Jogo dos 7 erros

Inicialmente, parecia apenas um ex-namorado que ainda não estava conformado com o término do relacionamento. A população brasileira acompanhava em Santo André, mais uma vez, cenas da violência urbana que já se tornaram comuns no dia-a-dia, sobretudo nos subúrbios do País.

Entretanto, após o primeiro disparo do calibre 32 de Lindemberg Alves em direção aos jornalistas que cobriam o seqüestro, o panorama mudou. Mas mudou apenas para algumas pessoas. Para os policiais responsáveis pela operação, tudo parecia dentro dos conformes e sob controle. Primeiro erro.
Com um lingüajar repleto de gírias, Lindemberg mostrava instabilidade ao negociar com os policiais. Desde o momento que invadiu o apartamento de sua ex-namorada, Eloá Pimentel, sete anos mais nova que ele, o seqüestrador era sinônimo de perturbação. Em teoria, os policiais deveriam ter contido o rapaz logo no primeiro dia. Contudo, preferiram negociar por extensos cinco dias. Segundo erro.
Em casos semelhantes a esse, atiradores de elite são comuns em outros países. Entretanto, o coronoel Eduardo Félix, comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar e ‘homem de frente’ da operação, salientou que Lindemberg era apenas um ‘jovem passional’(?). Desde que o mundo é mundo, ninguém pode ser dócil portando uma arma, querido comandante. Terceiro erro.
Além disso, a libertação da outra vítima, Nayara Rodrigues, e, em seguida, sua volta ao ‘cativeiro’ foi uma atitude, no mínimo, desastrosa. Pode-se afirmar com absoluta certeza que nunca existiu medida como essa na história de combate ao seqüestro. Quanto despreparo e que ‘honra’ para o Brasil, não? Quarto erro.
Obviamente, a negociação não poderia se estender ainda mais. O prazo limite chegou e a invasão foi planejada. Mas dentre diversos policiais, ninguém imaginou que Lindemberg não deixaria a passagem livre para uma provável invasão da polícia? O arrombamento da porta do apartamento de Eloá Pimentel demorou alguns segundos, pois havia um móvel por detrás da porta. Durante essa dificuldade de invasão, o seqüestrador teve tempo suficiente para efetuar os disparos que mataram Eloá e feriram Nayara. Quinto erro.
Com a captura de Lindemberg, as vítimas precisavam ser socorridas. Em meio a uma confusão generalizada nos corredores do conjunto habitacional, policiais socorriam Eloá e Nayara, mas o médico responsável mal conseguia chegar até as vítimas. Sexto erro.
Poucos acertos e muitos erros ocorreram durante essa tragédia. O Brasil acompanhou de perto o embate entre a ‘bela’ e a ‘fera’ e construiu sua própria crítica. Sendo assim, leitor(a), relembre algum fator que se encaixe como sétimo erro, afinal, um erro a mais ou a menos não consertará tamanha fatalidade mesmo.

Deixe seu Comentário