o equilíbrio, a coordenação motora e fortalecer os membros inferiores.
De acordo com a fisioterapeuta e professora de dança Célia Regina Pena, a aula de dança adaptada auxilia na recuperação das funções, às vezes não tão estimuladas na fisioterapia. “A vontade de fazer as coreografias faz com que o paciente se esqueça de que tem dificuldade de realizar alguns movimentos.” Para estimular os membros superiores e inferiores, Célia Regina realiza, com a participação das mães, alongamentos, relaxamentos e exercícios de equilíbrio ao som de canções infantis.
Todos os pacientes que possuem membros enrijecidos recebem órteses. A Oficina de Órteses para Membros Superiores, realizada por duas terapeutas ocupacionais, tem como objetivo desenvolver equipamentos para os membros superiores das crianças, prevenindo deformidades. As órteses são confeccionadas especialmente para cada paciente.

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